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Caso raro

Redação
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Médicos retiram tumor de 12,8 Kg

Médico que chefiou cirurgia diz que caso é raro; tumor tinha 53 centímetros de comprimento e 35 centímetros de altura

Um tumor de 53 centímetros de comprimento, 35 centímetros de altura e 12,8 quilos foi retirado da comerciante A. M. S., 57 anos, após intervenção cirúrgica realizada no Hospital de Base na última segunda-feira.

De acordo com o cirurgião geral Samir Salmen, 40 anos, que chefiou a cirurgia, o caso é raro. "Em 15 anos de medicina, essa foi a segunda vez que encontrei um tumor desse tamanho", relata o médico.

Segundo depoimentos da paciente, o tumor começou a crescer há dois anos, quando foi notado um aumento exagerado da barriga. Desde então, a comerciante vinha sentindo dores abdominais e nas costas, além de inchaço nas pernas e nos pés.

As dores poderiam ter sido evitadas se A. tivesse consultado um ginecologista. "O tumor teve origem com um cisto de ovário. Nossa suposição, que deverá ser confirmada pela biópsia, é de que o cisto estava associado a um tecofibroma, linhagem de tumor cuja característica

é o crescimento exagerado provocado pelo desequilíbrio hormonal", explica Salmen.

No período em que sentiu dores, A. preferiu recorrer à automedicação. Com "orientação" do atendente da farmácia do bairro, a comerciante tomou remédios para gastrite e nervo ciático e laxantes. Os medicamentos proporcionavam alívio momentâneo, mas mascararam o problema, que se agravou.

Nos últimos dez dias, A. não conseguia mais andar e tinha dificuldades para evacuar. Preocupada, a família obrigou a comerciante a procurar ajuda médica. Na tomografia, os médicos tiveram a surpresa: um grande tumor obstruía o intestino, ocupando seu lugar e provocando dores abdominais e falta de ar.

Após a intervenção cirúrgica de urgência, os médicos descobriram o que causava o inchaço nos pés: a artéria que nutria o tumor havia torcido, prejudicando a circulação sanguínea.

"Em questão de horas ou dias, o tumor poderia entrar em processo de necrose, podendo ocasionar uma infecção generalizada na cavidade abdominal e, conseqüentemente, levar a óbito", diz Salmen.

Biópsia

O tumor foi retirado por meio de uma laparostomia, que consiste na exploração da cavidade abdominal. A cirurgia foi realizada após anestesia geral e durou 20 minutos. De acordo com Salmen, a intervenção cirúrgica foi rápida em razão do tumor ser liso e não estar agregado a nenhum outro órgão - excetuando o ovário, que foi retirado -.

Em razão dessas características, os médicos acreditam que o tumor possa ser benigno. A confirmação, no entanto, somente virá dentro de dez dias, prazo previsto para a conclusão da biópsia.

Além do resultado do exame, os médicos estão preocupados com a recuperação de A.. "Nossa expectativa é em relação ao andar da paciente. Isso porque o tamanho do tumor desviou o ângulo de gravidade da coluna, prejudicando sua postura. Ela vai precisar treinar para recolocar sua coluna no ângulo correto", diz o cirurgião.

Depois da cirurgia, A. ficou um dia na Unidade de Terapia Intensiva

(U.T.I) e depois passou para o quarto coletivo. A expectativa dos médicos é que ela receba alta entre quatro e seis dias.

"Tudo vai depender da sua recuperação, mas o astral da paciente é ótimo e acredito que tudo correrá bem", afirma Salmen, que na cirurgia de A. chefiou equipe do Hospital de Base formada pelo urologista Mário Wilson, o gastroenterologista Briani e os anestesiologistas Ariosto e Hamilton.

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