Obras do cemitério vertical são retomadas
A construção do cemitério vertical da Vila Cardia foi retomada há cerca de duas semanas. Idealizado pelos membros da extinta Associação Maçônica Mantenedora de Sepulcrários Particulares (Amasp), que visava repassar o dinheiro obtido com a venda de lóculos (gavetas de sepultamento) para instituições assistenciais da cidade, o Memorial Bauru - Necrópole Ecumênica Vertical, agora está a cargo de empresários da cidade.
A previsão é de um prazo de 15 meses para início dos sepultamentos.
O subsolo, onde ficarão o estacionamento, a zeladoria, os sanitários e o depósito, e o térreo, local onde serão os velórios, a capela, a sala para o café, apartamento para descanso, os sanitários e a administração, estão em construção.
A paralisação das obras, que haviam sido iniciadas em 1996, teria ocorrido por falta de respaldo do poder público municipal e da sociedade em geral, de acordo com o ex-presidente da Amasp, José Antônio Volpato. Apenas 541 lóculos foram negociados através de venda ou permuta, num total de 8.694. Sobre a dissolução da Amasp, seu ex-presidente preferiu não tecer comentários.
Segundo informou, a idéia dos maçons era repassar os valores obtidos para instituições de caridade de Bauru, sem usufruir dos lucros. Para isso, o preço dos lóculos estavam abaixo do mercado, saindo por cerca de R$ 3 mil, quando o normal seria o quádruplo. Por mês, o desembolso estava na casa dos R$ 80,00. Por falta de verbas para "tocar" a obra, a Amasp achou por bem repassá-la para a iniciativa privada. "Foi em consideração
à cidade e àqueles que contribuíram, cujos direitos estão assegurados", ressaltou Volpato.
Empresários da própria cidade, cujos nomes não foram divulgados, estão à frente do empreendimento. Segundo Volpato, foi firmado um "compromisso moral"
(não formal) com o grupo, classificado de "idealista como os membros da Amasp", prevendo a reversão de 1% dos ganhos obtidos para a filantropia. A decisão foi tomada em outubro do ano passado, após diversas conversações, e o empreendimento está em fase final de transferência.
"Assim que terminar a parte documental, terá início a divulgação para comercialização", disse.
Dificuldades
A idéia de construção do cemitério vertical, a princípio, não agradou aos moradores da região, que temiam a dispersão de cheiro ruim e a desvalorização do bairro. Para modificar a má impressão, a Amasp organizou uma viagem à cidade de Santos (São Paulo), que tem um empreendimento nos mesmos moldes. O resultado foi positivo: os 40 moradores que estiveram lá aprovaram a construção. Segundo Volpato, além da funcionalidade, os cemitérios verticais chegam a transformar-se em ponto turístico nas cidades onde são instalados.
O ex-presidente da Amasp disse, ainda, que muitas melhorias foram feitas no local, como ajuda para a Prefeitura na recuperação da rua, evitando que a água das chuvas acumulada dentro do Cemitério da Saudade continuasse atingindo as residências próximas, desobstrução e construção de bocas-de-lobo, dentre outras. O cemitério vertical também representaria, segundo o entrevistado, uma alternativa para Bauru, que já não teria mais espaço para a construção de vagas para sepultamento.
Como será o cemitério vertical?
O plano original permanece o mesmo. Trata-se de dois blocos, um com sete e outro com 14 andares, interligados por uma torre de três elevadores, que deve "mudar a cara" da quadra 15 da rua Ezequiel Ramos, onde está sendo instalado. A primeira etapa de construção compreende o bloco
"A", com capacidade para 2.898 lóculos. No total, serão 8.694 à disposição.
Sua disposição vertical pretende racionalizar a ocupação dos espaços sem agredir o meio-ambiente, por serem lóculos impermeabilizados, lacrados, com sistema de exaustão aeróbico, sem qualquer contato com o solo. De acordo com o engenheiro responsável, Miguel Jorge Diban Readi, isso evita a contaminação do lençol freático e a entrada de insetos e roedores, comumente encontrados nos cemitérios convencionais.
O prédio, que pelo projeto tem uma fachada de shopping center, deverá contar com apartamento de descanso para familiares durante o velório, ambientes apropriados para receber portadores de deficiências (sem escadas), acabamento em mármore (que facilita a higienização), presença constante de um zelador que residirá no local, permitindo atendimento 24 horas também para visitação, uma capela ecumênica e cadeiras em todos os andares.
Medo de ser enterrado vivo?
Outra novidade do Memorial Bauru - Necrópole Ecumênica Vertical, será um aparelho chamado de Neovida, cuja função
é possibilitar que pessoas sepultadas em estado cataléptico, ou seja, de morte aparente, sejam retiradas vivas.
De acordo com o folder da Amasp, a "catalepsia é um estado mórbido, ligado à auto-hipnose ou à histeria, caracterizado pelo enrijamento dos membros, insensibilidade, respiração e pulsos lentos", que pode levar a crer na morte da pessoa. Segundo Volpato, não são raros os casos de sepultados vivos, que acabam morrendo, posteriormente, por asfixia.
Desenvolvido pela Amasp em parceria com o Serviço Nacional da Indústria (Senai), o aparelho consiste na colocação de sensores dentro da urna mortuária, sem agressão física. Qualquer movimento pode ser captado, segundo o entrevistado, acionando um sistema de alarme que levará a central de processamento a ativar um sistema de oxigenação, enviando ar através de uma mangueira localizada dentro da urna, enquanto outra retira o gás carbônico. Se o sepultado estiver realmente morto, a liberação de gases da decomposição também serão registradas pelo sistema, propiciando tranqüilidade aos familiares.