Megaoperação rende dez prisões
Texto: Rita de Cássia Cornélio
Polícias Militar e Civil se uniram na "guerra" contra a criminalidade e em cinco horas de trabalho revistaram 398 pessoas
Uma mega operação envolvendo as polícias Civil e Militar de Bauru, na região Noroeste da cidade, demonstrou, antes de qualquer coisa que o trabalho conjunto pode ser o remédio certo para a "guerra" contra a criminalidade. Em cinco horas de trabalho, 398 pessoas foram revistadas, 220 veículos fiscalizados, 10 pessoas foram presas. Duas armas e entorpecentes foram apreendidos, além de 12 buscas residenciais cumpridas.
A região Noroeste/Oeste da cidade, área abrangida pela 3ª Cia da PM e 1º Distrito Policial, compreende mais de 100 bairros, dentre eles o Parque Jaraguá, Santa Edwirges, Jardim Bela Vista, parte da Vila Falcão, além das favelas do Jaraguá, Andorfato e São Manuel. Ao todo são aproximadamente 120 mil moradores que, diariamente sofrem com as ações dos marginais.
Para minimizar o avanço da criminalidade, as policias se juntaram. Foram empregados 31 policiais civis; oito delegados e 23 investigadores; 49 policiais militares; três oficiais e 46 praças dos pelotões Noroeste/Oeste, Gepom e padrão. As delegacias especializadas Dig/Garra e Dise, Força Tática e Trânsito apoiaram toda a operação
"pente fino".
O resultado do trabalho de cinco horas ininterruptas foi: cinco flagrantes; um de roubo, um furto, um porte de arma e dois tráfico de entorpecente. Dez pessoas presas; sendo nove homens e uma mulher; um ato infracional. Duas armas apreendidas. Dos 220 veículos fiscalizados, três foram recolhidos e 11 multados.
A tática empregada na operação é de saturação. As duas policias se juntam e entram em todos os bairros. Os marginais "trombam" com policiais e se recolhem, fazendo com que a incidência criminal naquela região da cidade, sofra uma queda. A repercussão junto a comunidade também soma pontos na luta contra o crime. Quando a comunidade se sente segura, denuncia as ações marginais para a polícia.
Planejamento
A operação conjunta está sendo planejada há 15 dias pelo delegado titular do 1º DP, Marcelo Nagib Haddad e pelo comandante da 3ª Cia da PM, capitão Wellington Luiz Venezian, a pedido do delegado seccional, Antonio
Ângelo Ciocca e pelo comandante do 4º BPM/I coronel Antonio Sérgio Marsola e da comunidade que compõe o Conseg 1º DP.
Ontem, por volta das 15 horas, todos os policiais escalados se apresentaram no 1º DP, onde foram divididos em grupos. Cada grupo recebeu uma função. Os policiais de trânsito fizeram os bloqueios. A Dig/Garra ficou encarregada de apoiar e fiscalizar os desmanches, oficinas e todo estabelecimentos comercial que envolve peças e veículos. A Dise ficou com a responsabilidade de atuar nos locais onde havia suspeita de tráfico.
A experiência deu tão certo que outras áreas da cidade receberão o mesmo tratamento. Cada semana, uma
área específica da cidade será alvo do pente- fino das polícias.
Visita indesejável
A polícia é para a população envolvida com a criminalidade, uma visita indesejável. "Trombar" com policiais pode significar passar alguns dias atrás das grades, por isso, muita gente se recolhe quando a polícia entra em circulação. Se por um lado pode parecer ruim, por outro, pode significar menos crimes na área. Quando as pessoas não se encontram, as brigas, o tráfico e até os crimes mais graves, deixam de acontecer, pelo menos por um período.
A visita da polícia em pontos estrategicamente estudados estava preparada para evitar as fugas. A equipe era dividida de maneira a fazer um cerco no local pré-determinado, evitando que os marginais pudessem fugir pelos fundos ou pelos lados do imóvel.
