Favela do Jaraguá já tem 287 barracos
Texto: Erika de Lima
O número de barracos no Parque Jaraguá aumentou mais de 50%, sendo que uma parte considerável está em área de risco, próxima à erosão
Não é só a falta de infra-estrutura que caracteriza o Parque Jaraguá; o bairro também é marcado pela existência de uma favela, que está crescendo.
É o que demonstra dados da Comissão Municipal de Defesa Civil (Comdec). Em 1997, existiam 183 barracos no bairro; em 1998 esse número passou para 214 e, no ano passado saltou para 287.
O grande problema enfrentado pelos moradores da favela é a erosão. Oitenta e oito barracos estão localizados nas margens do córrego da Grama, um local em processo erosivo. De acordo com o coordenador da Comdec, José Álvaro de Brito, há risco em morar na favela "A favela está em área de risco. Se houver chuvas muito fortes, as casas podem desabar junto com o barranco", disse.
O leito do córrego da Grama acabou sendo desviado com a erosão, formando-se um banco de areia, onde algumas pessoas jogam bola, crianças brincam e há até criação de animais, como porcos. Porém, nesse local ainda há o risco de enchentes e também de desmoronamentos. "É muito preocupante a localização em que estão os barracos. Já morreram duas crianças em 1994 e devemos evitar mais mortes", relata Brito.
Há moradores que plantam grama e árvores no barranco para tentar evitar que o desmoronamento do barraco. Mesmo plantando grama e taioba (planta herbácea de folhas largas e azuladas, cultivada como alimento) no barranco próximo à erosão não há como conter o desmoronamento do barraco. Segundo Brito, é importante evitar que a água escorra em direção ao buraco erosivo, colocando-se canaletas que desviem do local.
A erosão do Parque Jaraguá tem aproximadamente nove metros de profundidade e 70 metros de largura.
A residência do servente Antônio Manoel, 24 anos, está próxima à erosão e ele já plantou grama no barranco e também espalhou concreto em um trecho do quintal para tentar evitar que a erosão chegue mais perto de sua casa. "Jogamos também um pouco de terra para combater a erosão e esperamos que não chova muito para não termos problemas", disse.
As famílias que moram no local não têm para onde ir e nem todos estão empregados. É exatamente o desemprego e a baixa renda que levam as pessoas a procurar moradias em locais de risco, geralmente mais baratas, para se livrarem do aluguel. As famílias montam barracos ao invés de construir casas, porque custa mais barato, uma vez que a madeira pode ser encontrada em alguns terrenos baldios e no lixão. O Brasil, como foi demonstrado em uma pesquisa da Unicamp, é o terceiro País do mundo em maior número de desempregados. Manoel relata que ele e várias famílias do bairro já ouviram falar que a Prefeitura iria tirá-los de lá, para colocá-los num núcleo habitacional.
"O ideal seria ter um programa que erradicasse os barracos existentes nessa área de risco", finaliza Brito.