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Privatização

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

Mais 60 funcionários da Cesp-Bauru são transferidos para Prudente

Texto: Patrícia Zamboni

Mais cerca de 60 funcionários da (antiga) Cesp de Bauru estão sendo transferidos para Presidente Prudente em função da privatização da empresa. A informação

é do diretor do Sindicato dos Eletricitários (Sinergia-CUT), Jesus Garcia. Segundo ele, são funcionários dos departamentos jurídico - que já teve uma parte transferida

- e de patrimônio. De acordo com Garcia, o Sindicato conseguiu garantir aos funcionários os direitos que constam do acordo coletivo feito pela Cesp, que é válido até 2001. Segundo Jesus Garcia, até agora o processo de privatização da Cesp já dividiu a empresa em quatro: a Electro, responsável por toda a parte de distribuição de energia (compreendendo as regiões de Andradina, Votuporanga, Rio Claro, litoral, entre outras); Cesp-Paraná (G1), que cuida da geração de energia; Cesp-Tietê (G2) - a última a ser privatizada

- e Cesp-Paranapanema (G3). Em Bauru, os setores jurídico e de patrimônio estavam funcionando como parte da Cesp-Paraná, e segundo Garcia, a transferência desses departamentos para Presidente foi negociada pelo prefeito daquela cidade, Mauro Bragato.

"Assim que nós tomamos conhecimento dessa negociação, nós entramos em ação e convocamos a realização de mesa-redonda no Tribunal do Trabalho pedindo a garantia do acordo coletivo, as conquistas históricas dos trabalhadores", diz Garcia. Ao final de todo esse processo, o Sinergia conseguiu diversos benefícios aos funcionários que estão sendo transferidos.

Uma delas é a garantia do pagamento das despesas de viagem desses trabalhadores durante oito meses. "No início a empresa disse que ia pagar somente durante um mês, a título de transferência. Nós pedimos um ano e acabamos fechando em oito meses", informa o presidente do Sinergia. O percentual de transferência ficou em 25% do salário desses funcionários. A estadia em Presidente Prudente está garantida durante um mês, até o trabalhador estabelecer moradia.

Segundo Garcia, a empresa também se comprometeu a designar um fiador para o funcionário que for fixar residência naquela cidade (para compra ou locação). Para os representantes sindicais e da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa), o Sindicato conseguiu a garantia de estabilidade plena; a empresa também se comprometeu a garantir o transporte dos empregados de uma cidade para outra durante oito meses, às segunda e sextas-feiras; entre outros benefícios. "Essa foi a proposta deliberada após as negociações feitas entre empresa e Sindicato, e nós estaremos acompanhando todo o processo de transferência. Se acontecer alguma coisa que esteja fora do acordo, nós vamos cobrar da empresa", afirma Jesus Garcia.

Garcia faz questão de ressaltar que o acordo coletivo dos funcionários da Cesp-Bauru é válido até o ano 2001, mas que os trabalhadores não estão totalmente seguros porque quando a Cesp-Paraná for privatizada haverá outra série de reestruturações. "Apesar de mudar para Prudente, a G1 está na lista de privatizações. Quando mudar o patrão, vai haver uma nova política de reestruturação, e novas mudanças virão", diz o diretor do Sinergia-CUT de Bauru.

Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa da Cesp, em São Paulo, informou que a diretoria da empresa considera a transferência dos funcionários normal dentro do processo de privatização. Segundo a assessoria, não seria coerente manter funcionários morando em Bauru e viajando para Presidente Prudente para trabalhar, já que não está sendo desenvolvida mais nenhuma atividade exercida por essas pessoas em Bauru. A assessoria reforça ainda que tudo foi feito em acordo com os funcionários, através do sindicato da categoria, e que nenhum problema ocorreu durante as negociações.

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