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Aumento dos combustíveis

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 4 min

Revendedores de Bauru não foram notificados sobre reajuste de combustíveis

Texto: Patrícia Zamboni

O reajuste de 7% da gasolina e do diesel nas refinarias, anunciado para a partir desta quarta-feira, e o aumento de 5% no preço para o consumidor final - segundo o que foi estimado pelo governo federal -, ainda não havia sido notificado oficialmente, até ontem, a proprietários de postos de combustível de diversas bandeiras em Bauru. De acordo com os donos de postos que foram consultados, até ontem as distribuidoras ainda não tinham enviado nota oficial informando sobre a aplicação do reajuste. Porém, eles confirmam que a conseqüência imediata do reajuste para as refinarias é o repasse deste aumento para os produtos comercializados nos postos.

De acordo com Ivon Nunes Pimentel, proprietário de um auto posto de bandeira Shell, ontem já se encontrava dificuldade em comprar gasolina e óleo diesel na companhia distribuidora, o que confirmava o reajuste para as refinarias. "É tão certo que vai aumentar o preço para os revendedores que hoje (ontem) eles estão dificultando a saída do combustível da distribuidora, porque todo mundo está fazendo pedido e eles estão segurando. Oficialmente, a Shell ainda não se manifestou para nós", disse Pimentel, que até o final da tarde de ontem, continuou sem resposta do seu fornecedor. Desde o último aumento, no final do ano passado, a média do preço da gasolina comum nos postos de Bauru é de R$ 1,26; e do diesel, entre R$ 0,58 e R$ 0,61. Segundo Pimentel, em geral a gasolina comum

é responsável por cerca de 80% das vendas nos postos.

Para ele, esse novo reajuste é abusivo, e não são somente os consumidores os prejudicados. "É um absurdo esse aumento, porque a gasolina já está cara. A situação está difícil para ambos os lados. Antigamente a gente tinha uma quantidade de dinheiro para abastecer os tanques que agora não é mais suficiente. Eu falo com propriedade que a maioria dos postos de Bauru está recorrendo aos bancos para reabastecer seus tanques. Eu dou 70 dias de prazo para os meus clientes, mas a companhia me dá, no máximo, sete dias para eu pagar. E isso incluindo um encargo financeiro", disse Pimentel. Segundo ele, o número de cheques sem fundo recebido em seu posto tem aumentado muito.

De acordo com Luís Nitsch, proprietário de um posto com bandeira Agip, até ontem ele também não havia recebido nenhuma notificação oficial da companhia distribuidora de combustível em relação ao aumento dos preços da gasolina e do diesel. Porém, confirmou que o reajuste já estará em vigor também em Bauru a partir da meia-noite de hoje. Segundo ele, desde ontem a Petrobrás já estava dificultando a liberação do combustível para a venda aos revendedores. Ao que tudo indica, trata-se de uma "estratégia" para esperar o início da aplicação do reajuste.

Júlio Saito, proprietário de um posto Ipiranga na cidade, também não tinha sido notificado pela distribuidora, até ontem à tarde, sobre a aplicação dos novos preços da gasolina e diesel a partir de 1º de março. "Oficialmente, eu ainda não recebí nenhuma informação sobre isso. Provavelmente eu vou ter essa informação só amanhã

(hoje), se tiver. Porque geralmente eles não passam isso pra gente com antecedência. Inclusive, é por isso que no dia que passa a valer o reajuste pode ser verificada uma diferença de preço de um posto para outro, porque no início a gente faz uma estimativa, e só depois que vem a informação sobre o preço certo

é que todos os postos se regularizam", afirmou Saito.

Leda Maria T. Menezes, proprietária de um posto com bandeira Flag (de Bauru), ela só recebeu notificação oficial da companhia distribuidora em relação ao reajuste de 7% no preço da gasolina e do diesel para as refinarias. "Em relação aos preços para o consumidor, ainda não foi nada esclarecido", disse Leda Menezes.

Fábio Ferreira Costa, dono de um posto de bandeira Texaco, também não havia recebido informação oficial sobre o aumento dos combustíveis até ontem

à tarde.

De acordo com Sebastião Omero Gomes, do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (SincoPetro) de Bauru, atualmente existem 110 postos em atividade na cidade. Segundo Gomes, até ontem o Sindicato também não havia recebido nota oficial sobre o reajuste da gasolina e do diesel.

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