Cruzeiro do Sul: quase perfeito
Com boa infra-estrutura, cortado por duas das mais importantes avenidas da cidade - Duque de Caxias e a Cruzeiro do Sul - e com um bom comércio e serviços, o Jardim Cruzeiro do Sul é considerado um ótimo lugar para se morar. Mas ainda existem ruas no bairro, ou parte delas, como a Minas Gerais, que são de terra.
A casa da comerciante Maria Madalena Chimoda, 39 anos, localiza-se nessa rua. Ela disse que a quadra é a única que está sem pavimentar, o que tem causado muitos transtornos.
"Cansamos de ligar para a Regional e pedir para pavimentar só essa quadra. Toda vez que chove, temos que passar por outras ruas até chegar em casa", afirma.
A praça Antônio Anacleto Chaves está com mato alto e precisando de reformas, como os próprios moradores disseram. Loteado na década de 50, o Jardim Cruzeiro do Sul tem algumas ruas bem arborizadas.
A cabeleireira Ondina Maria Rodrigues Pascoal, por exemplo, é uma das moradoras que gosta da arborização do bairro e da tranqüilidade das ruas. "Moro no bairro porque gosto da tranqüilidade que é para mim e minha família", conta. Além dela há outras moradoras, como a dona de casa Neusa Giraldi, que não troca o sossego do bairro por outro lugar. "Há muitas árvores que embelezam nossa região", ressalta.
Festas mostram amizade entre moradores
Apesar do bairro não ter uma associação de moradores formada, quem mora no Jardim Cruzeiro costuma se reunir para fazer festas, principalmente em datas comemorativas, como aniversários e festas juninas.
Nas festas juninas, os moradores costumam fechar as ruas e enfeitar com bandeirinhas os portões das casas. Em geral, as mulheres são as que cozinham doces e bolos, enquanto que os homens levam refrigerantes e bebidas, como quentão e vinho quente.
Também não falta canjica e pipoca. As mesas ficam expostas na rua para que a comida típica seja colocada e servida à vontade aos convidados. Segundo a aposentada Dalva Serra Lopes, a festa junina está se tornando tradicional no bairro.
Cada rua prepara a sua festa e comemora com a vizinhança.
"Em cada rua há moradores que preparam o festejo. Nessa época, preparamos também chocolate quente para os participantes", observa.
Gilgal fabrica camas para cães
Coloridas, listradas ou com desenhos de bichinhos. Essas são algumas das padronagens das camas para cães e gatos fabricadas pelos meninos atendidos na Gilgal, entidade localizada no Jardim Cruzeiro do Sul. A entidade, que trabalha com a recuperação de crianças e adolescentes com dependência química, está fazendo da fabricação de camas para cães a alternativa de arrecadação de dinheiro para manter a casa e os cursos ministrados para os atendidos.
Em média, são feitas oito camas por dia sob a orientação da professora de corte e costura e artesanato, Marineide Resende. Ela coordena o trabalho dentro da fábrica desde o molde até o acabamento final da cama. Os meninos recebem pela produção e depois compram materiais ou objetos que necessitam. Um deles, de 11 anos, esperava pelo dinheiro para comprar um tênis novo.
Além de camas, os meninos da Gilgal fabricam outros objetos para animais, como coleiras, guias, colchões e roupas. Enquanto alguns estão no curso de música, outros ficam na sala de computação e os demais na oficina, confeccionando o novo trabalho.
Peso para segurar portas em formato de coelhinho, tapete trançado e cestas também são outras peças criadas pelos meninos. Por enquanto, o dinheiro arrecadado está sendo para pagar os equipamentos, que foram comprados a prazo num total de R$ 5.900,00, restando ainda três parcelas.
A diretora interna da Gilgal, Nilce Padovino Mucherone, ressalta que mesmo com a nova atividade, a entidade continua contando com a contribuição da sociedade através de carnês.
"Agradecemos a colaboração de quem nos ajuda. A casa está aberta para os contribuintes que quiserem nos visitar e ver nosso trabalho", afirma.
O trabalho da Gilgal continua sendo para aumentar a renda da entidade e colaborar para a recuperação de adolescentes que se tornaram dependentes químicos.
