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Adriana Rota
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Ponte entre DI e Mary Dota atrasa três meses

Texto: Adriana Rota

A construção da ponte que faz a ligação entre o Distrito Industrial e o Núcleo Mary Dota, passando sobre o Rio Bauru, teve sua entrega adiada devido às chuvas. A empresa responsável comprometeu-se a finalizá-la até o dia 15 de maio, três meses depois da data prevista de início. Por enquanto, as obras estão com aspecto de total abandono. A ponte que liga o Jardim Godoy e a Vila Bom Jesus está pronta desde o final do ano, mas outras, como a do Ferradura Mirim, do Rio Verde e outras da área rural, aguardam verbas para construção.

A ponte do Distrito Industrial é uma reivindicação antiga da população destes bairros e da vizinhança. Só há uma pinguela no local e, anteontem, um motoqueiro teria caído dentro do rio. No início de 1998, o então deputado federal Tuga Angerami (PSDB) conseguiu aprovação junto ao governo estadual para a liberação de R$ 300 mil, que seriam utilizados na construção.

O recurso fazia parte da emenda de orçamento da União feita por Tuga, a qual o governador Mário Covas (PSDB) comprometeu-se a repassar para o município de acordo com as prioridades elencadas por seu autor. Essa verba só poderia ser utilizada para a construção da ponte. Caberia

à Prefeitura enviar o projeto detalhado da obra, recebendo em troca R$ 300 mil.

Mais de nove meses depois, no entanto, o próprio ex-deputado anunciou a perda da verba para a ponte e para a construção de moradias no Ferradura Mirim, cujos recursos somariam mais de R$ 400 mil. Motivo: por falta de documentos, a administração Antonio Izzo Filho (hoje, sem partido) foi impedida de assinar o convênio para a obra antes do início do período de restrição eleitoral.

Na época, Tuga afirmou que Nilson Costa (então, PPS) chegou a entregar o material que faltava, mas uma contenção de gastos decorrente do Pacote Fiscal anunciado pelo governo FHC resultou na suspensão de todos os convênios não assinados - 170, na ocasião.

Já em fins de abril de 1999, acatando sugestão do vereador Futaro Sato (PMDB), Nilson resolveu recorrer a empresários locais para a realização de obras complementares

à construção da ponte, uma vez que ao município cabia uma contrapartida - de, aproximadamente, R$ 200 mil. A verba oriunda do Estado já estava novamente disponível na CEF.

Em agosto do ano passado foram iniciadas as obras, que estavam previstas para serem concluídas em fevereiro deste ano. No entanto, a empresa vencedora da licitação - Toffer, de Piracicaba - solicitou à Prefeitura uma alteração no cronograma, por conta das chuvas excessivas. De acordo com o secretário de Obras, Edmilson Queiroz Dias, a empresa comprometeu-se a entregar a ponte em 15 de maio.

"O cronograma é feito corrido e não leva em consideração o período das águas. A obra foi paralisada por bom-senso. Ela representaria risco para os trabalhadores e para o próprio rio, porque, se o concreto for para dentro dele, há o perigo de prejudicar a velocidade normal da água", disse.

Através de um fax, a Toffer informou ao secretário que os engenheiros têm comparecido mensalmente no local para avaliar, por exemplo, o índice pluviométrico. A empresa teria tido prejuízos em decorrência da perda de alguns serviços estragados pelas chuvas. Tudo indica que a obra seja retomada com velocidade após o Carnaval.

Ainda de acordo com o Dias, uma pinguela tem sido utilizada para propiciar o acesso de um lado ao outro do rio. A ponte definitiva deverá ter 30 metros de extensão, vigas de concreto pré-reforçado e tabuleiro de concreto armado. Com o mesmo espaço entre os pilares de sustentação

(vão livre), e cinco metros de altura (considerando-se a vazão normal do rio), a ponte será de mão dupla, com calçada de dois metros de largura.

Ponte do Jardim Godoy

A ponte da rua Sebastião Faria da Costa, que liga o Jardim Godoy à Vila Bom Jesus, e permaneceu interditada para reformas durante oito meses, foi entregue aos moradores da região em dezembro do ano passado, conforme o secretário de Obras havia se comprometido a fazer. Só não foi possível, segundo ele, executar a obra definitiva, por falta de materiais.

"Ela foi construída em madeira, material com vida

útil mais curta. Seria mais adequada a colocação de células de concreto e pavimentação, mas isso será feito no momento oportuno. Não sei se será possível ainda neste ano, por conta do orçamento", explicou.

Ferradura e Tangarás

O caso da ponte entre o Ferradura Mirim e o Jardim Tangarás

é mais complexo. "A gente vive com chapéu na mão", desabafou o secretário, que conta com a liberação de recursos de dois convênios diferenciados: um com a Secretaria Estadual de Agricultura, que o titular da pasta local, Cynise Pereira Leite, está intermediando, e outro através do Consórcio Intermunicipal da Bacia Tietê-Batalha.

A obra exige a feitura de uma galeria, combate à erosão e volta do rio a seu curso natural, o que deve despender de R$ 200 mil a R$ 250 mil, com uma contrapartida para o governo municipal de 20%, especialmente relacionada a máquinas, equipamentos e mão-de-obra.

Área rural

Outra ponte colocada como prioridade é a do Rio Verde, que necessita ao menos de uma passagem provisória, cujo projeto já está sendo realizado, devido ao tráfego de pessoas e por se tratar de espaço para escoamento da produção rural. O secretário destacou, aliás, que é na área rural que as chuvas têm feito maiores estragos, embora boa parte das pontes já tenha sido restabelecida. Essa obra, considerada "barata" em comparação a outras, pode custar R$ 65 mil. "Pontes são consideradas verdadeiras obras de arte, pelo valor", comparou.

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