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Projeto de saúde

Márcia Buzalaf
| Tempo de leitura: 4 min

Senar vai levar saúde ao campo

Texto: Márcia Buzalaf

O programa inédito "Promovendo a Saúde no Campo", do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural

(Senar), quer levar para o meio rural a prevenção de problemas graves de saúde. Aproximadamente 80 mil pessoas devem ser beneficiadas pelo projeto na região, entre a população rural e a população periférica das cidades. O Sindicato Rural de Bauru vai ser o gestor do programa na região, mas, para isso, precisa do apoio da Prefeitura Municipal.

Ao que consta, não há nenhum tipo de programa que vise levar ao campo informações sobre saúde em caráter preventivo, como é o caso do "Promovendo a saúde no campo". Na opinião do presidente do Sindicato Rural de Bauru, Maurício Lima Verde Guimarães, o maior problema na área de saúde rural não

é a falta de assistência, mas sim a deficiência de informações sobre as doenças em caráter preventivo. "Quando o trabalhador tem um acidente, ele vai para o pronto-socorro, mas ninguém faz o trabalho de prevenção, de levar a informação até o campo mesmo", explica.

Das quatro regiões que o Senar vai abranger com o programa, Bauru será a primeira a ter a implantação, programada para começar em três meses. Guimarães diz que, além da força política do projeto, as prefeituras municipais nunca teriam recursos suficientes para este tipo de trabalho preventivo.

A campo

Para chegar até o campo, o programa exige uma pesquisa prévia que vai mapear as reais necessidades do trabalhador e produtor do campo. O médico do Senar, Roberto Salles Meirelles, titular da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (USP), é quem está coordenando o projeto. Serão enfocados principalmente o aspecto preventivo das doenças de maior incidência em determinada região e as necessidades dos jovens trabalhadores.

Guimarães conta que o Senar vai enviar para Bauru médicos que farão o diagnóstico da região e, depois, formar os instrutores responsáveis por aplicar o programa. O "Saúde no campo" só será implantado via sindicato rural.

Basicamente, o Senar vai trabalhar com informações levantadas a campo e de órgãos públicos, como a Secretaria Municipal de Educação, Secretaria Municipal de Saúde e Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento.

Dentro deste mapeamento, os médicos terão como elaborar as prioridades do programa em cada região, de acordo com as necessidades. Eles treinarão os instrutores e os monitores, que serão encarregado de levar o programa até o campo na forma de cursos temáticos. "Tem área por exemplo que pode ter muita gente morrendo de verminose. Aí a gente vai trabalhar a prevenção das verminoses nesta área", conta Guimarães.

O programa já está montado com base nas doenças e problemas mais importantes ou incidentes no campo, como câncer de pele, câncer de uma forma geral, aids, prevenção de gravidez, saneamento básico, entre outros. Para isso, foram elaboradas apostilas com informações sobre determinados problemas de saúde, que serão priorizados de acordo com a necessidade de cada grupo.

Apoio

Guimarães esteve em reunião com o prefeito municipal, Nilson Costa (PPS), para apresentar a idéia. Segundo ele, o gestor municipal teve muito interesse no programa, já que não terá que participar com recursos financeiros.

"Eles só vão ter que dar abertura para a gente poder fazer, eles só tem que se interessar", diz.

Este tipo de programa já foi iniciado em outras regiões, mas não teve sucesso por um único motivo: falta de participação do poder público. Se isso ocorrer em Bauru, a verba destinada para o programa na região será revertida para outros municípios. Guimarães estima que, aqui, 80 mil pessoas podem ser beneficiadas com os cursos preventivos.

Esta população envolve tanto o meio rural propriamente dito quanto algumas camadas urbanas periféricas, que muitas vezes trabalham no campo.

Na opinião de Guimarães, a área rural vem mantendo uma tradição de crenças antigas em relação à saúde, passadas de pai para filho. Nesta camada social, geralmente se usa ensinamentos para a cura ou prevenção de doenças. "As crianças no campo ainda tomam purgante uma vez por mês para limpar o sangue; tem gente que acha que não pode tomar chuva no Lua Nova", conta Guimarães.

A manutenção destas crenças é importante para a identidade rural, mas acaba não desenvolvendo a prevenção de doenças e, principalmente, a melhora na qualidade de vida destas pessoas.

Alguns problemas de saúde, entretanto, raramente chegam ao meio rural, diz Guimarães. Na opinião dele, é muito difícil ver um caso de infarto no campo, pela própria característica da vida agrícola, e problemas com doenças venéreas. Ao mesmo tempo, falta de saneamento básico e gravidez sem controle continuam a ser um problema.

O Senar já trabalha normalmente com cursos de formação profissional no campo e com promoção social. Agora, o investimento é na prevenção de doenças para a melhora da qualidade de vida. Dinheiro, não falta. Atualmente, 60% dos recursos da entidade são voltados para o Estado de São Paulo. Só falta aproveitar.

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