AU da Unesp começa com debate sobre universidade e sociedade
Texto: Daniela Bochembuzo
"Universidade e Sociedade" foi o subtema do primeiro dia da Assembléia Universitária (AU), iniciada ontem. O evento, que acontece até 2 de abril, tem como tema "Unesp: Universidade Pública Gratuita, Democrática e de Qualidade". Mais de 450 delegados, representando alunos, professores e funcionários de 15 campi da instituição, estão participando do encontro em Bauru.
Prevista para acontecer a cada quatro anos, a AU tem como função motivar a reflexão sobre os problemas enfrentados pela universidade. As questões são apresentadas através de teses, as quais devem ser discutidas e votadas. No total, 16 teses devem ser apresentadas durante os quatro dias do evento.
As principais questões a serem abordadas são autonomia e avaliação universitária, gestão universitária, política acadêmico-administrativa e análise de conjuntura, esta última debatida ontem sob o subtema "Universidade e Sociedade".
O subtema foi apresentado ontem por meio das conferências dos professores Roberto Romano, da Universidade Estadual de Campinas
(Unicamp) e José Lúcio Martins Machado, do campus de Botucatu da Unesp. Antes, foi realizado a abertura oficial, que contou com a presença do professor Antonio Manoel dos Santos Silva, reitor da instituição.
Na parte da tarde, grupos de trabalho se reuniram para discutir as teses apresentadas. Às 17 horas, os delegados fizeram uma reunião geral para apresentar as propostas aprovadas.
Hoje e amanhã, o evento tem a mesma programação: conferências e debates na parte da manhã e reuniões de grupos de trabalho e apresentação de propostas na parte da tarde.
No segundo dia de evento, os delegados debateram o subtema "Política Institucional". Amanhã, o subtema será "Gestão Universitária". Na manhã de domingo, os participantes se reúnem para a realização da plenária, na qual será elaborada a moção a ser encaminhada ao Conselho Universitário.
Dentro do organograma da Unesp, é o Conselho Universitário quem tem poder de deliberar sobre as propostas aprovadas na AU.
Investimento
A Unesp está investindo cerca de R$ 300 mil para realizar a AU. O montante inclui gastos com organização, infra-estrutura, hospedagem, alimentação e transporte dos participantes.
Para o professor Antonio Manoel dos Santos Silva, reitor da Unesp, o investimento é alto, mas necessário. "Vale a pena investir porque, primeiro, é uma reunião de toda a comunidade universitária para discutir problemas e a situação atual da universidade e, segundo, porque o futuro nos espera e dentro dele nos precisamos planejar o que vamos fazer", afirma.
O reitor diz ser difícil avançar sem avaliar as perspectivas de futuro para a Unesp. Por essa razão, a realização da AU é essencial para aqueles professores, funcionários e alunos que pretendem manter a instituição como uma universidade gratuita, democrática e de qualidade.
A AU tem participação eqüitativa, ou seja, do total de 450 delegados presentes, um terço representa os professores e o restante é dividido igualmente entre alunos e funcionários.
Além das conferências e grupos de trabalho, a AU também teve espaço para as manifestações. Na manhã de ontem, estudantes montaram barracas em frente ao Anfiteatro Guilhermão para protestar pela moradia estudantil.
Evento está atrasado 12 anos
Prevista para acontecer há dois anos, a primeira Assembléia Universitária da Unesp não foi realizada por dificuldades na organização do evento. Mas, na verdade, a instituição já deveria estar promovendo a sua terceira AU.
A primeira assembléia deveria ter acontecido há 12 anos, um ano após o Conselho Universitário ter aprovado sua realização e tê-la incluído no estatuto da Unesp. A dificuldade em formar comissões nos campi e a falta de informação, no entanto, acabaram por abortar o projeto.
Em 1988, por deliberação do Conselho Universitário, a comissão organizadora central foi formada, culminando na realização da AU em 2000.
O reitor da Unesp, Antonio Manoel dos Santos Silva, atribui a demora à falta de leitura do estatuto da instituição.
"Se a comunidade universitária se informasse sobre os regimentos internos, ela entenderia que o grande poder da universidade está em seus três conselhos, não reside na figura do reitor", garante.
Silva também atribui a demora à inexperiência.
"Como nunca foi montado um evento desse porte, as comissões organizadoras ficaram um pouco perdidas", argumenta.
Problemas à parte, o reitor da Unesp espera que a AU contribua para um melhor entrosamento entre todas as unidades da instituição e suas respectivas comunidades.
"A AU é a oportunidade da comunidade universitária debater o crescimento conjunto a partir da compreensão de suas diferenças, muitas delas bastante complexas", conclui. (DB)