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Virose

Redação
| Tempo de leitura: 4 min

Rótulo "virose" esconde doenças

Dor de cabeça, febre, mal-estar ou diarréia. Os sintomas duram dois dias e você decide procurar o médico. Diagnóstico: "virose". O tempo passa, os sintomas iniciais pioram, mas depois de alguns dias somem completamente, com ou sem medicação. Fica apenas a dúvida: o que aconteceu? Erro de diagnóstico?

Por trás do rótulo "virose", escondem-se diversas doenças. A maioria delas tem cura espontânea e poucas necessitam de tratamento específico. As principais são o resfriado comum, a gripe, as diarréias virais e a síndrome mono-like, uma infecção dos glóbulos brancos do sangue. Na presença desses sintomas,

é sempre recomendável procurar atendimento médico para diagnosticar, medicar e evitar as complicações dessas infecções.

Os sintomas iniciais das várias doenças virais são muito semelhantes entre si. Só a evolução da doença permite ao médico fazer o diagnóstico. Outras doenças também se confundem com as "viroses" na sua fase inicial. "Febre, coriza, tosse e dores musculares podem ser sinal de doenças tão diferentes quanto a gripe, a febre tifóide e a leptospirose", afirma Marta Heloísa Lopes, professora de doenças infecciosas e parasitárias da USP.

A distinção entre as doenças virais é importante para prever a gravidade da infecção e o tempo necessário para chegar à cura. Depois da primeira consulta, se os sintomas persistirem é preciso retornar ao médico nas seguintes situações: febre por mais de cinco dias, catarro esverdeado ou marrom, dificuldade para respirar, chiado no peito, diarréia por mais de três dias ou surgimento de manchas na pele. As complicações da gripe nas crianças são a infecção de ouvido e a broncopneumonia. Nos adultos, os problemas mais frequentemente encontrados são a sinusite e a pneumonia.

O principal tratamento para as doenças virais ainda são os remédios para os sintomas. Para a febre e a dor de cabeça, os antitérmicos e os analgésicos são a escolha mais comum. A congestão nasal deve ser tratada com lavagens do nariz com soro fisiológico. Beber muitos líquidos ajuda a tornar a secreção menos "grossa" e diminui a congestão. Os antibióticos devem ser tomados somente nos casos de complicações provocadas por bactérias, como a infecção de ouvido, a sinusite e a pneumonia.

A diarréia viral precisa de cuidados com a hidratação e com a alimentação. O doente deve beber muitos líquidos (água pura, sucos, chás etc.) e evitar os alimentos gordurosos. No caso da síndrome mono-like, o próprio organismo combate a doença. Poucos vírus podem ser vencidos com remédios. O motivo se encontra na sua reprodução. "Os vírus se multiplicam dentro das células normais do nosso organismo. Por isso,

é difícil desenvolver uma droga que seja específica contra eles" , explica Maria Lucia Rácz, professora de virologia do Instituto de Ciências Biomédicas da USP. Existe uma classe de medicamentos contra o vírus da gripe (influenza) que consegue agir apenas nas moléculas do vírus. No entanto, esses remédios precisam ser tomados nas primeiras horas da infecção para terem efeito máximo -justamente na fase da doença em que ela pode ser confundida com um simples resfriado. Essas drogas são importadas. Mas lembre-se: nunca tome medicamentos sem consultar um médico. (AF)

Vacina contra gripe ajuda idosos

A vacina contra a gripe combate apenas o vírus influenza, mas não os demais vírus que causam a infecção. Sua eficácia é de 70%. Por isso, mesmo as pessoas vacinadas podem ter a doença, porém com menos chances de desenvolver complicações. O Ministério da Saúde fornece a vacina a maiores de 60 anos ou a quem tem doença crônica, como diabetes, problemas cardíacos, renais ou pulmonares. Essas pessoas têm mais chance de adoecer e morrer de gripe.

A campanha de vacinação ocorre em abril e maio. Depois da aplicação, a vacina demora 15 dias para fazer efeito. Por ano, de 10% a 20% da população tem um episódio de gripe. "Todo mundo tem pelo menos um resfriado por ano. Mas gripe para valer acontece, em geral, a cada quatro anos", explica Cláudio Pannuti, da USP.

A vacina da gripe não previne resfriados. Os indivíduos jovens e saudáveis têm pouco benefício com a vacinação. "A eficácia da vacina para essas pessoas é de 60% , disse Pannuti. Mas as pequenas

"epidemias" dentro do ambiente de trabalho podem ser combatidas com o uso da vacina. "As pessoas que trabalham em ambientes confinados e com ar-condicionado se beneficiam dessa proteção", afirma Marta Heloísa Lopes, responsável pelo Centro de Imunizações do Hospital das Clínicas. "Porém, não sou a favor do uso indiscriminado da vacina na população geral", disse.

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