PT se divide sobre rumos eleitorais
Texto: Daniela Bochembuzo
Em reunião extraordinária, petistas irão discutir se adiarão o encontro partidário que definirá os rumos da legenda para a próxima eleição
Uma reunião extraordinária marcada para hoje, às 19 horas, poderá adiar a definição dos rumos eleitorais do PT para a eleição deste ano. O partido está rachado em relação ao assunto. Um grupo defende a manutenção do dia 16 de abril como data limite para a militância deliberar sobre o lançamento de uma candidatura própria ou por coligações. Já a outra corrente prefere adiar a decisão final para maio ou junho.
A questão do adiamento começou a ser questionada na semana passada. Na última sexta-feira, membros da comissão eleitoral teriam se reunido para debater a questão. O grupo, formado por José Carlos Batata, Cláudio da Silva Gomes, Jesus Garcia, João Félix Neto e José Braz, teriam votado unanimamente pelo adiamento.
A posição da comissão eleitoral foi levada
à executiva municipal do partido, a qual acatou a solicitação no último sábado. Ontem, porém, Jesus Garcia, membro da coordenação da ala Opção PT, começou a dar entrevistas aos meios de comunicação locais negando ser favorável ao adiamento da decisão sobre os rumos eleitorais do partido.
"A unanimidade em torno do adiamento não é verdadeira. A reunião de sexta-feira não foi oficial e não assinei nenhum documento em que concordava com essa mudança", afirma Garcia.
Estela Almagro, presidente municipal do partido, ficou irritada com as declarações de Garcia. "O posicionamento dele enquanto militante foi um atropelo e acredito que ele deverá ser avaliado por isso. Não estou dizendo que ele será julgado eticamente, mas poderá ser", disse.
A postura de Jesus Garcia será um dos tema da pauta da reunião extraordinária de hoje. "Diante de todas as crises que o PT enfrentou, não podemos abrir precedentes para que um militante se adiante em relação ao que a militância considera melhor para o partido", afirma Estela.
Além do posicionamento de Garcia, a reunião deliberará sobre o adiamento ou não da prévia eleitoral marcada para o dia 16 de abril.
Pelo adiamento, pesa o fato de apenas um candidato a prefeito
(Roque Ferreira) e dois a vereador (José Carlos Batata e Jesus Garcia) terem se inscrito para concorrer à próxima eleição. Se o prazo fosse dilatado, acredita Estela, seria possível preparar novos candidatos e fortalecer o partido para o pleito de 2000.
O adiamento também está sendo cogitado em face do cenário da sucessão municipal não ter sido delineado com transparência. "Precisamos esperar melhores posicionamentos de Pedro Tobias e de Tuga Angerami para saber se iremos compor nos coligar a ele para compor uma frente centro-esquerda ou se iremos lançar candidatura própria", avalia.
Estela considera arriscado definir a coligação ou a candidatura própria no dia 16 de abril. "O cenário não estará definido e poderemos colocar em risco a nossa participação na sucessão municipal se fecharmos nossa posição em abril", analisa.
Já Jesus Garcia afirma que é possível traçar rumos políticos decisivos na reunião do dia 16.
"O tempo não é escasso. O processo está sendo atropelado como forma de dividir a opinião da militância. Se o adiamento for considerado necessário, é porque houve falha na gestão municipal em dar andamento aos rumos do partido em Bauru", conclui.