DIG/Garra apreende milhares de raspadinhas clandestinas
Texto: Fabiana Teófilo
Milhares de raspadinhas, um jogo considerado de azar, foram apreendidas na noite de quinta-feira, no Jardim América, pelo delegado titular da Delegacia de Investigações Gerais/Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (DIG/Garra), J.J. Cardia. A apreensão foi realizada na gráfica onde estavam sendo impressas as raspadinhas. Um xerox autenticado de uma autorização do Ministério da Justiça para a impressão do material foi encontrado na gráfica, mas, segundo o delegado a autorização não diz respeito à impressão da raspadinha e sim a uma cartela de prêmios concorridos pela loteria federal.
Após a apreensão, foi realizada uma investigação que levou à dois locais no Jardim América, onde foram encontradas as cartelas e propagandas na Super Trinca 2000, nome dado ao referido jogo de azar. Segundo o delegado Cardia, o Ministério da Justiça havia autorizado um sorteio pela loteria federal por ano para o Asilo de Mendicidade São Vicente de Paula de Capão Bonito. "A autorização era para sorteio de prêmio e não para raspadinha", disse.
O proprietário do escritório onde foram encontradas as raspadinhas, A.O.S.R. (o nome não foi divulgado para assegurar as investigações), segundo Cardia, usava a autorização para fraudar o Ministério da Justiça. Em outra residência também no Jardim América, foram encontradas mais cartelas da Super Trinca 2000, sendo que as premiadas estavam separadas em pacotes individuais que indicavam o prêmio contido em cada uma. "A.O.S.R. manuseava as premiações da maneira como lhe convinha", afirmou o delegado.
Cardia disse que esse crime é classificado como estelionato e a pena pode ser de um a cinco anos de prisão. "O material apreendido será encaminhado à perícia e deverá ser indiciado o inquérito policial", afirmou.
O delegado fez um alerta à população: "Não somente jogos de loterias, mas qualquer tipo de compra deve ser feita em estabelecimentos credenciados para evitar problemas", afirmou. Ele disse, ainda, que as pessoas que compraram cartelas da Super Trinca 2000 podem comparecer na DIG/Garra para a elaboração do Boletim de Ocorrência. Cada cartela estava sendo vendida
à R$ 2,00 e esse comércio ilegal vinha sendo praticado a um pouco mais de um mês por vendedores ambulantes.
Quase mil cartelas apreendidas estavam premiadas com espremedores, ferros elétricos, ventiladores, isqueiros, sanduicheiras, dominós, rádios-relógios, canetas, microondas, bicicletas, televisores, bolas, motos, carros e prêmios em dinheiro. Segundo Cardia, esses prêmios não foram encontrados e há uma suspeita de que os objetos não existam.
Em relação ao proprietário da gráfica onde estavam sendo impressas as cartelas, o delegado afirmou que não existe um envolvimento já que ele realizou o trabalho mediante a apresentação da autorização do Ministério da Justiça. "Ele exigiu uma documentação para realizar o trabalho e colaborou com a polícia informando todos os detalhes", explicou.
O JC tentou fazer contato com o Asilo de Mendicidade São Vicente de Paula de Capão Bonito, mas o telefone estava temporariamente fora de serviço.