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Luciano Augusto
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Nilson e Garms apóiam ação contra intervenção no Banespa

Texto: Luciano Augusto

O prefeito Nilson Costa (PPS) e o vereador tucano Antonio Carlos Garms apoiaram, ontem, a ação popular contra a intervenção federal no Banespa e seus resultados, encampada pelo Sindicato dos Bancários e Financiários de Bauru e região.

Na semana passada, o deputado Pedro Tobias e a vereadora Maria José Majô Jandreice (PC do B) também assinaram a ação popular contra a intervenção.

O prefeito, embora ainda não tenha oficializado a assinatura

(preferiu ler a íntegra da ação e manter contato com os diretores do sindicato), manifestou-se favoravelmente aos bancários. Considerou que outras estatais privatizadas, como a própria Noroeste do Brasil, ainda têm se mostrado ineficientes.

Nilson Costa recordou que o Banespa sempre foi um órgão essencial para os municípios paulistas, financiando importantes medidas para a população de todo o Estado de São Paulo.

Já o vereador peessedebista Garms, um ex-banespiano, assinou de pronto a ação. Ele disse que estava assinando a ação "por convicção" e que isso não deverá causar qualquer tipo de mau estar dentro do PSDB. "Sempre digo que quando eu, pessoalmente, discordo de algum ato do governo ou do meu partido, por ser democrático,

é me permitido contestar e eu faço a contestação da privatização do Banespa, por convicção, não só por conhecer o banco, saber da sua importância, da sua necessidade para o povo paulista, mas também porque o banco é um patrimônio incalculável de toda a população".

Garms considerou também que a campanha de privatização do Banespa é questionável, uma vez que "o banco

é superavitário e não é porque houve um Governo que quebrou o banco mas elegeu seu sucessor, que nós iremos entregar o banco para a iniciativa privada ou para os estrangeiros".

Como adiantou o vereador, a assinatura de ontem foi eminentemente como pessoa física, mas, neste momento, ele não podia "tirar a capa de vereador".

A ação popular contra a intervenção federal na instituição derivou de uma deliberação do Comando Nacional dos Funcionários do Banespa, que "tirou" que cada região sindical deveria buscar o apoio das lideranças regionais contra a federalização da instituição financeira.

O diretor de comunicação do Sindicato dos Bancários e Financiários de Bauru e região, Marcos Aurélio Silvestre, adiantou que não está descartada uma greve geral dos funcionários do Banespa. A resolução deve sair durante o congresso dos funcionários da instituição, agendado para o final de março, pouco antes da publicação do edital de privatização, previsto para 4 de abril.

Silvestre ressalta também que há diversas irregularidades no processo de federalização e privatização do Banespa. Uma delas é que antes do Banespa ter sido federalizado, o banco teria que passar por avaliação de duas consultorias, uma federal e outra estadual. O diretor do sindicato afirma que as consultorias não apresentaram nenhum resultado e mesmo assim o Estado transferiu as ações para a União. Outro ponto é que o Governo Estadual deveria ter modificado a Constituição do Estado, que coloca o Banespa como agente financeiro do Estado. "Ele não fez esta alteração". Um terceiro ponto é que o presidente Fernando Henrique Cardoso baixou um decreto, no final de dezembro, permitindo a compra do Banespa por capital estrangeiro. Mesmo sendo totalmente contra qualquer forma de privatização, seja por capital nacional ou internacional, no entendimento do sindicato, essa medida seria uma atribuição do Congresso Nacional e não do Poder Executivo.

Manifestação em Brasília

Centenas de funcionários do Banespa estão sendo aguardados hoje, em Brasília, durante a manifestação contra a privatização do banco. O sindicato da categoria, em Bauru, enviou um ônibus para a capital federal para participar da manifestação.

Haverá ainda uma audiência pública na Câmara dos Deputados, com a participação do presidente da Casa, o deputado Michel Temer, sobre a privatização do Banespa.

Funcionários da ativa e aposentados, estarão "demonstrando aos deputados as inúmeras irregularidades que estão sendo cometidas pelo Governo Federal no processo de privatização do Banespa".

Carta ao Governador

O bancário aposentado Benedito Neves Ribeiro de Campos, que trabalhou no Banespa de 1945 à 1975, está preparando uma carta que será enviada para o governador Mário Covas e para a Assembléia Legislativa.

Na carta, Ribeiro de Campos, critica "o ato mesquinho" da privatização do Banespa e lembra do tempo em que o banco fazia empréstimos a agricultores, com juros de 3% ao ano.

O velho banespiano ainda cita os bauruenses ilustres que ocuparam cargos de chefia no Banespa e também os diretores do banco. Através do documento, ele pretende sensibilizar as autoridades para que desistam da privatização do Banespa.

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