Curtume afeta ambiente em Bocaina
No tratamento do couro se aplica cromo e a poluição
é quase inevitável; providências começam ser adotadas
Curtumes de acabamento, que formam um dos principais setores da economia de Bocaina, são acusados de serem responsáveis por um grave problema ambiental na região. Cerca de 70 estabelecimentos produzem mais de 10 toneladas diárias de raspa de couro que, por falta de destino tecnicamente correto, têm sido lançadas na periferia da cidade, a céu aberto. Como no tratamento do couro se aplica cromo, a poluição
é praticamente inevitável. No início do mês, uma enxurrada carregou parte dos dejetos de um depósito de raspa para um trecho do pasto da Fazenda Espanha.
O proprietário, Sílvio Camargo, apresentou queixa
à polícia e à Promotoria do Meio Ambiente. O promotor Jorge João Marques de Oliveira disse anteontem que essa não é a primeira vez que o problema ocorre, mas a Prefeitura tem adotado as providências exigidas e promete, em breve, depositar esse lixo em aterro sanitário, evitando novas ocorrências.
Segundo o prefeito Moacir Gimenez (PSDB), parte do couro foi retirada de locais onde poderia provocar novos problemas. O fazendeiro Camargo ainda espera a aração e recuperação do pasto atingido.
O fim das raspas de couro está em discussão porque tanto Ministério Público como Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental (Cetesb) estão solicitando providências tanto à Prefeitura como aos proprietários de curtumes.
Na última segunda-feira, técnicos do Serviço Brasileiro de Apoio à Pequena e Média Empresa (Sebrae) apresentaram à Prefeitura o projeto de uma empresa de participação em que os donos de curtume poderão investir para transformar a raspa do couro em tijolo, blocos e lajes para a construção civil.
O Sebrae vai desenvolver o projeto de montagem da empresa e técnicos devem analisar os custos da montagem da empresa de participações e da fábrica de blocos.