Brasil Empreendedor quer deslanchar este ano
Texto: Márcia Buzalaf
Com apenas quatro meses de vigência na Caixa Econômica Federal (CEF) e dois no Banco do Brasil (BB), o programa Brasil Empreendedor já mostra maior participação entre os micro, pequenos e médios empresários, facilitando a concessão de crédito. Através dos bancos federais, o programa deve deslanchar este ano, já que tem até R$ 8 bilhões para serem aplicados até setembro deste ano no Brasil todo. Apesar de ser mais ágil, o programa não exclui a burocracia na liberação do crédito, mas deve ganhar força em fevereiro, quando uma campanha nacional vai incentivar o Brasil Empreendedor.
O programa Brasil Empreendedor tem à sua disposição R$ 8 bi para financiamento entre os vários fundos de recursos, e deve ganhar mais força a partir de fevereiro. De acordo com informações do gerente do Paulo Tebaldi, 33 anos, gerente do Sebrae-SP de Bauru, uma campanha publicitária vai tentar incentivar o programa em todo o Brasil.
programa vai até setembro deste ano e coloca à disposição da CEF 260 mil créditos.
O investimento e a destinação destes recursos são contados como pontos nas metas de cada agência e regional.
"Nós vamos ser avaliados pela quantidade e pela qualidade destes créditos. Um dos sistemas de avaliação dos escritórios de negócios é a aplicação para micro e pequena empresa", diz Wangley Rodrigues Taú, 31 anos, gerente de mercado da CEF.
Apesar do escritório de negócios da CEF ter ocupado o primeiro lugar em todos os setores avaliados no ano de 99, Taú diz que este ano, a regional não terá liderança em todos os itens, e os números já divulgados apontam apenas o primeiro lugar para a aplicação em habitação.
Os dois bancos que serão avaliados na liberação de crédito dentro do programa Brasil Empreendedor são o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal. Os dois já mostram resultados positivos, mas acenam para uma melhora na perspectiva deste ano.
O Serviço de Apoio a Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-SP) também tem metas a atingir junto ao programa, já que é o responsável por capacitar os empreendedores para o programa. Tebaldi afirma que o órgão tem que capacitar 10 mil pessoas até setembro deste ano. Na opinião deles, a procura pelo curso de capacitação ainda está aquém do que poderia ser. "É um terço da capacidade de cursos", analisa Tebaldi.
O curso de capacitação deve ser feito por todos os empresários que queiram contratar financiamento nos bancos. O empresário pode buscar o apoio do Sebrae em qualquer estágio do pedido de crédito, mas o melhor é quando ele faz a capacitação antes de pedir o recurso.
Tebaldi conta que o empresário deve procurar o Sebrae para preencher a fixa de inscrição, através do qual ele será encaminhado para o curso de capacitação.
Na opinião do gerente do Sebrae de Bauru, a exigência do programa é que apenas alguns dos cadidatos sejam obrigados a fazer o curso, mas ele acredita que o ideal é que todos participem da capacitação.
O curso tem 16 horas de duração e não custa nada. Depois do curso, o empreendedor deve se dirigir ao banco para conseguir o crédito. O Sebrae tem turmas semanais de manhã, tarde e noite, com duração de quatro dias.
CEF
Em 99, através do Proger, o escritório de negócios da CEF financiou 46 projetos, no montante de R$ 676 mil, sendo que cinco deles eram de Bauru. A representação da cidade no montante do empréstimo é de R$ 74 mil.
Deste total, a quantia liberada no Brasil Empreendedor foi de R$ 362 mil, sendo R$ 40 mil só de Bauru. Como o programa começou em outubro, nos três meses de vigência foram contratados 24 projetos no escritório de negócios, sendo 3 de Bauru.
Nas demais operações da CEF não-vinculadas a projetos, entre empréstimo para capital de giro e desconto de cheques, o total contabilizado no escritório de negócios da CEF no ano passado foi de 991 contratos, somando R$ 13,3 milhões, sendo R$ 1,2 milhão, ou seja, 81 contratos, apenas da cidade de Bauru. Estes recursos são advindos da CEF, Sebrae e PIS.
Nesta mesma modalidade, mas dentro do programa Brasil Empreendedor, entre outubro e dezembro, a região recebeu R$ 5 milhões em 339 contratos feitos, sendo R$ 590 mil de Bauru, 33 contratos.
