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Redação
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Caio já alcança 15% do mercado

Depois do sufoco da concordada, a fábrica de Botucatu produz para mercado nacional e retoma vendas para o exterior

A diretoria da Companhia Americana Industrial de Ônibus

(Caio) inicia o ano de 2000 com excelente expectativa de recuperação, segundo informou o diretor geral da empresa Cláudio Regina. Depois de passado o sufoco dos meses iniciais da concordata preventiva, autorizada pela Justiça no primeiro semestre de 1999, a empresa já começa a dar sinais sólidos de recuperação. O primeiro sinal é a recuperação do mercado. De maio a dezembro do ano passado

(1999), período em que os acionistas reassumiram a direção da Caio, mais de 80 empresas do setor de transportes fizeram encomendas

à fábrica de Botucatu, totalizando 1.051 carros produzidos. Essas vendas indicam que a empresa está recuperando o mercado, totalizando 15% do setor já no final do ano passado. No início de 1999 a Caio tinha apenas 5% do mercado nacional de ônibus urbano.

Outro indicativo positivo para a nova administração da Caio é a previsão de aumento da vendas de ônibus urbano. Somente no mês de janeiro, até o último dia 27, a Caio vendeu mais de 260 carrocerias, sendo os principais clientes a Viplan de Brasília e o Grupo Osasco/Himalaia, respectivamente com 150 e 80 carros do novo modelo Apache. A direção da Caio estima que em 2000 o mercado brasileiro deverá absorver algo em torno de 15 a 16 mil ônibus. Um dos indicadores

é a necessidade de recuperação da frota nacional e as eleições municipais, período em que geralmente as vendas de ônibus melhoram. "Acreditamos que o mercado deverá absorver entre 15 e 16 mil carros e nós deveremos ampliar ainda mais e rapidamente, nossa participação na produção nacional de ônibus. Outro fator que estamos atentos é o das eleições municipais neste ano, o que levará muitos prefeitos a prestarem mais atenção ao sistema de ônibus, isso sem falar da necessidade de regularmentar as linhas de transporte, combatendo clandestinos que operam com peruas e vans".

Além de fatores como o empenho de setores administrativo e de vendas, José Massa Neto, diretor industrial, apontou a melhoria dos produtos feitos pela Caio como pontos positivos a favor da recuperação de mercado da empresa. "Hoje estamos produzindo com mais rapidez e produtos com qualidades superiores à que já fazíamos. O mercado sentiu isso e está comprando os nossos ônibus. Só a tradição que o nome Caio tem no mercado não refletiria nas vendas, se a qualidade dos produtos, a rapidez da linha de produção e a assistência técnica não estivessem sintonizados com essa nova fase da empresa", afirmou.

Declarações de operadores de frotas a revistas especializadas indicam as avaliações do diretor industrial. "A Caio é uma encarroçadora com muita experiência e produtos muito bons. É tradicional. Comecei a minha vida comprando ônibus da Caio", afirmou Belarmino de Ascensão Marta, diretor da Via Norte, empresa que opera em São Paulo,

à revista Tecnibus, especializada na indústria do transporte coletivo. Outro depoimento a favor da empresa botucatuense

é de Joaquim Constantino Neto, da Breda Transportes e Turismo, uma das maiores do Brasil: "A Caio está produzindo carros com rapidez. E a assistência tecnica é muito boa, nunca me deu problema".

Exterior

Além dos ônibus produzidos para o mercado nacional a Caio está retomando as vendas para o mercado externo, como forma de equilibrar a baixa venda de ônibus ainda verificada no País. Desde o segundo semestre do ano passado a empresa já vendeu e está solidificando as vendas para empresas de ônibus de países como Kuwait, Chile, Venezuela, Uruguai, Tahiti entre outros. Para o mês de março está previsto a entrega de 30 unidades no

Chile e 10 na Costa Rica.

Diretoria presta contas aos funcionários

Apesar das vendas indicarem a recuperação de mercado, os diretores e acionistas da Caio não estão satisfeitos.

"Estamos comprovando e demonstrando que a nossa empresa tem crédito e respeito no mercado brasileiro de ônibus, mas ainda não estamos satisfeitos, pois temos muito trabalho pela frente. Temos muitas contas a pagar e compromissos com nossos funcionários", afirmou Cláudio Regina.

No dia 19 de janeiro Cláudio Regina e José Massa Neto, reuniram-se com os 600 trabalhadores da linha de montagem e da administração, para comunicar que a situação da empresa estava melhorando. "Vocês deram um voto de confiança ao nosso trabalho depois da concordata e por isso estamos comunicando que pouco a pouco a nossa situação está melhorando, como vocês podem sentir pela produção. Estamos regularizando os pagamentos de salários dos funcionários e com os nossos fornecedores. Para que tudo continue dando certo peço que o empenho inicial dos senhores se mantenha, como os excelentes produtos que estamos entregando aos nossos clientes", afirmou Cláudio Regina.

Os diretores da CAIO disseram que o encontro foi para dividir o sucesso dos bons resultados dos últimos meses. "Vamos manter semanalmente, se necessário, contato com os nossos colaboradores, informando-os da situação da empresa, esclarecendo dúvidas e discutindo a qualidade de nossos produtos", afirmou José Massa Neto.

Os diretores da Caio afirmam que só descansarão quando todas as pendências da concordata forem resolvidas.

"Assim como para muitos trabalhadores da Caio, nós sabemos é fazer e vender ônibus, estamos todos na mesma situação, lutando para recuperar a empresa e vamos conseguir trabalhando muito", afirmou José Massa Neto.

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