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Redação
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Dia histórico na vida de cidade centenária

B. Requena é editor de Internacional do Jornal da Cidade

A data de hoje registra dois acontecimentos de grande importância para a cidade. Estando eu envolvido em boa parte da vida nestes fatos, não poderia deixar de registrar os meus modestos comentários, não por esta citada participação individual nos capítulos da história, mas por vibrar com as pessoas, com os feitos e com as conquistas. Em ver projetos se concretizando, em ver idéias ultrapassando sonhos e se realizando com mais êxito do que o que inicialmente fora planejado.

Estas palavras servem para para os dois acontecimentos. O primeiro deles é ver o Jornal da Cidade, na data de hoje, chegar ao seu 10.000.º exemplar. E o segundo é ver o Lar Escola Rafael Maurício entregando sua moderna sede própria a tantas crianças especiais e carentes. Esta coincidência, neste início do ano 2000, não deixa de ser bastante auspiciosa.

Longos 32 anos e sete meses se passaram desde que o grupo, capitaneado pelo empresário Alcides Franciscato, decidiu presentear Bauru e esta região central do Estado de São Paulo com uma imprensa sadia, que evoluísse com o passar do tempo e que içasse, nesta Capital da Terra Branca, a bandeira do jornalismo na melhor expressão do termo. E o número 1 do JC saiu da pequenina, demorada e antiga impressora semimanual, no dia 1.º de agosto de 1967. Sem deixar de lado a realidade nua e crua dos acontecimentos locais, nacionais e internacionais, desde então, foram principalmente dez mil mensagens diárias de otimismo, progresso e cultura. Hoje, com um parque gráfico dos mais modernos do mundo e uma equipe jovem em seu feitio, o jornal está transformado numa universidade para o público leitor de ampla área do Estado e num laboratório de evolução contemporânea.

De outra parte, transcorreu mais de uma década desde que o presidente do Lar Escola, Nilson Costa, reuniu um punhado de diretores nas terras doadas pela família do Carlito boiadeiro, ao lado da Vila São Paulo, apontando com o indicador o que poderia ser construído aqui e ali. Tudo era naquele instante puro sonho. De concreto, naquele momento, foi que saímos dali com as barras da calça e as meias cheias de carrapicho. Entretanto, naquele grupo de homens não havia um que não acreditasse que um dia as crianças da entidade desfrutariam de um local muito digno para sua morada, para seus estudos, para receber atenção terapêutica em várias especialidades. Que o ideal de dona Maria Silva, a "Mãe do Lar", se perpetuasse.

O capitão da empreitada, desde então, não deixou de trabalhar um único dia em favor da obra. Nem deixou que seus circunstantes parassem. Quem não estava adaptado a pedir, a cobrar, acostumou-se a tal. Era fácil, bastava lembrar das crianças, por exemplo, do garotinho que passou por inúmeras cirurgias para poder andar... com aparelho. O grupo realizou trabalhos humildes. Foi organizado estacionamento de carro durante bailes na Luso. Desde o presidente do Lar até o diretor da área menos importante e alguns jovens internos participavam de todas essas missões. Entre eles, hoje lembramos do inesquecível Valzinho e o nosso querido Nadyr Serra, Maurício Affonso, Bonora e outros. Vendemos água mineral na Expo-Bauru, realizamos leilões, jantares, vendemos livros. As voluntárias, incansáveis, fizeram inúmeros bazares de artesanato pela cidade. Os clubes de serviço sempre estiveram dispostos a colaborar. Foram registradas contribuições significativas, como as famílias que construíram as residências no anonimato, mas que hoje serão homenageadas através de seus patriarcas, hoje vivos ou em homenagem póstuma, como Itália e Ângelo Franciscato, Carmen Carrijo Coube e João B. Martins Coube, e Ruth P. Quaggio e Alexandre Quaggio.

Mas as crianças também receberam contribuições modestas da coletividade. Costumávamos ouvir nosso líder dizer: "Nada é desprezado. Se ganharmos um único limão, será feita uma limonada". Na tarde de hoje, os visitantes que nos brindarem com a presença (toda a comunidade bauruense está convidada, às 17 h) irão conhecer um trabalho desenvolvido ao longo de 11 anos com a maior seriedade. O complexo a ser entregue é um monumento que o seu idealizador dedica às crianças especiais. E o visitante poderá ver, também, o que é possível erguer num campo de carrapicho quando os propósitos são sérios e nobres.

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