Taú afirma que o próprio marketing usado no Brasil Empreendedor foi suficiente para acelerar os financiamentos nesta
área. Nota-se que os contratos feitos a partir de outubro representam parcela significativa do total liberado no ano.
Por este motivo, os agentes financeiros esperam um grande crescimento de contratos fechados para este ano. Nos dados parciais de janeiro, através do Proger, o escritório de negócios da CEF conseguiu fechar 27 contratos, o equivalente a R$ 260 mil.
No caso da CEF, a participação de Bauru é de aproximadamente 10% do total liberado para as 20 cidades com agência que o escritório de negócios abrange e mais os 76 municípios que não têm agência.
Percentualmente, Taú avalia, a participação do município é grande se comparada com a abrangência do escritório de negócios. Mas, se pensarmos no potencial da cidade e na necessidade de crédito para micro, pequenos e médios empresários de Bauru, esta participação ainda é pequena.
BB
O Banco do Brasil começou em dezembro o programa chamado Brasil Empreendedor, mas o banco não dispõe dos dados regionalizados, apenas estaduais. Norton de Souza, gerente regional substituto do BB, 45 anos, estima que tenha sido aplicados R$ 17 milhões em financiamento de capital de giro, sendo R$ 700 mil apenas pelo Proger.
Dentro das linhas de crédito destinadas para pequenas e micro empresas, que seguem a mesma linha do Brasil Empreendedor só que com uma marca diferenciada, o BB aplicou R$ 17 milhões, sendo 700 mil apenas na linha do Proger formal e informal.
Souza estima que, dentro do programa de geração de renda, haja aproximadamente uma média de 50 clientes, já que esta linha de crédito é mais voltada para a aquisição de máquinas ou equipamentos.
Nas linhas de crédito do Brasil Empreendedor, como os recursos são voltados para o capital de giro, o número de clientes aproximados da regional do BB é de 1,7 mil. A média dos valores liberados para este programa é de R$ 10 mil.
Bauru deve representar entre 30% e 40% do total liberado na regional, já que é a única cidade que tem mais de uma agência na regional. Ao todo, 25 municípios fazem parte da estrutura de Bauru.
Apesar do Brasil Empreendedor ter pouco tempo de vigência dentro do BB, Souza estima que este ano o programa deve decolar, já que existe uma estrutura montada especialmente para conceder o crédito para o empresário.
Agilizado, sim - desburocratizado, não
O Brasil Empreendedor visa agilizar a concessão de crédito, mas não desburocratizar. De acordo com Norton de Souza, gerente regional substituto do BB, 45 anos, o programa não
é desburocratizado, já que a burocracia é essencial para que o crédito seja concedido para alguém que possa retorná-lo ao banco, mantendo assim o giro deste dinheiro e possibilitando maior acesso a ele. Mesmo o recurso existindo, as empresas não conseguem crédito justamente porque não têm garantias para apresentar.
Souza afirma que a proposta do programa é ser mais ágil, no sentido de propiciar o levantamento de todos os dados do cliente em potencial em um curso espaço de tempo. "Não há como a concessão de crédito ser desburocratizada, isso não existe", diz o gerente.
A agilidade, segundo Tebaldi, do Sebrae, é estipulada pelo próprio programa, já que em 21 dias o banco é obrigado a dar um retorno do projeto para o candidato.
Para conseguir esta agilidade, o BB montou uma sala com quatro funcionários para o atendimento dos empreendedores e a CEF também disponibilizou consultores empresariais para estudar os projetos para o programa.
Taú afirma que alguns empresários acreditam que precisam de crédito para uma determinada finalidade quando na verdade a destinação dos recursos deveria ser outra. "Capital de giro, por exemplo, não combina com restruturação financeira, mas é constantemente usado para isso. Mas não é o dinheiro certo para a coisa certa", afirma.
O gerente da CEF diz que a maior deficiência em créditos das empresas hoje em dia é a falta de uma linha de recursos destinada, exclusivamente, para a recuperação financeira de uma empresa. Taú diz que a CEF, assim como os outros bancos, já estão estudando uma linha específica para esta finalidade.
CRÉDITO EM 99 - liberação de recursos para micro, pequenas e médias empresas
CEF*
R$ 13.300,000,00 +
R$ 676.000,00
_______________
R$ 13.976.000,00
* dados do escritório de negócios da CEF
BB*
R$ 16.300.000,00 +
R$ 700.000,00
_______________
R$ 17.000.000,00
* dados aproximados da regional do BB