Cetesb confirma: algas provocaram mau cheiro
Texto: Adriana Rota
A Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental (Cetesb) divulgou ontem o resultado do laudo de análise da água do rio Tietê elaborado para verificação da causa do mau cheiro sentido nas cidades de Bauru, Barra Bonita e Igaraçu na quinta-feira passada: como já era esperado, a decomposição de grande quantidade de algas azuis.
Denominadas cianofíceas, do grupo anabaena, elas teriam encontrado um ambiente propício para a proliferação exagerada: estiagem (provavelmente, nos meses de outubro e novembro), temperatura elevada, Ph entre 6 e 9 e quantidade grande de nutrientes, principalmente esgoto doméstico.
O mau cheiro foi resultado da morte destas algas azuis, no momento em que passavam dos reservatórios de Barra Bonita para o rio Tietê. Uma substância com odor de mofo foi produzida na ocasião. De acordo com o gerente da agência ambiental de Bauru da Cetesb, Rogério Chini, no rio normalmente é possível sentir o cheiro característico, mas para atingir as cidades é preciso que estejam em grandes quantidades.
"Não posso dizer que é normal; o normal seria não se proliferar dessa forma. Eu diria que aquele odor não foi ocorrência de uma fonte de poluição pontual, como de uma indústria", tranqüilizou. Ele reiterou que o cheiro não é prejudicial à saúde, mas a água onde elas vivem não deve ser consumida.
Sobre a possibilidade de ocorrer novamente, Chini preferiu não arriscar uma negativa. "Acredito que o excesso já deve ter saído com as fortes chuvas, mas não posso garantir. Há 25 anos estou na Cetesb e pela primeira vez vi isso acontecer", disse. A forte névoa que cobria o céu da região no dia do fato colaborou para impedir a dissipação do mau cheiro.