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Paulo Toledo
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Há riscos de blecaute, diz CPFL

Texto: Paulo Toledo

O sistema elétrico está em "extremo risco" da ocorrência de novos blecautes, em razão do fato dos reservatório das usinas geradoras estarem em um nível muito baixo e pela situação de limite da necessidade de expansão do sistema de geração. O alerta

é do presidente da Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL), Ronald Jean Degen, 56 anos, para quem as chuvas que vêm ocorrendo colaboraram para reduzir o perigo, mas este ainda está presente.

Para Degen, o blecaute de março, que deixou 11 Estados no escuro, ocorreu porque havia uma situação de falta de opções de fontes geradoras na rede. Segundo ele, o Operador Nacional do Sistema (ONS), em razão do baixo nível dos reservatórios, "pendurou" toda energia nas redes de Furnas, ou seja, haviam três linhas que estavam segurando todo o sistema e quando houve o raio, provocou o curto, que derrubou a linha e desligou algumas usinas-chaves, provocando um efeito dominó em todo o sistema.

O problema é que na hora da religação ocorreram falhas em diversos dispositivos da Cesp, comprometendo a religação.

"Se tivéssemos energia de diversos pontos, não teríamos sido tão vulneráveis a esse fenômeno. E vamos ter que operar desse jeito, de maior risco, enquanto não tivermos essas termelétricas (há vários projetos em curso) funcionando", afirmou.

O blecaute, segundo o presidente da Paulista, fez com que ocorressem investimentos no sistema, que o melhoraram. Para Degen, o risco permanece, mas não significa que o fenômeno vai acontecer. De acordo ele, no passado o risco era relativamente pequeno pois havia muita reserva. "Se dava problema em uma linha, a gente acelerava uma outra máquina e a situação se equilibrava. Quando você não tem mais reserva, se tem problema vai cair, o risco é maior", afirmou.

O presidente da Paulista disse que o nível dos reservatórios de água das usinas hidrelétricas chegou, no final do ano passado, a menos de 10%. Ele chegou a brincar que o turismo nas sete quedas (que desapareceu quando o lago de Itapu foi represado) esteve prestes a voltar, uma vez que as cachoeiras estavam reaparecendo.

Para Degen, o caminho para o País, principalmente para o Sudeste, é a aprovação das usinas termelétricas. Ele chega a prever que, caso isso não ocorra, ocorrerá racionamento de energia elétrica a partir de 2003. "Estamos no limite da necessidade de expansão", afirmou.

O presidente da CPFL diz que não é mais possível construir hidrelétricas na região Sudeste e citou o caso da de Porto Primavera, que ainda está provocando muita polêmica. "Não há mais condições políticas para buscar a construção de uma nova hidrelétrica. Os ambientalistas não permitiriam, e com toda a razão", afirmou.

O custo da geração de energia nas térmicas, segundo Degen, é semelhante ao que se paga, hoje em dia, pela energia de Itaipu, que é mais cara do que a vendida pelas outras geradoras, além de ser cobrada em dólar na cotação do dia do pagamento - o que, inclusive colaborou para os aumentos de tarifa do ano passado. Assim cada MWh custa entre R$ 32,00 a R$ 70,00 (sendo de Itapu). Para se ter uma idéia, há uma obrigatoriedade de compra de um terço da energia distribuída pela Paulista de Itapu, que cobra.

Estudo

Degen disse que a empresa está investindo US$ 9 milhões

(cerca de R$ 16,2 milhões) no estudo, que deve terminar no final deste ano, para instalação da termelétrica de Americana. De acordo com ele, esse estudo contempla a viabilidade técnica e, além disso, atender às exigências para obter a licença ambiental. "O maior desafio, hoje em dia, é fazer uma usina que tenha o mínimo impacto ambiental. Os ambientalistas são extremamente rigorosos, acho que com toda a razão", afirmou.

Americana foi escolhida por ser considerada o "centro de cargas" da empresa, em razão do fato de Campinas e Americana terem sido utilizadas como região de "descompressão" da indústria de São Paulo. Essa termelétrica terá capacidade de 700 MegaWatts (MW) com possibilidade de dobrar para 1,4 mil MW e será a maior do Brasil. Essa usina deverá atender 30% das necessidades da CPFL.

Neste ano, a empresa deve investir cerca de R$ 150 milhões em toda sua região de concessão.

CPFL

Degen diz que a CPFL tem uma história de 87 anos e, atualmente, vem sendo modernizada. A Paulista nasceu em 1912 como uma empresa privada nacional, sendo vendida para uma empresa norte-americana, em 1927. Em 1964, a Companhia foi estatizada, mantendo-se assim até 1998, quando seu controle acionário foi vendido para o consórcio formado pela Votorantim, Bradesco e Camargo Corrêa (VBC).

O presidente da CPFL disse que no final da fase estatal a Companhia sofreu com a falta de recursos e, agora, como empresa privada, vem recebendo investimentos na atualização tecnológica.

Esses investimentos, diz Degen, têm proporcionado resultados positivos. Na regional da CPFL, por exemplo, os índices de qualidade da empresa, o DEC (mede quanto tempo médio anual que uma unidade consumidora fica sem energia) e o FEC (quantas vezes por ano essa unidade fica sem energia), que estão abaixo dos limites da Agência Nacional de Energia Elétrica

(Aneel). Em Bauru, por exemplo, o DEC realizado em dezembro de 99 foi de 4,94, enquanto que o limite era de 5,87, enquanto o FEC foi de 4,08 para uma limite de 5,16 (veja quadro das cidades da região). Os limites determinados pela Aneel dependem da situação tecnológica de cada município.

Degen destacou que, no temporal da última quarta-feira, em Bauru, apenas um alimentador de rede teve problemas e "caiu". Mesmo assim, houve restabelecimento em 34 minutos, o que é considerado um resultado bom.

O presidente comemora que, em 1999, a CPFL teve o melhor desempenho das grandes distribuidoras de energia do País, segundo a Aneel, em termos de DEC e FEC. Além disso, outros prêmios foram concedidos à empresa, inclusive um "Top Social", em razão das doações que a empresa vem fazendo para as santas casas do Estado. "É importante mencionar que a CPFL, das empresas privatizadas, é a única que tem 100% de controle brasileiro, o que nos dá um especial orgulho", afirmou.

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