Bauru terá Saúde da Família em 2000
Texto: Daniela Bochembuzo
Introdução do programa nas unidades de saúde depende da implantação do projeto de agentes comunitários na cidade
A Secretaria Municipal de Saúde deve implantar ainda em 2000 o Programa de Saúde da Família, lançado pelo Ministério da Saúde. A informação
é de Sonia Maria Alessio Alves Fiocchi, 47 anos, secretaria interina da Saúde.
Com a afirmação, Sonia responde à cobrança feita por José Serra, ministro da Saúde, em relação
à implantação do programa na região de Bauru. Em visita realizada anteontem à cidade, Serra disse que a região era a que menos tinha expandido o projeto no estado de São Paulo.
Na área abrangida pela Divisão Regional de Saúde
(DIR - X), de acordo com Serra, apenas cinco dos 41 municípios implantaram o programa.
Em Bauru, a implantação do Programa de Saúde da Família depende do início das atividades do Programa de Agentes Comunitários, cujo processo de contratação deve ser realizado ainda neste semestre.
"A implantação do Programa de Saúde da Família, aparentemente, parece ser muito simples, mas não é. O problema é que precisamos lidar com questões burocráticas, as quais incluem várias etapas, cujos trâmites nem sempre são rápidos", explica Sonia Maria Alessio Alves Fiocchi.
Embora a implantação do programa esteja atrelado ao projeto de agentes comunitários, Sonia adianta que a secretaria já está desenvolvendo os estudos para a contratação de profissionais de saúde que participarão das equipes de saúde da família.
Para realizar esses estudos, técnicos da secretaria chegaram a visitar a cidade de Marília, onde o Programa de Saúde da Família foi implantado em novembro de 1998 .
A expectativa é que as equipes iniciem suas atividades ainda este ano. De acordo com o projeto da Secretaria Municipal de Saúde, os grupos irão atuar no Jardim Godoy e no Parque Jaraguá.
O Jardim Godoy foi escolhido por ter desenvolvido no ano passado projeto piloto de agentes comunitários. Já o Parque Jaraguá terá o programa em razão de haver número expressivo de pacientes de baixa renda.
Equipes
As duas equipes do programa serão formadas por um médico, uma enfermeira, dois auxiliares de enfermagem e agentes de saúde. Os profissionais deverão ser moradores da área onde irão atuar.
Segundo a secretaria interina de Saúde, o médico deverá ter formação generalista. Esse perfil
é necessário, em razão do profissional atender a domicílio e ter contato direto com a população.
"O médico da família deve ter formação mais ampla, sendo capaz de fazer atendimentos pediátricos, clínica médica e ginecologia e obstetrícia. Ele deverá atender da criança ao idoso", diz Sonia.
Esse atendimento familiar resulta em diferentes formas de abordagem. O prontuário, por exemplo, é da família e não do indivíduo. Nele, constam dados de cada elemento que reside em determinada residência.
Para a secretária interina, o Programa de Saúde da Família deverá trazer vários benefícios.
"A aproximação com a comunidade permitirá conhecer a realidade dela mais a fundo, favorecendo o trabalho de prevenção", afirma.
Para custear o programa, o Ministério da Saúde entra com um terço dos recursos. O restante deverá ser pago pelo Município, daí o fato de muitas cidades paulistas não terão implantando o projeto até o momento.
Em Marília, programa reduziu demanda por medicamentos
Após 16 meses de implantação, o Programa de Saúde da Família da Secretaria Municipal de Saúde de Marília já conseguiu reduzir a demanda por medicamentos de pressão alta e desenvolver projetos comunitários entre a população atendida daquela cidade.
"O Programa de Saúde da Família é um novo modelo e um novo jeito de fazer saúde. Os pontos positivos são inúmeros e o principal benefício é a aproximação do profissional de saúde com a comunidade", afirma a média Marilda Siriani de Oliveira, 46 anos, coordenadora do programa em Marília.
Marilda é uma entusiasta do Programa de Saúde da Família. Seu entusiasmo é comprovado por fatos: redução da demanda de pacientes pela rede municipal de saúde, ampliação do trabalho de prevenção e ampla adesão da comunidade.
A adesão explica-se pelo estabelecimento do vínculo entre médico e família e também pelo fato dos membros da equipe do programa pertencerem à comunidade em que trabalham.
"Quando o profissional pertence à comunidade, ele tem motivos para tentar mudar a realidade da mesma. Ele se mobiliza e isso traz reflexos na saúde da população", explica.
Como exemplo, Marilda cita o caso de uma agente comunitária que é professora de educação física. No bairro onde trabalha, a funcionária desenvolveu programas de atividades físicas, como caminhadas, para grupos de hipertensos.
Ao fazerem exercícios e receberam informações sobre a doença, os hipertensos reduziram os fatores de risco e melhoraram sua qualidade de vida. O resultado: menor uso de medicamentos e, até mesmo, exclusão do uso do remédio no tratamento.
Em outro bairro, comunidade e equipe se uniram para implantar rede de esgoto. Conseguiram e, melhor, sem a ajuda do poder público.
Das sete equipes que atuam hoje em Marília, todas promoveram mudanças em suas comunidades, afirma a coordenadora do programa. "Tivemos muitos avanços e isso aconteceu em todos os grupos", garante.
O próximo passo da Secretaria Municipal de Saúde de Marília é promover a junção do modelo de Unidade Básica de Saúde (UBS) com o modelo proposto pelo Programa de Saúde da Família.
"Acredito que o modelo ideal possa estar na junção desses dois trabalhos. Desenvolver esse projeto é a nossa meta e nosso desafio", conclui Marilda. (DB)