Abertura de postos de trabalho gera investimentos em Bauru
Texto: Patrícia Zamboni
A instalação de sedes regionais de grandes companhias em Bauru não significa apenas agilidade no trabalho interno e benefícios para os usuários dos serviços prestados por essas empresas. Os grandes reflexos dessa concentração e da abertura de novos postos de trabalho encontram-se em um âmbito maior, e trazem benefícios para o município em diversos desdobramentos. Isso pode ser claramente observado através da movimentação gerada com a instalação da Diretoria Regional de São Paulo - Interior (DR/SPI) da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), da superintendência regional da Telefonica e do Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo-Interior/Bauru
(Deinter IV), da Polícia Civil, que passou a coordenar 11 delegacias seccionais e 143 municípios. Para se ter uma idéia desse panorama, basta saber que houve um aquecimento em torno de 40% no mercado imobiliário da cidade - contando com a chegada de estudantes neste início de ano - decorrente da vinda de pessoas que saem de outras cidades para trabalhar nessas empresas aqui em Bauru. A informação é de Giasone Albuquerque Cândia, delegado do Conselho Regional dos Corretores de Imóveis (Creci).
De acordo com Vitor Joppert, diretor da DR/SPI, desde que Bauru passou a centralizar as atividades dos Correios em todo o Interior do Estado de São Paulo - em outubro do ano passado -, foram contratados 96 funcionários que vieram de agências dos Correios instaladas em outras cidades para trabalhar aqui. Segundo Joppert, o número esperado para ser atingido nessa primeira etapa de contratações era de 233 pessoas.
"Não foi possível chegar a esse número porque as transferências não são forçadas. O recrutamento é feito de acordo com as normas da empresa e o empregado vem se quiser. Se ele optar por continuar na cidade em que está, nós partimos para outras contratações. Não preenchendo todas essas vagas, nós passamos para realização de concursos públicos. Já foram realizados dois, um para assistente administrativo e outro para auxiliar administrativo, enfermeiro, engenheiro de segurança, médico do trabalho (estes ainda serão contratados), entre outros", informa Vitor Joppert.
De acordo com o diretor da DR/SPI de Bauru, na semana passada foram contratados 40 auxiliares administrativos, mas este número ainda vai aumentar. Além disso, também estão sendo contratadas 138 pessoas para o setor de mão-de-obra alternativa. Segundo Joppert, são deficientes físicos, menores de idade e estudantes que serão estagiários remunerados da empresa. "Vamos disparar essas contratações a partir desse mês", afirma Joppert. Este é um dos grandes reflexos que ocorrem na cidade, já que todas essas vagas serão preenchidas com pessoas de Bauru. Segundo informa Vitor Joppert, serão firmados convênios com as universidades da cidade para a contratação dos estudantes que farão estágio na ECT.
Todos os funcionários que vêm para Bauru transferidos de outras cidades, recebem uma ajuda de custo da empresa equivalente a um salário para as despesas iniciais, como pagamento de aluguel. Num segundo momento o reflexo será sentido no setor hoteleiro e, como já foi dito, no mercado imobiliário. De início, geralmente os profissionais que vêm de outras cidades se hospedam em hotéis, até encontrarem uma casa ou apartamento que irão alugar ou comprar para fixar residência na cidade.
Vitor Joppert lembra que existem, ainda, os empregos gerados através dos investimentos que estão sendo feitos com reformas no prédio central dos Correios e a injeção de dinheiro em diversos segmentos do comércio advinda da compra de móveis, equipamentos, veículos, entre outros. Isso sem falar no setor de alimentação. Até o momento, a DR/SPI de Bauru está empregando, diretamente, 184 funcionários. No total, essa regional dos Correios administra cerca de 9.200 funcionários, 574 agências, 114 CDDs (Centro de Distribuição Domiciliar) e 9 centros de operações integradas espalhados pelo Estado de São Paulo.
Empresas movimentam setor hoteleiro
A Telefonica também está movimentando a cidade com a instalação da superintendência regional, responsável pelos setores de manutenção e operação de aproximadamente 95% da área de concessão da empresa e de quase 80% do território do Estado de São Paulo.
De acordo com informações da assessoria de imprensa da empresa, após a vinda da superintendência regional, que foi transferida de São José do Rio Preto para cá em janeiro deste ano, já foram contratados mais 24 novos funcionários para trabalhar nessa sede. A previsão
é de efetivar a contratação de mais 70 pessoas até junho. Segundo a assessoria, ainda serão gerados novos empregos indiretos, voltados a moradores de Bauru.
