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Redação
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Perfil dos moradores da Falcão muda

A Vila Falcão, o mais antigo bairro de Bauru, está passando por uma mudança. Atualmente, não somente ex-ferroviários moram no local, mas também estudantes e profissionais liberais. Eles procuraram o bairro devido ao fácil acesso ao centro e quantidade de estabelecimentos comerciais que há no local.

A região também tem vocação para o ensino. São mais de cinco escolas estaduais atendendo a região. Além disso, há o Instituto Toledo de Ensino (ITE), que atende 3.500 alunos entre os cursos de Direito, Economia, Ciências Contábeis, Administração de Empresas e Serviço Social.

A estudante Cristina Camargo, 23 anos, está morando há três anos na Vila Falcão. Ela disse que escolheu o bairro porque é muito tranqüilo e também pelos vários estabelecimentos comerciais que possui. "Conheci o bairro através de amigos e vi que morando na região facilitaria minha vida. E foi o que aconteceu", afirma.

O desenhista Humberto Souza, 34 anos, também escolheu a vila para viver devido à proximidade do centro da cidade. "Morando na Falcão, em cinco minutos chego

à cidade. Isso permite que eu tenha mais tempo para minha profissão e para mim", relata.

Em 1914, os lotes começaram a ser vendidos, pouco antes da construção das oficinas da antiga Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, que foram iniciadas em 1923. Por isso, os próprios funcionários da ferrovia construíam suas casas ao redor do local de trabalho, para facilitar a vida cotidiana.

O ex-ferroviário Antônio Pereira Barbosa, 73 anos, mora na região desde que nasceu. Atualmente, vive com a esposa Maria Corrêa Barbosa, 73 anos, na Vila Souto, mas já morou na Vila Falcão e adjascências quando trabalhava para a ferrovia. "Comecei a morar na região da Vila Falcão porque trabalhava como metalúrgico na antiga ferrovia e, assim, minha vida era facilitada, saía do trabalho e chegava rápido em casa", conta Barbosa.

Moradores mais antigos gostam do bairro devido

à tranqüilidade e foram repassando a idéia para seus filhos e netos. É o caso da dona de casa Aparecida Conceição Caetano da Silva, 59 anos, que mora há 37 anos na Vila Falcão. Ela criou seus filhos no mesmo bairro até cada um ter sua própria vida e eles também moram na região. "Sempre criei meus filhos nessa vila e não pretendo sair daqui, porque gosto muito da movimentação que há no comércio e da tranqüilidade que me proporciona".

Casas de madeira

As tradicionais casas de madeira, construídas no início da ferrovia, marcam a característica local do bairro. Entre as residências de alvenaria pode-se encontrar várias de madeira. Coloridas ou não, reformadas ou apenas recém-pintadas, as casas resistem ao tempo, dando um "ar" antigo à vila.

Com o surgimento da ferrovia, por volta de 1910, iniciou-se um processo de migração para a região de Bauru, envolvendo um grande contingente de pessoas. Por isso, a construção de habitações para abrigar a todos deveria ser rápida. Contudo, os ferroviários acabavam utilizando recursos da própria floresta, como a madeira, para construir suas casas ao redor da ferrovia.

Várias casas de madeira foram construídas ao longo da ferrovia tanto para habitar os que ali chegavam, quanto para abrigar os ferroviários. De acordo com historiadores, os funcionários da ferrovia deveriam morar próximos de seu trabalho para facilitar a freqüente manutenção da ferrovia e também para manter a vigilância dos trens.

Muitos moradores ainda têm casas de madeira, porque trazem boas recordações. Outros, passaram suas residências para os filhos, para que eles continuem a perpetuar a história da propriedade e do bairro.

Escolinha do Noroeste"atua com 150 alunos"

A região da Vila Falcão se sente privilegiada com a variedade de estabelecimentos no local. Infelizmente, a ferrovia se foi, mas deixou alguns projetos ativados, como a a Escolinha de Futebol do Noroeste, criada para amadores, profissionais, crianças e adolescentes.

A escola continua funcionando e atendendo 150 alunos por categorias: Dente de Leite para crianças dos 11 aos 13 anos, a Infantil, que envolve adolescentes dos 13 aos 14 anos, a Juvenil, para aqueles que têm entre 15 e 17 anos, e Juniores, para jovens entre 17 e 20 anos. Em cada categoria existem cerca de 30 integrantes.

Segundo o supervisor de futebol do Noroeste, João Borges Filho, a escola atende crianças e jovens de todas as classes sociais e vai encaixando-as conforme suas aptidões. "O adolescente é trazido pelo pai ou responsável e já se enquadra em alguma fase. Para cada idade há uma categoria onde o aluno pode se encaixar e, quando se sobressai nessa etapa, é colocado em outra", explica.

A escola funciona às terças e quintas-feiras a partir das 14 horas e não são realizados testes para que as crianças possam participar das equipes. Normalmente são duas horas de treinamento. Um professor de educação física dá exercícios físicos e treina os meninos com jogos de futebol.

A equipe Juvenil da Escolinha do Noroeste participou de um campeonato no ano passado na cidade e foi campeã, o que lhe deu o direito de representar Bauru no campeonato estadual. Neste ano, a mesma categoria está se preparando para disputar o campeonato da Secretaria Municipal de Esportes e Lazer (Semel).

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