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Sambódromo

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 5 min

Barraqueiros já se instalam no sambódromo

Texto: Patrícia Zamboni

O mercado do Carnaval já está movimentando o sambódromo de Bauru. Ontem, várias pessoas estavam instalando suas barracas, dentro e fora dos limites do "palco do carnaval de rua" da cidade, satisfeitas por terem conseguido garantir um lugar no comércio informal que se instala no local durante as quatro noites de folia.

A previsão dos barraqueiros encontrados no sambódromo ontem era de que até o final da tarde de hoje, todas as barracas estejam montadas e prontas para atender as cerca de 40 mil pessoas que irão passar por lá, segundo estimativas da Polícia Militar. A expectativa dos barraqueiros é de que as vendas deste ano sejam satisfatoriamente superiores

às de 98, quando foi realizado o último carnaval de rua em Bauru.

Ontem, Marlene Gonçalves, 21 anos, e Edvaldo Dias, 30 anos, estavam ultimando os preparativos na barraca que pertence a eles há 15 anos. Marcando presença pela terceira vez no sambódromo, o casal de Fernandópolis teve cerca de R$ 1.200,00 de lucro no carnaval de 98, e para este ano a expectativa

é mais positiva. "O aluguel do espaço está mais caro este ano, e a Prefeitura pediu pra gente pagar à vista e em dinheiro, mas em compensação vai ter menos barracas porque a Prefeitura limitou o número de barraqueiros dentro do sambódromo", observa Dias. Em sua barraca, ele estará comercializando algodão doce, pururuca, batata frita, cachorro-quente e bebidas.

Jaime Santos Moura, 32 anos, é de Bauru e garante seu lugar nas noites do carnaval de rua desde que o sambódromo foi inaugurado. Há 20 anos atuando no comércio informal, Moura espera vender bem mais este ano do que conseguiu em 98.

"Este ano os barraqueiros foram selecionados. No ano passado tinham 26 barracas aqui dentro do sambódromo, e esse ano só vão ter dez. É bem melhor pra gente vender, e eu espero faturar mais que em 98", diz Moura, que estará oferecendo a seus "clientes" lanches diversos, um churrasquinho bem brasileiro, bebidas e outras opções.

Outro bauruense, Antonio Carlos Santana, 34 anos, diz que garante suas vendas no sambódromo há sete anos. "Faz sete anos que eu coloco minha barraca aqui e sempre tenho retorno. Esse ano vai ser melhor com menos barraqueiros aqui dentro", analisa Santana, que montou, ontem, a sua barraca de lanches e refrigerantes.

Do lado de fora do sambódromo também já havia carrinhos de lanche reservando um lugar nos arredores da "passarela do samba". Mesmo sem saber se vão conseguir permanecer lá durante as quatro noites de folia, por estarem em local não liberado pela Secretaria de Planejamento (Seplan) da Prefeitura Municipal de Bauru, Reinaldo Costa Queiróz, Gilson Richard Moreira, José Rodrigues da Silva e Rui Neves já tinham instalado seus "pontos" nas ruas de acesso ao sambódromo.

"Esse ano ficou difícil pra gente porque a Prefeitura diminuiu o número de barracas que podem ficar lá dentro. Além disso, tem muita gente vindo de outras cidades pra se instalar lá e acabam tirando a oportunidade de outras pessoas que são daqui de Bauru e que sempre vieram para o sambódromo no Carnaval. A Prefeitura não liberou esse espaço em frente ao sambódromo, mas nós não estamos fazendo nada de errado, não vamos atrapalhar ninguém e não vamos destruir nada", disse Queiróz, manifestando-se a favor dos barraqueiros que não conseguiram garantir um lugar dentro do sambódromo para faturar durante o Carnaval.

Seplan vai fiscalizar

De acordo com Tânia Kamimura Maceri, engenheira da Seplan, as áreas não liberadas para a instalação de barracas foram definidas durante uma série de reuniões feitas juntamente com a Secretaria de Cultura, e outras pastas da Prefeitura. Segundo ela, a administração dos espaços "comerciais" dentro do sambódromo são definidos pela Liga das Escolas de Samba e Entidades Carnavalescas de Bauru (Lesec). "Todo ano a Seplan deixa a critério da Lesec a administração desse espaço. Os diretores da Lesec é que definem o número de barracas que poderá ser disponibilizado. Tenho a impressão de que a diminuição da quantidade de barracas que poderão ficar lá dentro este ano, em relação ao ano passado, é devido ao aumento do número de camarotes que estão sendo instalados no sambódromo. De qualquer forma, a Seplan não participa dessa questão interna. A Lesec define tudo juntamente com a Secretaria de Cultura", afirma a engenheira.

De acordo com Tânia Maceri, externamente a fiscalização da Seplan estará atuando, e definiu as áreas que deverão ficar livres de comércio. "As áreas que nós não permitimos a instalação de barracas são as ruas que nos interessam por questões de segurança, como saídas de emergência de veículos. A rua dos Abacateiros, que é paralela ao sambódromo, será interditada. Existe uma parte da rua Pitangueiras (defronte à entrada do sambódromo) que nós vamos procurar controlar bastante, mas sempre devido

à questão das saídas emergenciais. Fora dessas

áreas, as pessoas terão liberdade para trabalhar, desde que já possuam a documentação necessária, como alvará, e que já tenham passado pela Secretaria da Saúde. Enfim, essas pessoas precisam estar com a situação regularizada", orienta a engenheira.

De acordo com Tânia Maceri, este ano a Seplan não está fornecendo alvará para a instalação de barracas nas proximidades do sambódromo. Por isso, para garantir um lugar durantes as noites de Carnaval de rua, será preciso obedecer à demarcação territorial estipulada pela Seplan, possuir documentação em ordem, relativa a processos de anos anteriores feitos na Prefeitura, e entrar num consenso com os moradores do local em que pretende colocar a barraca. "Estamos orientando para que as pessoas que vão se instalar lá tenham esses documentos principalmente por causa da questão sanitária. O nosso corpo de fiscais estará de plantão durante todo o Carnaval justamente para orientar essas pessoas e atender a eventuais reclamações", diz a engenheira da Seplan.

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