Horto atrai 12 mil pessoas por ano
O Horto Florestal, uma das maiores áreas verdes da cidade, está localizada na região do Jardim Cruzeiro do Sul e recebe a visita de 12 mil pessoas por ano, entre estudantes, famílias e grupos de jovens e idosos.
De acordo com a engenheira agrônoma e coordenadora do programa de uso público do Horto, Eliana Maria Rangel de Almeida Angerami, esse número é apenas uma estimativa porque a área verde recebe muitos visitantes, principalmente de estudantes, que usam o local para pesquisas. "Estimamos que 12 mil pessoas, entre alunos e pessoas que vêm passear com a família ou só por curiosidade, passem por aqui por ano", afirma.
O Horto Florestal possui atrativos para todos os gostos. Quem deseja praticar atividades físicas, por exemplo, há quadras poliesportivas. Áreas para piquenique, pista de cooper e playground fazem parte do conjunto de atrações do local, que é aberto diariamente, de segunda-feira a domingo, das 7 às 19 horas.
O horto tem um programa de educação ambiental desenvolvido em parceria com a Gaia, uma Organização Não-Governamental. O programa é voltado para os estudantes que visitam a área e para grupos organizados, e funciona de segunda à sexta-feira. Em geral, o programa visa orientar os alunos através de jogos e trilhas, conscientizando-os sobre a necessidade da preservação do meio ambiente. Já os grupos organizados, que devem ter no mínimo 20 pessoas, são levados por um monitor a fazer uma trilha interpretativa, que dura até duas horas. O monitor nessa trilha vai explicando a origem de algumas espécies biológicas.
As mais de 1.200 espécies de plantas, entre nativas e exóticas, despertam a curiosidade do público que visita o horto. As escolas ou grupos interessados em agendar horários para a visita ecológica podem ligar para o telefone 230-1899.
Ocorrências policiais são apenas 2,2 % da cidade
Levantamento realizado pela Polícia Militar mostra que os moradores da região Sudeste estão certo ao ressaltar que moram em locais tranqüilos. Do total das ocorrências na cidade, apenas 2,2% correspondem à região Sudeste. As três principais ocorrências registradas pela polícia neste ano foram furtos, roubos e agressões .
De acordo com o capitão Benedito Roberto Meira, comandante da 1.ª Companhia, a região Sudeste é uma das mais tranqüilas da cidade.
Por ser uma região que tem ligações com várias avenidas, também tem suas vantagens. "Bairros como os dessa região facilitam o policiamento porque têm ligações com avenidas", afirma Meira.
Mesmo existindo um baixo índice de criminalidade, a Polícia Militar pretende construir uma Base Comunitária na avenida Cruzeiro do Sul, para melhor atender toda a região. E para que isso ocorra, a PM está desenvolvendo uma campanha em parceria com o Ciesp. A campanha consiste na venda de adesivos, a R$ 2,00 cada um, para a compra de materiais de construção. Sugestões ou mais informações podem ser obtidas através do e-mail: policiacomunitaria@starnet.com.br.
Moradores da Engler reclamam de fluxo de veículos
Ao mesmo tempo que a Vila Engler é valorizada pelo comércio e serviço lá instalado, os moradores sofrem com o barulho dos veículos que passam pelo bairro em direção a outras localidade.
O bairro tem como característica a grande quantidade de oficinas, lojas de auto-peças e transportadoras. Famílias que moram perto das transportadoras reclamam do barulho que os caminhões fazem ao transitar pelas ruas.
A dona de casa Maria Augusta Carmem dos Santos, 63 anos, está cansada da situação. Ela mora há 23 anos na casa alugada, localizada na rua Jorge Pimentel, na Vila Engler, e já pediu à transportadora localizada perto de sua casa uma solução. Segundo Maria Augusta, a empresa mudará dentro de seis meses.
"Esse tempo é muito longo para eu agüentar porque não consigo dormir há muito tempo por causa do barulho. Os funcionários ficam falando alto e contando piadas no meio da madrugada e por isso não durmo", afirma.
Outros vizinhos também reclamaram porque acordam com o barulho às 5 horas. "Quase uma hora antes de trabalhar já fico em pé porque acordo com os motores dos caminhões", ressalta o ajudante de cozinha Jilvano Matos Correia, 22 anos.