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Campanha salarial

Adriana Rota
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Professores do Estado unem-se em campanha salarial

Texto: Adriana Rota

Eles não descartam a possibilidade de greve, caso a proposta de reajuste seja recusada

Professores e outros funcionários de escolas, ligados a diferentes entidades representativas unem-se, pela primeira vez, numa única campanha salarial. O objetivo é fortalecer a categoria, que desde 1995 não recebe reajuste. O índice acordado entre elas é de 39,34% e a proposta já foi encaminhada para o governo estadual. A possibilidade de greve não é descartada pelo grupo.

A decisão de lutar conjuntamente pelo reajuste foi tomada pelas executivas dos sindicatos dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), dos Diretores do Magistério Oficial do Estado de São Paulo (Udemo), dos Supervisores de Ensino (Apave), dos Funcionários de Escolas (Afuse) e do Centro do Professorado Paulista (CPP), em concordância com a decisão das unidades regionais, numa discussão que teve início no ano passado.

De acordo com Duílio Duka de Souza, diretor e coordenador da subsede Bauru da Apeoesp, isso representa cerca de 220 mil profissionais da rede, sem contar os aposentados, cuja soma totalizaria algo em torno de 350 mil pessoas. Exemplificando, os 39,34% acordados entre as entidades representaria, para um professor de educação básica I (PEB) - em início de carreira, com uma jornada de 24 horas -, a elevação do salário para cerca de R$ 680,00. Hoje, são R$ 488,00.

Classificada como um "índice possível", a proposta de reajuste já foi encaminhada ao governo estadual. A expectativa é que seja analisada até o dia 14 de março, quando uma reunião entre os funcionários de escolas estaduais avaliará a decisão a ser tomada. A categoria não descarta a possibilidade de greve, caso a contraproposta não seja, ao menos, "apreciável". A última greve ocorreu em março de 1998. No ano passado, houve apenas um dia de paralisação, quando da votação da reforma da Previdência Social, em agosto.

"Como defendemos os interesses dos trabalhadores, a possibilidade de greve nunca será descartada. O governo tem tudo para nos atender. Se continuar virando as costas como tem feito todos os anos, não dá para prever. Especialmente agora, com o fechamento de salas, enxugamento da máquina da Secretaria da Educação, diminuição da grade curricular

(portanto, de salas), desemprego, além da municipalização. Tudo favorece o descontentamento".

Duka afirmou que os alunos, os pais e a sociedade em geral serão informados sobre as decisões, "porque a primeira bandeira

é a defesa intransigente da qualidade de ensino", item que estaria sendo negligenciado pelo número ínfimo de funcionários para grande contingente do alunado por escola, baixos salários, falta de reconhecimento, classes superlotadas, dentre outros problemas, que influenciam negativamente a qualidade do atendimento e do trabalho. "O pessoal se segura porque tem garra, acredita, tem isso no sangue. Não temos uma política voltada para a educação, só politicagem. Veja esses projetos como o 'Amigos da Escola': daqui a pouco, eles estarão dando aula!", protestou.

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