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Erika de Lima
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CTI da Unesp promove cursos para alunos da Apae

Texto: Erika de Lima

Aprender a trocar pneus, trabalhar no computador e com fios eletrônicos são atividades que 20 alunos da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Bauru, estão desenvolvendo no Colégio Técnico Industrial (CTI) da Unesp, há cinco semanas. Os cursos fornecidos pelo colégio desde o dia 14 de fevereiro, são de Mecânica, Informática e Eletrônica, ensinados por seis professores da própria escola, que trabalham voluntariamente.

Além dos três professores de Informática, dois de Eletrônica e um de Mecânica do CTI, há também monitores, psicólogas e fonoaudiólogas da Apae que trabalham em conjunto para agilizar o processo de profissionalização.

A Apae optou pelo programa, de profissionalização, que será realizado até o final do ano, para ampliar o número de alunos qualificados para o mercado de trabalho. Já existem seis alunos trabalhando. Um está no Departamento de Água e Esgoto (DAE), o outro na Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) e quatro no restaurante Piatto D'Oro. Os órgãos e o estabelecimento fizeram um convênio com a Apae, que tem duração de seis meses.

Segundo a presidente da Apae de Bauru, Olga Bicudo, a intenção

é inserir os alunos, portadores de deficiência, no mercado de trabalho. "Estamos fazendo vários convênios para que nossos alunos tenham uma formação profissional".

Embora a presidente da entidade afirme que o programa está sendo excelente para os alunos, o diretor do CTI, Carlos Augusto Magalhães ressalta que não foi feito nenhum contrato formal. "O projeto da Apae é interessante e como o colégio é um órgão público deve estar prestando serviço à comunidade. Ainda não formalizamos nada, mas estamos em fase de experimentação, só pelo fato dos alunos freqüentarem um outro ambiente já é um grande benefício", argumenta.

Esse tipo de trabalho está sendo realizado pela primeira vez em uma escola e, de uma certa forma, está levando os professores a procurar uma forma adequada para ensinar. Magalhães ressalta que o programa de qualificação profissional

é apenas um projeto "piloto". "É uma experiência nova para nós, por isso, estamos avaliando como está o andamento do projeto, para desenvolvermos técnicas e usá-las durante o programa. Ainda não sabemos qual didática utilizar", salienta.

A professora de ensino médio II, Kátia Lívea Zambon, disse que ela e os demais professores estão estudando métodos para as aulas se tornarem interessantes. "Nós temos dificuldade por não conviver com eles, mas estamos desenvolvendo técnicas, juntamente com os profissionais da entidade, para dinamizar as aulas e ensiná-los".

A experiência já está sendo válida para ambos os lados. Tanto para os professores que, demonstraram-se perdidos, mas contentes com o novo desafio, quanto para os alunos que tiveram a oportunidade de freqüentar outro ambiente, além da própria Apae.

Os alunos Edson de Souza, Paulo Francisco e David Arceli estão gostando dos cursos. "Estou gostando muito de todos os cursos, principalmente porque venho para uma escola diferente", conta Souza.

A fonoaudióloga Silvia Marta de Moura e Silva, enfoca que essa nova experiência está sendo muito válida para os jovens da entidade. "Esse contato com outras instituições

é muito importante para o crescimento profissional e pessoal de cada um".

Não são só os professores e alunos que estão contentes com o projeto, mas também os pais. A dona de casa Margarida Fátima Carolino, disse que ficou muito alegre com o programa de profissionalização. "Eu não tenho condições de pagar um curso para minha filha Carla e, esse chegou em boa hora, porque pode ajudá-la a ter uma qualificação profissional".

Margarida Fátima contou uma curiosidade de sua filha. "A Carla ficou tão feliz que até começou a ir estudar de ônibus, sendo que ela nunca gostou", lembra.

Alunos da Apae fazem curso de tapeçaria

Além do curso no CTI da Unesp, os alunos da Apae também estão se inserindo em outros, como o curso de Tapeçaria promovido pelo Centro Cultural. Desde o último dia 17, 12 alunos foram inscritos e, já estão participando das atividades, que decorrerão até o final de abril.

Segundo a estagiária de Psicologia Pricila Foger Marques, isso demonstra que os alunos estão sendo inseridos na sociedade de forma atuante. "Estamos procurando meios para que os jovens da Apae estejam participando de várias atividades na comunidade".

A entidade também firmou convênio com a Cetesb, na

última segunda-feira, com o objetivo de integrar os portadores de deficiência como estagiários nas empresas e estabelecimentos da cidade.

Apae inicia novos cursos em abril

A partir de abril os cursos de jardinagem/horticultura e pães caseiros serão realizados no Centro de Treinamento Girassol da Apae. Alunos, familiares e a comunidade poderão participar do aprendizado.

Os cursos de jardinagem/horticultura, que serão ministrados por funcionários da Secretaria Municipal do Meio-Ambiente

(Semma), acontecerão nas quintas e sextas-feiras, no período da manhã. Já as receitas de pães só deverão ser apresentadas uma vez por mês, por representantes da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral

(Cati).

Mais informações podem ser obtidas na Apae através do telefone 236-1100.

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