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Medicamentos genéricos

Por Fabiana Teófilo | Gustavo Cân
| Tempo de leitura: 8 min

Três medicamentos genéricos já estão à venda em Bauru

Texto: Fabiana Teófilo

Ampicilina, Ranitidina e Cefalexina são os três medicamentos genéricos que já podem ser encontrados nas drogarias Droga Raia, Farmais e Drogasil em Bauru. Os remédios são vendidos por um preço inferior aos similares de marca. A explicação dada para a diferença do preço

é o investimento que os laboratórios de remédios com nome fantasia fazem em publicidade.

O Ranitidina, medicamento indicado para doenças do estômago, por exemplo, tem uma diferença de R$ 13,49 mais barato que o seu equivalente Antak (veja tabela). A Ampicilina e a Cefalexina são antibióticos similares ao Binotal e ao Keflex, respectivamente. Os três são produzidos pelo laboratório EMS, localizado em Hortolândia (SP).

Para a médica gastroenterologista e secretária municipal de Saúde Eliane Fetter Telles Nunes, não há problemas em utilizar os remédios genéricos desde que os laboratórios fabricantes estejam de acordo com os requisitos exigidos pelo Ministério da Saúde. "Eu receitaria o genérico se conhecesse o laboratório e soubesse que é fiel", afirmou.

A médica alertou para o perigo dos laboratórios

"de fundo de quintal" e disse que é preciso estar atento para os medicamentos fabricados por laboratórios desconhecidos, para que o consumidor não passe a comprar remédio sem qualidade e sem o efeito previsto. "O laboratório que fabrica os genéricos tem que fazer os mesmos teste de bioequivalência de um laboratório comum. Tem que preencher uma série de requisitos", afirmou.

Eliane disse, ainda, não conhecer o laboratório EMS e por isso não sabe se os medicamentos colocados à venda são os genéricos ou se apenas estão usando o nome do princípio ativo como comercialização.

"Esse laboratório pode estar de acordo com o Ministério da Saúde e ser um ótimo fabricante, mas não conheço. Ele não faz propaganda para os médicos", contou.

A médica alerta o consumidor para que esteja atento à embalagem do produto, para verificar se existe o certificado do Ministério da Saúde para a comercialização do medicamento. Eliane explicou sobre a obrigatoriedade da apresentação da receita médica no ato da compra de medicamento genérico.

"Os genéricos também exigem a prescrição medica para a compra. Segue a mesma lei estabelecida para os outros medicamentos. A receita deve ser exigida, principalmente para antibióticos e medicamentos de tarjas preta e vermelha", explicou.

Descontos para aposentados

Os aposentados podem ganhar descontos de até 12% nas drogarias que estão comercializando os medicamentos genéricos. A Droga Raia, Drogasil e Farmais oferecem os cartões dos estabelecimentos para que o consumidor obtenha o desconto.

Para os aposentados que não têm os cartões das drogarias há outros descontos. Na Droga Raia, o Plus Card oferece 10% de desconto e para aposentados que não possuem nenhum tipo de cartão o desconto oferecido é de 5%. Os cheques pré-datados podem ser para até 30 dias.

Na Farmais, o desconto para aposentados que não possuem o cartão é de 10%. Para compras com cartão de crédito, o desconto é de 8% e cheques pré-datados não dão direito a descontos. Os cartões são gratuitos e podem ser adquiridos nas drogarias com o preenchimento de uma ficha e a apresentação de um documento. Genérico Preço Fantasia Preço Diferença

Cefalexina R$ 11,71 Keflex R$ 18,37 R$ 6,66

Ampicilina R$ 9,65 Binotal R$ 13,80 R$ 4,15

Ranitidina R$ 10,71 Antak R$ 24,20 R$ 13,49

Genéricos são discutidos em Bauru

Texto: Gustavo Cândido/Adriana Rota

O Superintendente do Laboratório Teuto Brasileiro, Jailton Batista, esteve em Bauru no sábado passado para fazer uma palestra e debater com profissionais da saúde e da área de medicamentos, um tema polêmico: os genéricos. O laboratório, que fica em Goiás, teve três medicamentos (de um total de seis escolhidos pelo Ministério da Saúde) aprovados para ir ao mercado como genéricos.

Batista e outros palestrantes expuseram vários temas sobre os genéricos, como as mudanças na legislação, o comportamento do mercado após a aprovação da lei dos medicamentos genéricos, os aspectos técnicos dos genéricos em relação à bioequivalência e biodisponibilidade e as leis da vigilância sanitária. Ele concedeu uma entrevista ao Jornal Cidade sobre o assunto.

Jornal da Cidade - O senhor pode explicar essa questão polêmica dos medicamentos genéricos?

Jailton Batista - Essa sempre foi uma questão polêmica. Há alguns dias atrás o ministério da saúde divulgou uma lista com seis produtos genéricos que inicialmente vão entrar no mercado, três destes produtos são do nosso laboratório. Nós nos antecipamos há muito tempo a preparação para fazermos medicamentos genéricos, sempre discutimos essa questão, divulgamos o dicionário dos medicamentos, fizemos campanhas junto a população para que ela tivesse a condição de se beneficiar na questão do custo dos medicamentos. O Brasil precisa entrar num clima de primeiro mundo, onde os genéricos têm uma presença muito grande nos receituários médicos, cerca de 40 a 50%, enquanto aqui no Brasil esse número é de 6%. A população acaba tendo um gasto muito grande com medicamento porque não tem informação.

