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Raio

Márcia Buzalaf
| Tempo de leitura: 3 min

Raio atinge 15 residências na Vila Santa Clara

Texto: Márcia Buzalaf

Um raio caiu e atingiu diretamente 15 residências no final da tarde de segunda-feira, aproximadamente oito televisores, dez geladeiras, cinco videos-cassetes, três computadores, mais de 15 aparelhos telefônicos e, o mais grave, cinco pessoas. Além disso, o bar daquela região teve a geladeira e o computador queimados. Os moradores estão revoltados e pedem uma resposta das autoridades competentes.

O estourou deixou todos os moradores da região amedrontados, mas apavorou ainda mais quem sentiu na pele a vibração da eletricidade. Algumas pessoas ficaram grudadas em móveis e geladeiras, e a maioria sentiu efeitos colaterais como fortes dores de cabeça.

É o caso de André Luiz Borro, 19 anos. Ele conta que acordou ao ouviu o barulho, tocou no armário do quarto, ficou grudado nele e sentiu a vista escurecer. André conta que seu relógio prateado ficou todo chuviscado, como se tivesse queimado. O jovem garante: se fosse uma criança, não agüentaria. Além disso, a geladeira do jovem pifou.

Outra experiência apavorante foi da esposa do Jaílson Dávila, vizinho da torre que teria atraído o raio. Segundo conta o morador, sua esposa ficou com um lado do corpo todo paralisado. Além da dor de cabeça forte que a vítima sentiu, sua unha ficou inteirinha preta pela descarga elétrica que sofreu.

Gravidade

Os casos mais graves são dos dois vizinhos da torre. De um lado, o raio perfurou a parede e foi parar no outro muro da casa. A casa do outro lado, que é de madeira, foi ainda mais prejudicada.

Patrícia de Freitas, moradora desta residência, presenciou a queda do raio. Ela estava na cozinha quando ouviu o barulho e correu com os filhos para dentro da casa. Ao voltar, percebeu que seu banheiro havia perdido alguns azulejos e, seu chuveiro, queimado.

Aliás, segundo Patrícia, toda a rede elétrica da casa queimou, o que dificulta a moradora de ver quantos eletrodomésticos ficarão sem uso. Como a casa é de madeira, o temor da moradora é que, "da próxima vez, pegue fogo na casa toda". "Vou ter que trocar os fios da casa toda, mas sorte que não pegou nos meninos", diz ela, ao se referir aos filhos pequenos que têm.

Para organizar todos os prejuízos, um dos moradores, Adilson Caldeira, listou todos os produtos queimados e deverá registrar ainda hoje um Boletim de Ocorrência de danos e de preservação dos direitos.

Ao se organizarem, os moradores entraram em contato com a Telesp Celular, que seria a dona da torre, e com a Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL). Todos teriam falado que não poderiam fazer nada a respeito.

O vereador Luiz Roberto Relvas (PDT) foi até o local para prestar solidariedade aos moradores. Segundo Caldeira, o parlamentar se dispôs a entrar com uma ação civil pública que repare os prejuízos ocasionados pelo incidente.

O gerente regional da CPFL, Lúcio Esteves Júnior, confirmou o ocorrido e disse que o raio teria ocasionado um pisca de curta duração, que foi dos 46 segundos até os 52 segundos das 18 horas e quatro minutos da segunda-feira.

Se o evento foi externo à rede da CPFL, ela não tem nenhuma responsabilidade com os danos causados pelo raio. Esteves Júnior afirma que a empresa que distribui energia aparentemente não tem nada a ver com o caso, mas que todos os consumidores que tiverem reclamação para fazer podem ligar para o 120. Segundo ele, a garantia da empresa é que as reclamações serão analisadas. Já a Telesp Celular de Bauru afirmou não ter conhecimento do raio, apesar dos moradores garantirem que a empresa foi devidamente avisada sobre o acidente.

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