Geral

Homeopatia

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 5 min

Paciente é avaliado por seu conjunto

Texto: Sabrina Magalhães

Toda informação é importante na hora da consulta, inclusive os gestos e comportamentos do paciente

"A homeopatia leva em conta o indivíduo como um todo. Se ele, por exemplo, vem se consultar por uma rinite, a gente não se restringe àquele sintoma do nariz. A gente quer saber de que jeito é a pessoa, a personalidade dela, os desejos alimentares, as reações ao calor ou frio,

às vicissitudes da vida, às decepções da vida, enfim, uma série de coisas para a gente ter mais ou menos um esboço da personalidade da pessoa, porque isso

é importante na homeopatia. É fundamental", explica o médico Oswaldo Maldonado.

Segundo ele, para a homeopatia, toda doença se inicia na esfera mental da pessoa. Ela seria a materialização de um distúrbio emocional, ou seja, o desequilíbrio emocional diminui as defesas do organismo e abre espaço para a manifestação de um vírus, por exemplo. Por isso, é preciso traçar um perfil do indivíduo para encontrar o remédio que mais se pareça com o que ele está sentindo. "Isso é trabalhoso, pois existem mais de 2.500 remédios homeopáticos. Mas quando achamos, os resultados são impressionantes."

Só que para chegar a esse medicamento, outros são testados, o que leva algumas pessoas a se sentirem cobaias. Maldonado afirma que a troca de remédios acontece porque é muito difícil descobrir o núcleo emocional do paciente:

"Porque cada paciente é um paciente. Na alopatia também acontece essa troca. É menos freqüente porque as indicações são as mesmas para doenças semelhantes. Muda só a dosagem."

No consultório

Para chegar a esse perfil do paciente, a consulta com o homeopata

é bem diferente do que acontece na alopatia. Segundo a médica Maria Helena de Abreu, primeiro o indivíduo descreve seus sintomas como os percebe. A partir destas informações, o especialista inicia um "interrogatório", onde importa saber se, por exemplo, uma tosse veio ou não acompanhada de vômito. Se foi no meio da madrugada ou no início da manhã. Se ele teve algum contato ou comeu algo que pudesse desencadear alergia e assim por diante.

Ao final da consulta, o homeopata precisa saber o que levou o paciente ali, se é comum a manifestação daqueles sintomas, se há qualquer distúrbio em outros órgãos do corpo. "Aí nós partimos para os antecedentes pessoais, se ela se relaciona bem com os outros, se sofreu alguma decepção recente. Nós vamos buscar o maior detalhamento possível do estado de saúde da pessoa. Porque se um sintoma aparece de manhã, damos um remédio. Se aparece de madrugada, o medicamento já é outro."

Maria Helena comenta que o homeopata acaba fazendo as vezes de psicólogo, rastreando as emoções do paciente.

"Antes de tudo, nós temos que abordar a pessoa como pessoa. Às vezes só de falar sobre um problema, ela já se recupera. E se, eventualmente, nós desconfiamos de um quadro mais sério de depressão, ansiedade ou algo assim, então encaminhamos o paciente para uma terapia, para um psiquiatra ou outro especialista e fazemos um acompanhamento conjunto."

Com base nessa avaliação, o especialista vai iniciar a busca pelo medicamento que mais se pareça com o comportamento e os sintomas daquele indivíduo. Esse produto vai ser chamado medicamento de fundo e vai ser usado por aquele paciente sempre. Então, se no futuro ele tiver um sintoma diferente, ele vai usar o remédio de fundo junto com outra substância que se assemelhe aos novos sintomas.

Observe seus sintomas

Um bom diagnóstico depende da experiência do médico e da precisão das informações do paciente. Por isso, antes de fazer sua consulta com o homeopata, esteja atento aos seguintes detalhes:

1. Horário: os sintomas aparecem ou pioram em que parte do dia, em que fase da lua, em que estação do ano...

2. Temperatura e clima: os sintomas aparecem ou pioram com o frio ou calor, com sol, vento, chuva, umidade, golpes de ar, lugares quentes, abafados, fechados, vazios...

3. Movimento ou repouso: os sintomas aparecem ou pioram ao exercitar-se, quando executa movimentos rápidos ou lentos, no início do movimento, após mover-se, subindo, descendo, próximo a veículos em movimento...

4. Posição: os sintomas aparecem ou pioram quando está de pé, sentado, deitado, ao levantar-se, deitado de lado, de bruços, quando movimenta uma parte do corpo...

5. Estímulos externos: os sintomas aparecem ou pioram quando alguém toca o local, esfrega, aperta, sacode, quando há luz, em ambientes barulhentos, quando ouve música, conversa, quando tem um cheiro forte no local...

6. Alimentação: os sintomas aparecem ou pioram antes, durante ou após as refeições, quando come coisas quentes, frias, sólidas, líquidas, em seco, quando come vegetais, derivados do leite, ovos, carne, cebolas, bebidas alcoólicas, café, chá, drogas, alimentos

ácidos...

7. Sede: os sintomas aparecem ou pioram quando está com sede, quando toma muita água, quando ingere líquidos quentes ou frios. Quando os sintomas aparecem, aumenta ou diminui a freqüência com que você toma água...

8. Sono: os sintomas aparecem ou pioram quando tem dificuldade para dormir, quando tem sono agitado, dorme demais, dorme preocupado. Aparecem antes de dormir, durante o sono, ao acordar, depois de um sonho...

9. Menstruação: os sintomas aparecem ou pioram antes, durante ou depois da menstruação. O fluxo é abundante, regular, dura quantos dias, qual é o aspecto...

10. Transpiração: quando os sintomas aparecem ou pioram, aumenta a transpiração em que parte do corpo, qual a temperatura do suor, em que momentos você transpira, qual a cor do suor, mancha a roupa ou não...

11. Sexo: sente dificuldades, dores, prazer...

12. Eliminações: evacuações e micção são normais ou não, freqüentes ou não..., tem leucorréia, corrimentos, com que freqüência, qual o aspecto...

É importante relatar os sintomas em ordem cronológica

(na ordem em que aconteceram). Se necessário, pode recorrer a um parente ou amigo para ajudá-lo a lembrar. Quanto aos aspectos mentais e emocionais, conte sua história, sua infância, adolescência, momentos difíceis, alegres, frustrações, fantasias, planos, sonhos...

Fonte: Boletim homeopático: www.hexanet.com.br/~marcosdm/relato.html

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