De acordo com o titular da superintendência, Márcio Camargo Penteado, Bauru se tornou a única cidade do Interior a possuir uma superintendência da Telefonica. As demais estão situadas na cidade de São Paulo e envolvem também a baixada santista.
Os reflexos no setor hoteleiro estão sendo totalmente satisfatórios. Sílvio Osni Bianconcini, proprietário de um hotel em Bauru, diz que desde setembro seu estabelecimento está registrando um grande aumento no número de reservas devido
à chegada de pessoas que vêm de outros locais para trabalhar nessas e em outras empresas. Seu cliente mais fiel, segundo Bianconcini, tem sido a Telefonica. A vinda de novos contratados para trabalhar na superintendência regional e de executivos que vêm constantemente a Bauru para reuniões na empresa, já gerou um aumento de 10% a 20% no movimento do hotel.
Em outra rede hoteleira da cidade, a movimentação gerada por essas empresas já resultou num início de ano totalmente atípico em termos de número de hóspedes. De acordo com o gerente do referido hotel, Gilles Grimberg, a procura está surpreendendo e superando a previsão que havia sido feita para essa época do ano. No momento o hotel está com um movimento 16% acima do esperado, segundo o gerente. "A procura aumentou muito em relação ao ano passado. Superamos todas as nossas previsões e estamos com uma movimentação surpreendente neste início de ano", diz Grimberg.
Deinter
A instalação do Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo-Interior/Bauru, o Deinter IV, também está gerando empregos e "engordando" a arrecadação do município. De acordo com o diretor do Deinter IV, Anivaldo Registro, esse departamento instalado em Bauru abrange as ex-delegacias regionais de Marília e de Presidente Prudente. No total são 11 delegacias seccionais e a Polícia Civil de 143 municípios que são administradas por Bauru.
"Antigamente, grande parte do expediente era resolvido em São Paulo. Hoje, a maioria dos casos de toda essa região são resolvidos pela própria diretoria do Deinter IV, que tem contato direto com o delegado geral que é o comdandante da Polícia Civil. Então, nós centralizamos aqui toda a movimentação desses 143 municípios", informa Registro.
De acordo com o diretor, as reuniões com delegados, que antes eram sediadas em São Paulo, agora também são realizadas em Bauru. Isso gera movimentação em hotéis e a injeção de dinheiro na cidade, como em casas do setor alimentício, postos de gasolina, entre outros setores.
Além disso, delegados e policiais estão sendo transferidos de outras regiões para trabalhar em Bauru, o que vai ocasionar os reflexos no setor imobiliário, com a locação de imóveis residenciais, entre outras conseqüências.
"Este é, inclusive, o meu caso. Eu aluguei um apartamento para morar aqui em Bauru, e isso está acontecendo com outros policiais que também estão sendo transferidos", comenta Anivaldo Registro.
Segundo o diretor do Deinter IV, além dos policiais que estão sendo transferidos e fixando residência aqui, Bauru também está centralizando a atividade de ensino dos policiais. Atualmente, a região toda abrangida pelo Deinter IV contabiliza mais de 2.500 funcionários. Devem entrar na ativa, nos próximos 30 dias, mais 60 policiais atuando na região.
Comércio pode reverter crise
Para Walace Sampaio, presidente do SinComércio e vice-presidente da Federação do Comércio do Estado de São Paulo, a chegada dessas pessoas em Bauru, com a finalidade de fixar residência aqui, é totalmente positiva para a cidade. Segundo ele, a principal conseqüência disso pode representar a reversão de uma tendência. "Bauru está vivendo um momento de crise em termos de vendas no comércio. Desde o plano real para cá, grande parte da classe média, que trabalha no setor público, não teve seus salários reajustados. Além disso, com as privatizações, como a da Cesp e da Ferrovia, Bauru tem sentido uma redução no número de trabalhadores. Ou seja, nos últimos anos nós tivemos muito fechamento de vagas de trabalho e pessoas saindo da cidade", diz Sampaio.
Ele cita que essas situações interferiram negativamente na cidade, debilitando bastante a economia de Bauru. "Essa
é a primeira vez, desde o plano real, que a crise é mais acentuada em Bauru do que em outras cidades do Estado de São Paulo, em função da perda de poder aquisitivo de uma importante parcela da população e do fechamento de postos de trabalho", afirma Walace Sampaio. Portanto, ele acredita que a vinda dessas pessoas para Bauru pode significar estabilização e uma recuperação desse panorama de crise.