Projeto ensina técnicas de pintura e encaminha para o mercado
Texto: Eva Rodrigues
A união de forças entre pessoas da comunidade, empresas, Polícia Militar e instituições em torno de um projeto vai dar novos ares a escolas de Bauru, além de alguma perspectiva de ganhos extras para quem precisa engordar o orçamento familiar. É o curso de pintura de paredes que teve início no último dia 15, na escola Ayrton Busch, e que pretende lidar com duas frentes: o ensino e o encaminhamento ao mercado de trabalho.
A idéia de ministrar o curso já estava nas intenções do aluno do curso de formação de soldados da Polícia Militar, Valdir Ribeiro Campos, desde que a habilidade adquirida para pintar paredes ajudou a superar um momento de dificuldades financeiras. Com a ajuda da esposa, Sandra Regina Campos, buscava parceiros para concretizar o projeto. "Só conseguimos concretizar o curso com a ajuda de José Clemente Rezende, que resolveu arcar com os recursos financeiros necessários para 10 cursos de 25 dias úteis cada", lembra Sandra.
Cada curso é oferecido a 10 pais de alunos da escola escolhida
- na Ayrton Busch, no Parque Jaraguá, devem ser realizados quatro cursos. "Nós comunicamos a época de inscrição e os pais que se interessam devem procurar a escola. Depois disso, o processo de seleção é feito por uma profissional da Faculdade de Serviço Social da ITE", explica Campos.
Durante o curso os alunos aprendem técnicas de pintura, preparo de massa corrida, de tinta látex, de verniz, trabalho com compressor, texturas, até detalhes de como limpar o ambiente onde o trabalho será executado. A parte prática não somente aprimora o aprendizado como renova o ambiente escolar e consequentemente o clima entre os alunos. "Temos todo o apoio da direção da escola e estamos percebendo que a iniciativa cria um sentimento diferente nas crianças com relação à escola, elas ficam mais próximas, assimilam o sentido de preservação do ambiente e gostam de ver os pais pintando o prédio", observa Sandra.
Finalizado o curso, os técnicos em pintura serão encaminhados à imobiliária Bolsa Imóveis, que se propõe a encaminhá-los ao mercado de trabalho oferecendo a mão-de-obra aos clientes e a outras imobiliárias e construtoras. Nessa fase entra novamente em ação uma assistente social da ITE para fazer um acompanhamento das famílias e avaliar as melhorias obtidas com o curso.
Envolvida com o projeto, Sandra avalia que o fator que impulsiona ela e o marido a acreditar e batalhar por esse tipo de projeto
é fundamentalmente a sensibilidade de quem já viveu dificuldades de inserção na sociedade e hoje percebe que pode fazer algo pela melhoria da comunidade: "É uma sensação muito boa estar envolvida com esse trabalho".