Geral

Mau cheiro

Marcos Zibordi
| Tempo de leitura: 6 min

Mau cheiro incomoda Lucianópolis

O odor desagradável que invade a cidade seria proveniente de esgoto e de uma granja que ficam bem próximo à cidade

Moradores de Lucianópolis estão revoltados com o mau cheiro que infesta a cidade todo final de tarde. Eles reclamam da falta de tratamento do esgoto de uma lagoa da Sabesp e de uma granja, que com o avanço da cidade ficou no perímetro urbano.

Os moradores que denunciam o odor desagradável preferem ficar no anonimato, temendo por represálias. Um deles disse que já procurou a Prefeitura Municipal para reclamar e a resposta que obteve do prefeito teria sido a de que o proprietário da granja paga seus impostos em dia e, por isso poderia continuar com seu trabalho.

O mau cheiro da granja atinge principalmente os moradores do Núcleo Habitacional Belmiro Jorge Amaro, onde residem 192 munícipes. A granja fica a menos de 300 metros do núcleo e quando chove ou faz muito calor, o mau cheiro invade as residências.

"Não podemos nem comer direito. Além do cheiro, nos dias muito quentes as moscas acompanham o odor."

Já os moradores do centro da cidade sofrem com o mau cheiro emanado de um depósito do mesmo proprietário da granja. "Ele colocou esterco ou sei lá o que no barracão e nos dias quentes ou de chuva, o mau cheiro é demais", diz uma moradora da área central.

De acordo com ela, a mãe que tem problemas de estômago está pensando até em mudar de endereço. "Moro há dez anos nesse local e agora estamos sofrendo com a carniça que sai do depósito. Não sei o que está depositado ali. Só sinto o cheiro que embrulha o estômago da gente. Na minha casa não pode mais fritar carne que enche de moscas. "

A mulher diz que os moradores das imediações estão sofrendo com o problema, mas nenhuma providência é tomada porque o proprietário do depósito é o mesmo da granja, que seria tio do prefeito.

O mau cheiro também afetou a rotina dos estudantes da escola estadual de 1º e 2º grau professora Célia Primo Calil. Uma funcionária da escola diz que o odor já atrapalhou os alunos da 5ª série, mas que agora eles não reclamaram mais. "A sala fica na direção do depósito e o mau cheiro já atingiu a escola. Os alunos reclamaram, porém, nos últimos dias, o cheiro passou."

Uma comerciante reclama que o cheiro atingiu seu estabelecimento.

"O mau cheiro incomoda, já tentei reclamar, mas não se resolve nada."

Lagoa da Sabesp

A represa de tratamento de esgoto da Sabesp é outro ponto que gera reclamações em Lucianópolis. Localizada no centro da cidade ela já teria desvalorizado os imóveis que ficam muito próximos a ela. O granjeiro Olival Bin, proprietário da granja acusada de estar emitindo mau cheiro,

é um do prejudicados. "Eu tenho vários terrenos por aqui e não consigo vender nenhum por causa do mau cheiro."

Na opinião dele o cheiro emanado da "lagoa" é muito pior do que o da granja. "Na granja eu dou emprego para 12 pessoas. Todo mundo reclama do cheiro da granja mas, não fala nada do cheiro da lagoa."

Questionado sobre o que o prefeito estaria fazendo para melhor a situação do mau cheiro na cidade, especialmente da represa de tratamento, o granjeiro não emitiu qualquer opinião.

Cidade que cresceu

Olival Bin alega que é proprietário da granja desde 1966. "Estava na área rural. A cidade cresceu e hoje estamos na área urbana. Eu mantenho a granja limpa, como vocês podem ver ", mostrou. Ele não sente que as aves cheiram mau. "Aqui está tudo limpo."

Bin diz que no depósito da cidade está armazenado ração para frango. "É que choveu e deve ter molhado alguns sacos de ração. Não tem nada de carniça. O cheiro fica diferente, mas quem reclama

é quem não gosta de trabalhar. Eu trabalho o dia todo e não tenho tempo para ficar reclamando."

O granjeiro alega que mora ao lado de seu propriedade. "Eu moro com minha família. Se fizesse mal eu não deixaria meus netos aqui."

Vereadoras conhecem o problema

As vereadoras Selma C.F. Garcia e Juraci Jorge Amaro, ambas do PDT, têm conhecimento do problema, porém não tomaram nenhuma providência. Selma Garcia alega que queria saber se a granja fica na área urbana ou rural, mas até agora não procurou a Prefeitura para ver o mapa da cidade.

Já, Juraci Amaro alega que recebeu várias reclamações mas que esteve fora da cidade por 50 dias e ainda não tomou providências. "Todos os moradores já reclamaram.

À noite, o bairro cheira carniça, não podemos nem abrir as janelas."

Ambas informaram que além do problema da granja e do depósito da granja, a cidade sofre com o mau cheiro emanado da lagoa da Sabesp."Quando chove o mau cheiro fica mais intenso. Quem mora por ali sofre muito com o odor."

Prefeitura não se manifesta sobre cheiro

Texto: Marcos Zibordi

Cetesb de Marília e gerência da Sabesp dizem que nunca receberam reclamação da população quanto aos odores

A reportagem do JC não conseguiu encontrar, ontem, nenhum responsável na Prefeitura Municipal de Lucianópolis para falar sobre o mau cheiro reclamado pela população. A reportagem foi informada que o prefeito estava em Novo Horizonte. O telefone celular estava na caixa postal e a mensagem deixada não obteve retorno do prefeito. A reportagem foi informada também que o secretário e a assistente social não estavam na Prefeitura. O chefe de gabinete, que só se identificou como "Lorival", disse que não ia se manifestar.

A Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental (Cetesb) de Marília informou que nenhuma reclamação foi recebida pela Agência Ambiental quanto aos odores exalados pela represa da Sabesp e granja em Lucianópolis.

O engenheiro Wilson Pires de Camargo, 48 anos, gerente da Agência Ambiental de Marília, disse que a lagoa da Sabesp está sendo avaliada. A avaliação é sobre a eficiência no tratamento do esgoto da represa. Segundo o gerente, esta avaliação está sendo feita em várias cidades, visando a renovação da licença para este tipo de tratamento. O gerente informou que qualquer cidadão de Lucianópolis pode denunciar o mau cheiro. Neste caso, a Cetesb irá acionar uma fiscalização para avaliar a emissão de odores. O telefone é (0xx14) 422-4666.

A Assessoria de Imprensa da Sabesp informou que a gerência geral da empresa em Santa Cruz do Rio Pardo deslocou ontem um funcionário para avaliar a situação da lagoa. O resultado, no entanto, só deve sair hoje.

Segundo a assessoria, nenhuma reclamação foi recebida até ontem pela empresa em relação ao cheiro da lagoa de tratamento de esgoto.

O Posto de Atendimento da Sabesp em Lucianópolis funciona com um funcionário. Segundo os moradores, este funcionário foi aposentado recentemente. A assessoria não soube informar sobre a situação do funcionário. O responsável pelos Postos de Atendimento em Lucianópolis e Duartina fica trabalhando nesta última cidade. Os moradores de Lucianópolis devem então se deslocar até Duartina para uma eventual reclamação. Ele não foi encontrado ontem em nenhuma das duas cidades e não retornou recado deixado pela reportagem na caixa postal do telefone celular.

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