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Proibição de nu

Tânia Fonseca
| Tempo de leitura: 3 min

Justiça proíbe nu divulgando festa em Botucatu

Texto:Tânia Fonseca

A suposta alusão de uma enfermeira nua em material divulgando festa de estudante de Medicina da Unesp fez Coren ir à Justiça

A Justiça Federal determinou ontem através de uma liminar, que os organizadores da festa "Noite do Intrometeu" retirassem todo material publicitário divulgando o evento programado para acontecer ontem à noite, numa boate de Botucatu. Cartazes e outdoors traziam a foto de uma mulher nua, numa susposta alusão à imagem da enfermeira. A decisão judicial foi baseada em Ação Cautelar proposta pelo Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (Coren-SP) que, além de pedir a suspensão da festa pedia também a retirada de todo material publicitário envolvendo a imagem da enfermeira.

O Coren-SP, uma autarquia federal, acionou a Justiça anteontem após tomar conhecimento que a Associação dos Médicos Residentes de Botucatu (AMRB), estava organizando a "Noite do Intrometeu" e para tanto estava divulgando o evento, já há alguns dias, utilizando-se de outdoors e cartazes onde aparecia a foto de uma mulher nua, cobrindo com as mãos sua genitália e, tendo como única indumentária, um tipo de touca que é tradicionalmente utilizada para identificar as profissionais de Enfermagem.

Considerando que a imagem da propaganda era ofensiva e desrespeitosa, o Coren acionou a Justiça Federal, em Bauru, que, através da juíza Elídia Aparecida de Andrade Correa, concedeu liminar parcial, onde não proibiu a realização da festa mas determinou que os organizadores se abstivessem de utilizar a imagem da enfermeira nua na divulgação do evento.

Na tarde de ontem, ninguém da comissão organizadora da festa foi encontrado pela reportagem para falar sobre o assunto. Na boate onde a festa aconteceria, a informação dos funcionários da casa era a de que os organizadores apenas haviam telefonado confirmando o evento a partir das 23 horas. Um dos funcionários da boate que preferiu não se identificar disse que para evitar atritos, retirou uma faixa anunciando a festa, que estava colocada no estabelecimento.

Na decisão proferida ontem, a juíza determinou que a medida judicial fosse comunicada com a devida urgêngia

à entidade organizadora da festa e também à Delegacia de Polícia de Botucatu para que esta reprimisse eventual desobediência.

Nota de repúdio

Para o Coren-SP, a atitude dos estudantes de Medicina da Unesp foi um desrespeito aos profissionais de Enfermagem. Em nota de repúdio divulgada pela autarquia ontem, esta considerou que "Lamentavelmente as profissionais de Enfermagem que atuam em Botucatu e municípios vizinhos estão vivendo esta situação constrangedora...E ainda que nos seja alegado que a associação da imagem da profissional a uma mulher de 'vida fácil' não passou de mera brincadeira, sem intenção de ofender, queremos deixar expresso que tal 'brincadeira' jamais encontrará ecos e risos...".

Liminar

Na decisão proferida ontem, a juíza federal considera que "é evidente que a propaganda de uma festa com indicações de práticas sexuais, onde se coloca como chamariz uma mulher nua, usando apenas uma touca relativa

à profissão de enfermeira, faz com que haja uma ligação indevida entre a promiscuidade, com a figura da profissional da área...". A decisão considerou ainda que além da afronta à imagem da profissional, há também um cultivo ao preconceito, fazendo com que essas profissionais sejam confundidas com a mulher nua evidenciada.

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