Flagrante encontra droga no varal
Denúncias de populares levaram policiais da Dise até uma residência, no Jaraguá. Maconha foi encontrada secando no varal
A equipe da Delegacia de Investigação Sobre Entorpecente, Dise, começou a tarefa pela favela do Parque Jaraguá, no bar da Marlene. Muitas denúncias da população levaram a polícia ao local. O bar, que era uma barraca fincada na frente da residência, na quadra dois da rua Anima Hamad Jacovan, estava com boa freqüência no momento em que as polícias chegaram.
Um menor tentou sair correndo. Foi visto e abordado. Negou que estivesse envolvido em qualquer coisa errada. A casa do lado do bar foi revistada. O menor que estava nela, jogou uma pequena porção de maconha pelo ralo da pia. Mas, como não há esgoto, a droga foi pega do outro lado da casa.
A busca continuou e nada mais foi encontrado. Marlene, que é tia do menor, e vizinha, se apavorou. Dizia estar preocupada com a casa dela. Despertou suspeita. Os policiais foram para lá e descobriram que ela secava no quintal, 12 pequenos envólucros de maconha. A droga, muito bem embalada, deveria estar guardada em local úmido. Só era retirada na hora da comercialização.
Desesperada, a mulher que já cumpriu pena por tráfico, negava que a droga fosse sua. Mas, não havia dúvidas, todos presenciaram a apreensão. No interior da casa, dentro de um tênis, os policiais encontraram quatro anéis de bijouteria. Todos com etiquetas e preços, provavelmente, produto de furto trocado por maconha.
A busca continuou e o dinheiro, produto da féria do dia, R$ 177,00, em espécie é encontrado. Marlene Correa da Silva é presa em flagrante e encaminhada para Cabrália Paulista. Seu filho, corre para o telefone em busca de um advogado. Os menores são encaminhados para a Vara de Infância e Adolescência. Fim de mais um episódio da vida marginal.
Segundo o delegado titular da Dise, Renato Cagnacci Filho, Marlene montou um esquema para venda de maconha. "Ela fica só com a quantidade suficiente para a venda do dia. Ela vende e recebe o dinheiro. A entrega é feita pelos menores.
No mesmo horário, durante a operação, policiais apreenderam algumas pedras de crack, totalizando quatro gramas, no Parque São Geraldo.
Recuperou a TV
Uma equipe do pelotão Noroeste recuperou uma TV colorida, furtada ontem da quadra 2 da Alameda Granada,Parque Santa Edwirges. A vítima conseguiu identificar o autor do furto através das fotos de marginais da PM.
A TV foi encontrada no mato. O acusado, que foi autuado em flagrante, estava em sua "maison" na favela São Manuel. Wellington Guilherme é velho conhecido da polícia. Já cumpriu pena por furto e não faz 15 dias deixou a cadeia. Voltou ao crime e a cadeia.
Armas
As duas armas apreendidas na tarde de ontem renderam um ato infracional e um porte ilegal de arma com numeração raspada. O revólver calibre 38, foi encontrado na travessa B, Favela do Jaraguá, com Éder Alves de Jesus, 18 anos. Quando menor, ele esteve envolvido numa tentativa de homicídio.
A pistola Bereta, calibre 6.35, municiada com 11 cápsulas intactas foi localizada com um adolescente de 13 anos, na rua Quatro, quadra 19, Parque Jaraguá. Ambas as armas têm procedência duvidosa.
Área abrangida pela operação: região Noroeste/Oeste da cidade
População: 120 mil moradores
Recursos humanos da polícia Civil empregados: 8 delegados e 23 investigadores
Recursos humanos da PM: 3 oficiais e 46 praças
Recursos materiais da Policia Civil: 8 viaturas
Recursos materiais da PM: dois Táticos, cinco motos e sete viaturas padrão
Cumpridos: 12 buscas residênciais
398 pessoas abordadas e identificadas
Fiscalizados 220 veículos
Apreendidos: 3 veículos e aplicados 11 multas
Flagrantes: cinco
Presos: 10
Ato infracional: um
Tráfico: dois casos
Apreensão de duas armas
Apreensão de maconha e crack