Trabalhador deve estar atento à LER
Texto: Paulo Toledo
Os trabalhadores devem estar atentos aos sintomas das Lesões por Esforços Repetitivos (LER), também conhecida por Doenças Ósteo-musculares Relacionadas ao Trabalho
(Dort) e procurar um médico caso perceba alterações, pois retardar o tratamento pode significar um dano irreversível ao corpo e complicações na vida profissional. O alerta é de Nélio Souza Santos, 39 anos, procurador da Associação dos Lesados por esforços Repetitivos de Bauru (Alerb), que vem identificando o crescimento da doença em Bauru e região e já atinge entre 5% e 10% dos trabalhadores com carteira assinada.
Hoje, em nível mundial, está sendo realizado, pela primeira vez, o Dia Internacional de Conscientização sobre LER. Esta idéia surgiu porque a LER ou DORT, é uma doença ocupacional que afeta milhões de trabalhadores no planeta. Qualquer pessoa pode ser a próxima vítima da LER, não existe distinção.
Santos afirma que a questão da LER ainda enfrenta muitas dificuldades, pois é um quadro de doenças que não se vê e, muitas vezes, alguns patrões não acreditam e resistem em abrir o Comunicado de Acidente de Trabalho
(CAT), que é o instrumento que garante ao trabalhador a assistência necessária e o afastamento do trabalho.
De acordo com o procurador da Alerb, em Bauru, os principais atingidos pela LER são os trabalhadores do setor da indústria da alimentação e os bancários. Ele diz que existem grandes empresas com problemas graves e que precisam ser monitoradas.
Antônio Carlos de Oliveira Matheus, o Pardal, 40 anos, presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentos, destaca que os o movimento repetitivo nas linhas de produção, principalmente nas embalagens, tem provocado um grande número de casos de LER nos empregados. Para ele, o problema é que algumas linhas de produção não estão adequadas aos trabalhadores, o que acaba provocando os problemas.
Pardal destaca que muitos empregados, por medo de perder o emprego acabam trabalhando com a dor, até que o problema se intensifica. De acordo com ele, quando isso ocorre, a pessoa acaba perdendo produtividade e a empresa acaba descobrindo o problema. Em muitos casos, houve a demissão do trabalhadores. O problema, diz ele, é que isso, depois, tem que ser resolvido na Justiça e o problema pode acabar se arrastando por anos. "Então, está com dor, procure o sindicato para ser encaminhado a um exame, para um tratamento. Se deixar agravar, fica muito difícil", ensina.
Paulo Sérgio da Silva, 33 anos, diretor do Sindicato dos Bancários e Financiários de Bauru e Região, destaca que a LER é um problema do mundo moderno, que tem que ser combatida. Ele destaca que os bancos estão entre os segmentos que mais geram trabalhadores.
Ele diz que, nos últimos anos, principalmente após 1995, o Sindicato recebeu 306 Comunicados de Acidente de Trabalho por LER, o que corresponde a cerca de 10% dos 3 mil bancários da região. "É bem alto o índice", afirmou.
Silva disse que um dos problemas é a demissão de bancários com LER. Quando isso ocorre, o sindicato tem conseguido obter a reintegração do trabalhador.
Sílvio Carlos de Lima Pereira, subdelegado adjunto da Subdelegacia do Ministério do Trabalho em Bauru, destaca que o órgão vem desenvolvendo um trabalho junto às empresas para que ela reintegrem o trabalhador, após a reabilitação que é feita pelo Centro de Reabilitação do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), em condições adequadas para que ele não volte a ter complicações, se continuar desempenhando uma função não adequada para sua realidade.
Pereira destaca que após a reabilitação, o trabalhador recebe um certificado que consta sua limitação física e as atividades que pode realizar. "Temos que zelar para que o trabalhador passe a Ter as condições necessárias, pois se o problema voltar, vem muito pior", destacou o subdelegado adjunto.
A doença
A LER tem como principais sintomas o "formigamento", a perda da força muscular, queimações, pequenas dores esporádicas na região lombar no início, diminuição da produtividade etc. A doença afeta principalmente os braços, ombros, mãos, punhos, cotovelos e coluna cervical. Nélio Santos afirma que, em seu estágio mais avançado, a LER pode até deixar a pessoa inválida para o resto da vida, pois a pessoa, muitas vezes, sequer tem força para pentear o cabelo.
A organização do trabalho colabora para geração da LER. Esforços repetitivos para atingir os índices de produtividade estipulados, jornadas extraordinárias em excesso, mobiliário inadequado estão entre as causas.
O Sindicato do Bancários orienta que "o portador de LER tem direito a se afastar do trabalho para se tratar, já que é o próprio ambiente de trabalho o causador da doença. Para se afastar, o trabalhador precisa ter o diagnóstico da doença feito pelo médico, com a definição do tempo de afastamento necessário, e solicitar na empresa a emissão do CAT para levar ao INSS. Havendo problemas na emissão do CAT, deve procurar seu sindicato ou o Ministério do Trabalho".