Bauru deverá ter gestão plena da Saúde
Texto: Fabiana Teófilo
Durante a visita do ministro da Saúde, José Serra, ontem em Bauru, o prefeito municipal, Nilson Costa, afirmou aceitar o desafio de implantar a gestão plena da Saúde na cidade. Para Serra, a municipalização não ocorreu ainda em Bauru por incompetência da administração passada. "Faltou competência da Prefeitura local. Acredito que o novo prefeito é um homem sério e deverá trabalhar nesse sentido", disse.
O ministro disse, ainda, que falta muito para conseguir o ideal na área da Saúde, ou seja, dar o que a população merece, mas que o Ministério está empenhado em melhorar cada vez mais o sistema de saúde no Brasil. Ele disse que, na maioria das vezes, os problemas que ocorrem nessa área são causados pela má administração do dinheiro enviado pelo governo.
Serra afirmou que o Ministério envia a Bauru, aproximadamente, R$ 260 mil por mês de fundo perdido para ser aplicado na
área da saúde. "Não trago nada novo para a cidade. Continuamos com nosso trabalho. Bauru recebe R$ 260 mil por mês e acho que muita gente não sabia disso", contou.
Questionado sobre a paralisação da campanha de vacinação contra febre amarela, ele disse que a vacina continua sendo obrigatória para as pessoas que viajam para as regiões de risco. O ministro explicou também que, nos últimos dois anos, foram administradas 30 milhões de vacinas e ocorreram somente dois problemas. "Está sendo feito um estudo pela Secretaria para analisar os problemas com mais profundidade", disse.
O Centrinho de Bauru também foi visitado pelo ministro que afirmou apoiar o trabalho efetuado no local. "Nós damos um apoio imenso para o Centrinho e, por isso, fiz questão de passar por lá", disse.
O ministro, José Serra, cobrou sobre a falta de interesse de Bauru pelo programa lançado pelo Ministério chamado
"Programa de Saúde da Família". "Esse programa é crucial para o município e, no entanto, Bauru é a região que menos expandiu nesse sentido", afirmou.
Esse programa, segundo o ministro, envolve um médico, uma enfermeira, dois auxiliares de enfermagem, agentes de saúde para atender as famílias carentes na atenção básica. "O Ministério dá, pelo menos, um terço do custo dessa equipe", afirmou. Ele disse, também, que já existe mais de quatro mil equipes atendendo 18 milhões de pessoas em todo o Brasil. Segundo o ministro, o ideal é chegar a 20 milhões para atender, pelo menos, metade da população. "Até hoje, dos 41 municípios da região de Bauru, apenas cinco implantaram o programa, totalizando sete equipes", disse.
Para Serra, o papel da mídia é importante para conseguir fazer com que mais cidades implantem o programa visando uma melhoria no setor da saúde.
O prefeito, Nilson Costa, aproveitou a presença do ministro para colocar, em público alguma reivindicações. Ele pediu liberação de verbas para a ampliação e melhoria dos Prontos-Socorros Central e Bela Vista, para compra de equipamentos de hemodiálise para o Hospital de Base, assistência e apoio para a Casa da Gestante e disse, ainda, ter uma esperança de, com o apoio do ministro, reiniciar as obras para a construção do hospital de 400 leitos nas proximidades no Núcleo Geisel.
Sem paciência
Alegando ter vindo a Bauru para falar apenas de saúde, o ministro, José Serra demonstrou falta de paciência costumeira quando questionado sobre assuntos políticos. Na verdade, ele somente respondeu o que lhe interessava e a quem lhe interessava.
Sobre seu nome ser citado como sucessor de Fernando Henrique Cardoso disse que é um debate prematuro, inconveniente e sem sentido. Sobre os anistiados disse não estar a par do assunto.
Quanto as denúncias feitas pela ex-esposa do ex-prefeito Celso Pitta, o ministro disse ter ficado abismado com as acusações.
"Essa turma do Maluf é tudo meio assim, mas não imaginei que fosse chegar a esse ponto", afirmou.