JC - Em quanto os genéricos deixariam os preços dos remédios mais baixos?

Batista - O genérico pode representar de 40 a 50% no custo da terapias, essa redução decorre de alguns fatores como: a falta de necessidade de se propagar a marca do produtos e isso recai do custo, depois, as empresas que mais produzem medicamentos genéricos no Brasil são, por enquanto, empresas nacionais, que têm suas planilhas de custo em Real e não em Dólar e não precisam mandar divisas para o exterior. Outro fator é que os remédios de marca têm uma reserva técnica do ponto de vista da prescrição, uma vez que o médico prescreve um medicamento, o consumidor não tem alternativa, só pode comprar aquela marca. O genérico veio para o Brasil, para aumentar a competição, primeiro quebrando o monopólio da marca, o que já vai reduzir muito o preço dos remédios. Os do nosso laboratório são 40 ou 50% mais baratos do que os produtos de marca.

JC - Os genéricos são fundamentais no Brasil?

Batista - É muito importante que os hospitais e a comunidade médica se conscientizem que precisam viabilizar esse tipo de medicamento para a população que hoje, muitas vezes, não conclui a terapia porque não tem dinheiro. Nós temos 30 milhões de pessoas no Brasil que não são consumidoras de remédios porque não têm dinheiro e mais 27 milhões de consumidores precários, que compram só parte da receita que o médico prescreve. Como o governo não garante os medicamentos nos postos de saúde e nem sempre se pode encontrar o que precisa, a população acaba se reinternando nos hospitais o que gera um custo ainda maior para o governo. Estima-se que cerca de 10% das pessoas internadas no Brasil estejam nos hospitais só para garantir a alimentação e os medicamentos, uma vez que fora dos hospitais não poderiam comprar seus medicamentos. Além disso as empresas de medicina de grupo ainda não garantem a medicação, o que é uma miopia do sistema brasileiro que encara o medicamento como uma coisa fora da terapia e só garantem a medicação no hospital. Tudo isso só causa um descompasso geral. O sistema de saúde no Brasil não será completo se não tiver uma política sobre medicamentos genéricos. Ou seja, o paciente precisa concluir o seu tratamento. Nós temos sentido que hospitais, médicos e todos, estão engajados para que a lei dos medicamentos genéricos "pegue" e que haja uma grande quantidade desses produtos no País porque vai atenuar muito os custos para a população e os hospitais, que gastam hoje 16% de seu orçamento como medicamentos. Com os genéricos esse valor cairia para 9%.

JC - E a qualidade dos medicamentos genéricos?

Batista - Nesse momento existe um desvio na discussão sobre os medicamentos sobre a qualidade dom produto. Os medicamentos genéricos hoje tem a qualidade atestada porque passaram por uma série de exames antes de poderem entrar no mercado enquanto os outros ainda não passaram. Só se torna genérico o medicamento que passa por um rigoroso teste, uma rigorosa documentação. A população pode consumir os medicamentos genéricos que estão sendo divulgados com toda a segurança porque eles têm a sua eficácia comprovada pelo Ministério da Saúde, duas vezes. Primeiro porque já eram medicamentos aprovados, depois porque para se tornarem genéricos eles foram reconfirmados como produtos equivalentes terapeuticamente.

JC - Muitos médicos têm demonstrado receio em relação aos genéricos por dúvidas quanto à fiscalização, uma possível falsificação ou ação clandestina...

Batista - Não é a marca que garante se o produto é bom ou não. Se fosse assim os consumidores da Bélgica não teriam sofrido um problema de intoxicação tomando Coca-cola, que é uma marca muito forte.

JC - Esse receio é infundado, então?

Batista - É infundado, o maior escândalo envolvendo um produto no Brasil, infelizmente envolveu um produto com marca, que foi aquela pílula de farinha. Não quer dizer que se tem uma marca ou não o produto vai ser diferente. O produto tem que ser bom sendo genérico ou não, não é o fato de você colocar um nome-fantasia na caixa do produto que vai assegurar a sua qualidade ou garantir que ele não vai ser falsificado ou fraudado. O médico

é quem tem que conhecer bem os fornecedores, os fabricantes e prescrever um produtos no qual ele tenha segurança. As farmácias brasileiras não estão aceitando trabalhar com laboratórios que apresentem uma mínima suspeita de não serem eficazes. Essa história de questionar a qualidade é só para desviar da questão principal do custo. A Abifarma fez uma campanha onerosa o ano passado para desmoralizar os genéricos no Brasil mas não conseguiu.

JC - E se o paciente pedir para o seu médico um outro remédio e ele se recusar? Ele muda de médico?

Batista - É por isso que os médicos têm que se conscientizar. Se o médico der uma receita e na farmácia houver um medicamento genérico equivalente, o farmacêutico está autorizado a fazer essa troca.

Serviço

Quem quiser saber mais sobre medicamentos genéricos pode ligar gratuitamente para o número 0800-622004.

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