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Campeã do Carnaval

Por Fabiano Alcantara | Ricardo Polettini
| Tempo de leitura: 5 min

Campeã do Carnaval sai hoje

Texto: Fabiano Alcantara/Ricardo Polettini

Bauru vai conhecer hoje, às 14 horas, a escola campeã do Carnaval. A apuração acontece na Câmara Municipal e deve ser polêmica. Não ficou decidido se o regulamento, que determina que duas escolas devem ser rebaixadas, será cumprido.

Devido à chuva de anteontem, que quase impediu a realização do desfile, só vão valer as notas de domingo. As atribuições dos dois jurados de cada quesito vão ser somadas. Não haverá eliminação da nota mais alta ou mais baixa.

Nove quesitos estarão em julgamento: bateria, harmonia, evolução, samba-enredo, mestre-sala e porta-bandeira, comissão de frente, alegoria, enredo e fantasia.

Outro ponto polêmico é em relação à subvenção oficial. As escolas, que recebem em função do número de integrantes, decidiram antes do desfile de anteontem que a verba seria em função de 98. A Azulão do Morro, no entanto, receberia em função do desfile de domingo, já que no Carnaval de 98 a escola saiu como bloco. Há controvérsias entre as escolas, no entanto, e a questão deve ser debatida hoje.

Segundo dia

O segundo dia de desfiles no Sambódromo, anteontem, foi marcado pela falta de organização. A chuva, que caía desde às 17 horas, quase impediu a realização da festa.

Preocupados com a falta de público, que no final compareceu

(15 mil, segundo a Polícia Militar) e com medo de desfilar com poucos integrantes e receber uma subvenção oficial menor, alguns presidentes de escola não queriam desfilar.

Depois de duas horas de discussão e bate-boca - que chegou ao ápice quando o presidente da Liga das Escolas de Samba e Entidade Carnavalescas (Lesec), Avelino de Souza, e o vice-presidente da Mocidade, Ricardo Carrijo, se desentenderam feio - as escolas decidiram fazer um desfile "café com leite". Ou seja, sem valer pontos.

Muitos carnavalescos criticaram Souza pela indecisão, que fez com que o desfile começasse com duas horas de atraso. O presidente da Liga chegou atrasado à reunião que decidiria se o desfile iria acontecer ou não.

O desfile

Desde às 19 horas tomando chuva, a Azulão do Morro, escola que mais brigou para desfilar, só conseguiu entrar na avenida às 22 horas.

A Azulão melhorou sua performance em relação a domingo, fez um desfile animado e descontraído e apareceu com fantasias e adereços mais completos. Também veio com as alas mais em ordem, organizando melhor a coerência com seu enredo e evolução.

A Águia de Ouro foi bem, entrou na avenida melhor que no domingo, apesar do desfalque de alguns destaques e da alegoria da "águia" do carro abre-alas desfilar sem bater as asas, o que era a vedete do desfile da escola.

No geral, o desfile da Águia foi mais compacto e alegre que no domingo, quando estourou o tempo regulamentar em um minuto. As fantasias ainda vieram falhas, apenas as palas das cabeças eram uniformes, as roupas de baixo continuaram diferentes de integrante para integrante.

A chuva parou bem antes do desfile da Corinthians, que havia sido prejudicada pelo mal tempo no domingo, e deu ânimo à escola da Nova Esperança.

A escola foi recebida com simpatia pelo público, que reconheceu a sua garra, apesar do desfile simples. Sem chuva, a Corinthians pôde mostrar melhor suas fantasias, adereços e carros alegóricos. A bateria, mesmo com poucos integrantes, sacudiu o Sambódromo, com uma pegada do surdo bem pesada, que fez lembrar um campo de futebol.

Em seguida, veio a Coroa Imperial da Grande Cidade, com carros e fantasias de destaques recuperados, que fizeram falta no desfile de domingo. A escola fez um desfile exuberante e com muita garra, com inovações, como a maquiagem e laços nos sapatos da comissão de frente.

Embora com todos esses acertos, faltaram dois carros alegóricos, um deles, que prestava tributo às escolas de samba. A bateria confirmou a experiência de Mestre Landinho e pulsou forte no Sambódromo, fortíssima com seus quase 40 tamborins.

A Cartola, escola favorita do público que estava no Sambódromo, desfilou com mais calma que no domingo. Sem "correr" na avenida, a escola mostrou a exuberância de seus carros, fantasias e a alegorias. A bateria do mestre Cartolinha veio melhor que domingo. Ou seja, perfeita.

Definitivamente, a mistura de ousadia e bom gosto do carnavalesco José Horácio, faz da escola a favorita ao título, mesmo com as falhas na evolução e harmonia de domingo, que foram sanadas anteontem, quando a disputa não estava valendo.

A Tradição, agora da Zona Leste, além da Coroa, Azulão e Corinthians, também foi outra escola prejudicada pela decisão de não valerem os pontos do segundo desfile. A escola veio melhor que no domingo, quando dois carros quebraram na avenida.

As belas fantasias das baianas e da comissão de frente novamente chamaram a atenção do público. Segundo o presidente da escola, Chiquinho Saes, a Tradição veio para conquistar no mínimo o vice-campeonato.

Mais uma vez a Mocidade amanheceu no Sambódromo, tendo que lutar contra o cansaço dos figurantes e do público.

A escola voltou a fazer um desfile bonito, mais acertado que no domingo, apesar dos poucos integrantes.

Um dos destaques foi o decorador e carnavalesco Paulinho Keller, que vestiu a camisa da escola do coração e deu margens

à especulações de que ele seria o carnavalesco da escola no ano que vem. Este ano, a diretoria da Mocidade rachou pouco antes do primeiro desfile e o carnavalesco Jorge Santana disse ter sido agredido no barracão da escola, horas antes do desfile.

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