Soropositivos vivem em condições precárias no Manoel de Abreu
Texto: Fabiana Teófilo
Os pacientes do Hospital Manoel de Abreu, que fica na Vila Industrial, em Bauru, portadores do vírus HIV estavam vivendo sob condições precárias. O JC recebeu, anteontem, uma denúncia de um dos internos, que relatou os problemas vividos por eles no hospital. A presidente do Conselho Municipal de Saúde, Maria José Majô Jandreice, que também recebeu algumas denúncias, esteve visitando o Manoel de Abreu, durante a manhã de ontem, viu e ouviu dos internos que a situação realmente é precária.
O JC tentou acompanhar a visita com Majô, mas foi barrado pela Associação Hospitalar de Bauru (AHB), administradora do Hospital. De acordo com o presidente da AHB, Joseph Saab, o motivo é ficar afastado da mídia com problemas dessa natureza. "Cada vez que aparecemos na mídia, cai o nosso faturamento", afirmou, como se o equilíbrio financeiro da Associação dependesse da imprensa e não de sua administração.
Após as denúncias, provavelmente, a diretoria do Manoel de Abreu, segundo Majô, realizou algumas mudanças na ala onde estavam internados os pacientes portadores do vírus HIV. Ela, juntamente com outro membro do Conselho, Antônio Carlos Arruda, constatou que o problema já minimizou, mas
"ainda há muito por fazer para oferecer condições adequadas aos internos".
Os denunciantes, segundo Majô, afirmaram que os soropositivos estavam em um quarto com oito internos, sendo que três já se encontram em estado terminal e já não têm condições de controlar os comandos do organismo.
De acordo com Majô e Arruda, esses pacientes vomitavam e urinavam em locais desapropriados e os outros soropositivos eram obrigados a conviver nesse meio. "Eles estavam todos juntos, sendo que são de diferentes situações clínicas", disse Majô.
De acordo com o que foi constatado pela vereadora e por Arruda, os oito usavam o mesmo banheiro, onde a pia reservada para higiene pessoal era também utilizada para limpeza de materiais e equipamentos usados com os pacientes.
"Desde ontem, (terça-feira) se modificou a situação. Os três internos em estado terminal foram transferidos para outro quarto, próximo à enfermaria geral, ficando somente cinco no quarto anterior", contou.
Majô relatou, ainda, que as enfermarias não possuem condições ideais e que os banheiros precisam ser reformados o mais rápido possível. "Os pacientes me disseram que desde ontem a situação já melhorou, mas independente disso, nós pretendemos procurar a direção da AHB para reivindicar a solução dos problemas do Hospital", afirmou.
Ela disse que a situação atual pode ser aceita temporariamente, mas não pode ficar permanente. "Vamos dar um prazo para a Associação e aguardar as mudanças", afirmou. Na próxima semana, Majô Jandreice pretende voltar ao Hospital para constatar se ocorreram as mudanças reivindicadas.
Arruda disse que ouviu a reclamação de um paciente sobre a presença de ratos nos quartos e pretende pedir, junto às outras exigências, uma desratização. Além disso, segundo Arruda, os internos reclamaram sobre o mau tratamento que recebem dos médicos. "Eles falaram sobre um médico que teria destratado muito os pacientes. Não sei até que ponto isso é verdade, mas acho que essa situação também deve ser discutida", disse.