Preço da gasolina chega a R$ 1,24
Texto: Paulo Toledo (*)
O preço da gasolina, em Bauru, chegou a R$ 1,24, ontem, numa redução de 9,48% em relação aos R$ 1,37 que era praticado logo após o aumento de preços, em 1.º de março. Não se sabe bem quem puxou o preço para baixo, mas grande parte dos postos já acompanhou e, para os próximos dias, os outros devem seguir a mesma sistemática. Alguns donos de postos dizem que o preço de R$ 1,24 é inviável, pois está muito próximo ao preço de compra da distribuidora, e que pode causar a quebra de algumas empresa. Porém, o certo é que a concorrência foi fundamental para a queda dos preços.
Desde a semana passada, alguns postos já vinham ensaiando reduções nos valores praticados. Porém, ontem, a queda de preços se espalhou pela cidade e dois postos, o Santa Rita, na avenida Rodrigues Alves, e Petrofort, na rua Alves Seabra, já vendiam a R$ 1,24. Outros postos como os da rede Garbrás, alguns da Flag, alguns da rede Elefantinho e outros pela cidade já haviam baixado para R$ 1,25. No posto da Petrofort, a gasolina aditivada custa R$ 1,25.
O gerente da rede Garbrás, Anselmo Mozer, disse que o objetivo
é oferecer ao consumidor um preço mais acessível. A rede possui sete postos e é abastecida pela BR Distribuidora.
"Nós optamos por oferecer o que o consumidor quer, que é preço, mesmo tendo uma pequena margem de lucro", disse Mozer.
A direção da distribuidora Flag admitiu que a redução de preço em seus postos se deu de forma a acompanhar o mercado. Porém, afirma que este preço não
é real e que o valor ideal para os postos é em torno de R$ 1,32.
Para Mozer, para obter o lucro normal com o combustível, o preço de comercialização teria que ser acima de R$ 1,30, como estão vendendo alguns postos na cidade, mas a rede optou por ter uma margem de lucro inferior.
Vale lembrar que, em outras cidades, a gasolina pode ser encontrada com um preço inferior ao comercializado em Bauru. Em Piracicaba, por exemplo, há postos que estão vendendo o combustível a R$ 1,15. Em Ribeirão Preto, R$ 1,20 e em Mogi das Cruzes, a gasolina foi encontrada a R$ 1,23.
Não existe uma explicação factível para a diferença de preço do combustível comercializado em Bauru comparado à outras cidades. Nenhum representante do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo pôde ser encontrado para comentar a redução do preço do combustível.
Mozer disse que o proprietário da rede Garbrás de Bauru foi ao Rio de Janeiro para tentar negociar um melhor preço com a BR Distribuidora.
Um proprietário de posto de Piracicaba que não quis se identificar, essa negociação não é necessária. Ele disse que é possível ter lucro vendendo a gasolina mais barata. "O que acontece é que esses donos de postos estão acostumados a ganhar muito em cima, mas tem que manerar, o lucro existe, mas dentro de um limite", afirmou.
Mozer disse, ainda, que a gasolina nos postos da rede Garbrás continuará sendo comercializada a R$ 1,25 por tempo indeterminado.
"Não sabemos até quando vamos poder comercializar por esse preço. Estamos esperando a volta do proprietário para ver o que decidimos", contou.
(*) Colaborou Fabiana Teófilo
Preço pode causar quebradeira
Donos de postos que operam com as bandeiras Texaco, Esso, Ipiranga, Agip e Shell, na zona sul, dizem não entender como os concorrentes conseguem praticar valores entre R$ 1,24 e R$ 1,25 na venda da gasolina comum quando o preço de entrega dessas distribuidoras varia entre R$ 1,1605 e R$ 1,21.
Na tarde de ontem, sete donos de postos que atuam na região se reuniram para fazer a comparação de seus preços de custo e, assim, tentar descobrir uma fórmula para reduzir os preços praticados em seus postos, para acompanhar a concorrência, que estaria vendendo a um preço irreal.
Edvaldo Tuschi, disse, em nome dos outros proprietários de postos reunidos, não entender como se pode praticar um preço de R$ 1,25 pagando para a distribuidora valores próximos a R$ 1,20. Ele lembra que, sobre o preço de custo é preciso considerar que os empresários ainda vão pagar contribuição social, Imposto de Renda e despesas de funcionários. Além disso, o governo estabeleceu que a cobrança do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) deverá ser sobre R$ 1,53. Quem vende por menos não tem direito a receber o crédito da diferença praticada.
Ele destacou que, em Bauru, a maior parte dos postos operam com bandeira (representam uma marca). Tuschi disse que, com certeza, a maioria dos postos vai ter que reduzir os preços para R$ 1,25, levando muitos a passarem por dificuldades financeiras, com o risco de quebra. Porém, afirma o representante, o preço, mais cedo ou mais tarde, terá que ser elevado e, assim voltar aos preços praticados até anteontem, entre R$ 1,32 e R$ 1,37, dependendo do posto. Ele diz que, depois, as pessoas não devem acusar os donos de postos de estarem fazendo cartel para elevar novamente os preços.
Ele diz que alguns postos de Bauru têm capacidade financeira para manter o preço a R$ 1,25 por mais tempo. Sobre o valor mais baixo cobrado em outras cidades, ele afirma que é preciso ver a nota fiscal dessas cidade e verificar se "a sociedade está perdendo ou ganhando". (PT)