Jardim Estoril investe em urbanismo
Os bairros que formam o Estoril (Estoril I, Estoril II, Estoril III e Estoril IV) são de grande significado para a formação urbanística de Bauru. Eles influenciaram nas transformações do modelo urbanístico que a cidade tinha antes da década de 50, considerado como moderno. O Estoril traz um novo modelo: um urbanismo pós-moderno.
"É o urbanismo da exclusividade social e, de certa forma, segregacionista, porque foi implantado para demarcar um território urbano para as elites econômicas e sociais da cidade", afirmou José Xaides de Sampaio Alves, professor de Urbanismo na Faculdade de Arquitetura da Unesp de Bauru e doutorando em Gestão Urbana de Bauru.
Tanto do ponto de vista do mercado imobiliário como do ponto de vista simbólico, a Zona Sul é a área mais valorizada na cidade e exclusiva da classe econômica mais alta.
As evidências físicas desse modelo pós-moderno podem ser notadas nos Estoril I, II e III. Eles foram planejados com a meta de criar espaços funcionais e simbólicos que expressassem essa exclusividade, buscando diferenciação do traçado urbano.
As quadras são diferentes do urbanismo moderno, não seguem o modelo tradicional da região central da cidade. Há maior independência e afastamento dos fluxos gerais da cidade, maior privacidade, gerando um modelo de ruas mais exclusivas.
"Olhando a planta do bairro junto de toda a região da cidade, percebe-se claramente que os bairros que formam o Estoril são os únicos que rompem o traçado ortogonal, quadrado e histórico da região. Assim, esse rompimento com a cidade e com o urbanismo moderno, pode ser lido como uma vitória das forças mercadológicas, afirmando as diferenças e a exclusividade do modelo novo, que não
é o melhor, mas que marcou claramente o local dessa classe social mais privilegiada", disse Xaides.
O Estoril IV, apesar de ser o mais antigo, recebeu esse nome. Ele manteve a estrutura e o traçado do urbanismo moderno de Bauru.
O Estoril, em geral, é tipicamente residencial e possui hoje excelente infra-estrutura. Ao contrário de bairros mais periféricos, o poder público não precisou investir dinheiro em áreas de lazer ou prestação de serviços, já que esses recursos foram locados em grupos particulares.
"Por ser destinado a uma classe social mais alta, o Estoril nunca precisou e, de certa forma, nunca vai precisar possuir instalações de serviços ou áreas de lazer. Para essa classe social, os recursos de serviços de infra-estrutura foram locados em grupos particulares, não dependendo do poder público. Sinal disso são as existências, quase que exclusivas, do Santuário Nossa Senhora de Fátima e da Luso", explicou o professor de arquitetura.
O bairro criou sua própria identidade cultural. Todos os pontos de referência importantes são ligados à cultura portuguesa, começando de sua própria denominação, Estoril, uma cidade de Portugal.
Outra característica importante da região é o alto nível dos padrões residenciais, que vão desde casas grandes até verdadeiras mansões. Por sua característica de exclusividade, o Estoril se tornou um bairro identificado com a elite de Bauru e que adquiriu os maiores preços por metro quadrado no mercado imobiliário, o que, mais uma vez, influencia na demarcação da elite bauruense no local.
O bairro era exclusivamente residencial. A partir de 1994, foi possível se discutir a introdução de corredores comerciais, como nas avenidas Comendador José da Silva Martha e Nossa Senhora de Fátima. Mas, mesmo assim, o surgimento desse comércio sempre sofreu críticas de seus moradores. O Estoril IV, que é o mais antigo, possui um uso mais misto entre comércio e serviços. Nos demais, o uso é exclusivamente residencial. Hoje, junto ao Estoril IV, há grande concentração de bancos e outros tipos de comércio. Há também um grande número de escolas particulares.
O Estoril é um dos bairros mais arborizados da cidade e também possui várias praças. O Estoril IV, por exemplo, tem sete praças. Porém, o mato alto está cobrindo a beleza dessas praças. Falta capinagem.
Raio-X
Área da região (Estoril I, II, III e IV e V. Zillo): 1.044.416 m2
Quadras da região: 86
Lotes da região: 1184
População estimada da região: 3200 habitantes
Localização: Zona Sul
Comércio: Supermercados, farmácias e drogarias, postos de gasolina, açougues, padarias, livrarias e papelarias, lojas, lanchonetes, bares e restaurantes
Escolas: EE Christino Cabral; Creche São Judas e São Dimas; Lar Escola Santa Luzia para Cegos, diversas escolas particulares
Prestação de Serviço: Agências bancárias (Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, caixa eletrônico do Banespa, Caixa Eletrônico 24 Horas, Sudameris, Itaú, Unibanco, unidade DAE; Unidade de Atendimento
às Agências do Interior de São Paulo da Nossa Caixa
Igrejas: Santuário Nossa Senhora de Fátima e Igreja São Judas Tadeu e São Dimas
Bairros que compõe a região: Estoril I, Estoril II, Estoril III, Estoril IV e Vila Zillo
Principais acessos: avenidas Comendador José da Silva Martha, Nossa Senhora de Fátima e Getúlio Vargas, e as ruas Rio Branco, Gustavo Maciel, Gerson França, Azarias Leite e 13 de Maio
Creche do Amor e Caridade atende 52 crianças
O Centro Espírita Amor e Caridade mantém um departamento na Vila Zillo. Lá funciona uma creche, em sistema de semi-internato, que atende a 52 crianças, com idades entre 3 e 14 anos.
As crianças, moradoras da Vila Zillo e do Parque das Nações, que já estão estudando, entram de manhã na Creche, tomam café, participam das atividades programadas pela instituição, recebem reforço escolar, tomam banho, almoçam e vão para a escola. Quem ainda não estuda ou vai para a escola no período da manhã, recebe as atividades à tarde.
A entidade desenvolve vários programas com as crianças e suas respectivas famílias. Dá atendimento médico e odontológico e complementação alimentar.
O Centro Espírita Amor e Caridade mantém o departamento na Vila Zillo há mais de 20 anos. Começou com reuniões para trabalhos de evangelização. Depois de um episódio curioso, em que uma mulher grávida de gêmeos ficou sem ter onde morar, porque o marido ateou fogo na casa e foi embora, o Centro Espírita começou a expandir e criou a creche.