Geral

Aumento salarial

Josefa Cunha
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Nilson anuncia aumento de 6% para servidores

Texto: Josefa Cunha

O prefeito Nilson Costa (PPS), acompanhado de vários secretários municipais, anunciou na tarde de ontem um reajuste salarial de 6% para os servidores, extensivo aos inativos e pensionistas. O aumento passa a vigorar em abril, com pagamento a partir de 1.º de maio, Dia do Trabalhador. A notícia do Palácio das Cerejeiras ocorreu, coincidentemente, pouco antes de o Sindicato dos Servidores Municipais (Sinserm) abrir assembléia para deflagrar a campanha salarial da categoria, que, sem saber das

"boas novas", decidiu reivindicar, nada mais nada menos, que 70% de aumento.

O prefeito negou ter agido propositadamente ao oficializar o percentual de reajuste no mesmo dia em que o sindicato lançou a campanha.

"Foi uma coincidência. De maneira alguma, tivemos a intenção de desvalorizar o trabalho da entidade. A possibilidade de melhorar os salários vinha sendo discutida há meses, mas só no dia de hoje (ontem) pudemos acenar efetivamente nesse sentido", garantiu o chefe do Executivo.

Embora prevendo uma saraivada de críticas em conseqüência do baixo índice concedido, Nilson afirmou que a situação financeira do município não permite melhorias além. Mesmo que o caixa permitisse, a Prefeitura estaria legalmente impedida de exceder muito mais no percentual. Os 6% representarão um acréscimo anual de R$ 3,375 milhões nas despesas com a folha, que saltará de R$ 59 milhões para perto de R$ 68 milhões. Esse montante já quase alcança 60% dos R$ 114 milhões previstos para o Orçamento 2000, ou seja, bem próximo de atingir o teto fixado pela Lei Camata, a qual limita os gastos com o funcionalismo municipal e estadual em 60% da receita orçamentária.

Impossibilidades financeira e legal à parte, não dá para negar que o índice concedido aos servidores de Bauru está muito aquém do desejável, ainda que figure na média conquistada por outros profissionais. A categoria, que soma perto de cinco mil trabalhadores, está desde o início de 1997 sem aumento. O último reajuste, na ordem de 9%, foi dado por Antonio Izzo Filho como antecipação de uma promessa de campanha - ele havia "assumido" o compromisso de elevar os salários em 100%. Daquele ano para cá, estima-se um acúmulo inflacionário de 20%, o que vale dizer que o servidores sequer chegaram perto da reposição ideal.

Pela disposição e capacidade financeira, a administração parece ter colocado um ponto final na questão salário com o anúncio de ontem à tarde. O titular de Finanças, Raul Gomes Duarte Neto, deixou claro que não há qualquer possibilidade de avançar no índice, bem como descartou o reajuste no valor dos vales-compras, outra reivindicação do Sinserm. Além dos 70% para os salários, a categoria solicita R$ 160,00 de tíquete-alimentação

- 60% a mais do que os R$ 99,99 atuais.

Para demonstrar que a situação dos funcionários municipais de Bauru não é muito diferente em outras cidades médias do Estado, Duarte Neto lançou mão de dados comparativos. Citou, por exemplo, os pisos das Prefeituras de Araraquara (R$ 251,00), Presidente Prudente (R$ 307,00) e Lins

(R$ 229,15), lembrando que o piso em Bauru passará a R$ 247,66, mais os R$ 99,99 de vale-alimentação.

O Sindicato dos Servidores não aceita embutir como salário o valor do tíquete, razão pela qual reivindica reajustes separados para ambos. Em assembléia realiza no final da tarde de ontem, a entidade retirou junto à categoria que o piso em Bauru deve ser de R$ 396,10. Para estabelecer tal valor, o Sinserm recorreu ao mesmo comparativo de salários divulgado pela Prefeitura. A entidade, porém, garante que os pisos citados pelo secretário das Finanças não computam os valores dos tíquetes-alimentação.

"O piso em Presidente Prudente é de R$ 355,01, em Araraquara, de R$ 311,00, em Itatiba, de R$ 441,00. Essas quantias não incluem abonos ou outros tipos de benefício extra. São salários mesmo", reforçou Idelma Corral, presidente do Sinserm.

Para a sindicalista, o índice de reajuste anunciado por Nilson Costa nem de longe atende às necessidades básicas dos trabalhadores. Corral, aliás, pouco quis comentar a respeito do aumento já oficializado. "Esses 6% são independentes da pauta de reivindicação, até porque não abriremos mão de negociar percentuais melhores e mais condizentes com a realidade da categoria. Tudo que o prefeito nos prometeu no ano passado, aliás, será cobrado a partir de agora", avisou.

Além da questão financeira, o Sinserm exige a instituição da data-base para a categoria. Na campanha de 1999, a Prefeitura assumiu o compromisso de enviar projeto à Câmara para implementar a data-base em 1.º março, mas nenhuma providência nesse sentido foi tomada até o momento. Questionado a respeito na tarde de ontem, Nilson Costa disse que atenderá a solicitação numa segunda e breve etapa.

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