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Horário do comércio

Paulo Toledo
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Comerciantes endurecem discurso

Texto: Paulo Toledo

Os comerciantes da área central começam a endurecer seu discurso. Toni Tobias, 33 anos, vice-presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib), e Walace Sampaio, 50 anos, do Sindicato do Comércio Varejista de Bauru (SinComércio), confirmam que existem lojistas que querem começar a demitir já, caso seja confirmada a autuação de alguma loja, em razão da abertura no sábado dia 4.

A expectativa é de que os comerciantes consigam reverter o quadro na Justiça, nesta semana, uma vez que o prefeito Nilson Costa (PPS) vai indeferir, hoje, o pedido de alvará feito pelos lojistas para abertura em todos os sábados. Ontem, a Assessoria de Imprensa da Prefeitura adiantou que o posicionamento permanece o mesmo, ou seja, o Palácio das Cerejeiras vai cumprir a lei municipal que rege o assunto, não fornecendo a autorização.

Os comerciantes da área central não admitem a idéia de perder cerca de 15% de seu faturamento mensal, valor estimado em caso de fechamento às 13 horas em três sábados do mês. Tobias afirma que, dependendo do porte da empresa, esse índice é a linha divisória entre o lucro e o prejuízo da empresa.

Sampaio destaca que a diminuição da jornada, que trará como conseqüência a redução de faturamento, faz com que seja reduzida a necessidade de funcionários. Assim, a demissão vai se tornar inevitável em caso de não abertura em todos os sábados.

Tobias ressalta que existem vários fatores que devem ser levados em consideração, em relação ao comércio. Ele destaca que, se as demissões começarem a ser efetivadas, dependendo da faixa etária do empregado que perder o posto de trabalho, fica difícil que consiga uma recolocação. Outro ponto que pode dificultar, em muitos casos, é o grau de escolaridade que o mercado está exigindo dos novos contratados, cada vez mais alto, em razão da grande disponibilidade de mão-de-obra existente.

O vice-presidente da Acib disse que a panfletagem realizada pelo vereador Paulo Agustinho (PTB) nas lojas, antes da assembléia que decidiu a recusa da proposta dos patrões deixou os comerciários inseguros em relação à votação, levando-os ao não. Porém ele afirma que, agora, se o comércio conseguir abrir as lojas via judicial, extra-acordo, os comerciários devem perder os benefícios que estavam ofertados (cesta básica e alimentação no sábado). Segundo ele, até lojistas que tradicionalmente concediam benefícios, mesmo antes do acordo, já ameaçam retirá-los.

Tobias destaca que o centro da cidade é uma das áreas que mais contribui com Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e é a que tem menos direito de abrir. "Queremos isonomia de horário com a zona sul", afirmou.

Justiça

Walace Sampaio disse que o SinComércio está aguardando, apenas, que a Prefeitura se posicione oficialmente sobre o pedido de alvará que foi feito na última sexta-feira. De acordo com ele, o Departamento Jurídico do sindicato está preparado para uma nova investida junto à Justiça para tentar obter o amparo legal para abertura em todos os sábados.

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