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Texto: Gustavo Cândido
As salas da bate-papo, ou chats, da internet ganham novos usuários a cada dia. O que mais atrai os internautas nesses espaços virtuais é a possibilidade de encontrar e trocar idéias com pessoas de qualquer parte do mundo sem que haja qualquer tipo de contato físico ou visual, o que proprociona - principalmente para os mais tímidos - uma liberdade de expressão que não existe no relacionamento pessoal "ao vivo".
É claro que, com tanta "liberdade", mais cedo ou mais tarde, os relacionamentos iriam saltar do mundo virtual para a vida real. O que, talvez, muita gente não pudesse prever, é que os romances iniciados na internet fossem se tornar uma coisa tão comum, como é hoje.
Um exemplo é o caso do americano Tom Forbes e da bauruense Alcídia de Almeida, que se conheceram numa sala de bate-papo e estão de casamento marcado para outubro próximo. Enquanto a data não chega, Forbes, que esta semana voltou para os Estados Unidos para resolver seus negócios por lá, já que o casal pretende morar no Brasil, está aprendendo português no Centro de Línguas Estrangeiras da USC (CLEUSC). Aposentado e ex-gerente de uma financiadora para compras de carros, Forbes pretende, depois de se casar e mudar definitivamente para o Brasil, montar uma agência que cuide da preparação de casamentos.
E não só os relacionamentos com pessoas de outros países que "decolam". A professora Ana Maria Viera Melo, entrou em um chat com nome de "Cinderella", há um ano em meio atrás. "Depois de três meses conversando apenas com pessoas desocupadas que não queriam nada com nada, encontrei o Paulo, que escrevia com o nome de 'Lula'", conta a professora. "No princípio achei que estava perdendo tempo, mas ele me conquistou com suas palavras", revela Ana Maria Melo. Nesse caso o trabalho do casal para se encontrar foi menor. Apesar de não terem nascido em Bauru, ambos teclavam daqui. Ana e Paulo estão namorando "de verdade", como brinca a professora, há um ano e pretendem ficar noivos logo.
Como no cinema
No filme "Mensagem para Você", com Tom Hanks e Meg Ryan, dois inimigos na vida real (ambos possuem livrarias
- ela uma bem pequena, ele uma megastore) acabam se conhecendo e se apaixonando pela internet. A história se repetiu fora das telas com quase todos os detalhes para Arlindo (que prefere não dizer o sobrenome) e Luciana Sobrinho. "Entrei em um chat sobre esporte e comecei a conversar com uma pessoa, de repente uma outra pessoa (Luciana, com o nome 'Green girl') entrou no meio da nossa conversa", diz Arlindo, "brigamos muito porque ela era palmeirense e eu sou corintiano. Por incrível que pareça depois de brigar por uns três dias, por que ela me perseguia na sala que estivesse, começamos a falar de outra coisa e gostamos um do outro", confessa. Arlindo afirma que hoje, o relacionamento dos dois é maravilhoso mas eles não falam de futebol. Por morarem em cidades diferentes, mas próximas, os dois ainda continuam usando a rede para se comunicar e namorar, sem "sexo virtual", brinca Arlindo.
Apesar do grande número de usuários, as salas de bate-papo não exatamente um local muito seguro para se conhecer as pessoas. Além da possibilidade de se encontrar alguém mentindo sobre sua identidade e intenções, entrar nestes espaços e receber programas de pessoas desconhecidas pode facilitar a entrada de "hackers" no computador
(leia no boxe). Mas nem por isso as pessoas deixam de entrar nos chats. "Entro todo dia à tarde e procuro alguém legal para conversar. Acho incrível o número de pessoas casadas que estão nas salas prontas para traírem os maridos e esposas", diz o estudante Alessandro Camargo. Ele revela que nunca saiu com nenhuma de suas "amigas virtuais", mas que poderia ter se encontrado com várias. "Acho que as pessoas estão tão solitárias que se enganam pensando que têm mais chance de encontrar alguém legal na internet do que na vida real", filosofa, acreditando que ele mesmo faça parte desse grupo.
Lugar seguro e atração
Para a psicóloga, psicodramatista e terapeuta de casais e famílias, Maria Regina Corrêa Lopes Vanin, os relacionamentos virtuais podem ter aspectos interessantes por permitirem o contato entre pessoas de lugares distantes e de outra cultura, o que possibilita muitas trocas de experiências e sentimentos.
"Muitas pessoas procuram o relacionamento virtual por curiosidade, outras por passatempo ou forma de lazer, mas existem também as que desejam conhecer gente nova e estão em busca de um amor", diz a psicóloga. Da acordo com Maria Regina Vanin, isso acontece mais com as pessoas tímidas, que têm dificuldade de estabelecer um contato social. Na internet elas têm um porto seguro e se sentem protegidas pelo anonimato do relacionamento virtual, podendo se expressar sem medos ou constrangimentos.
O perigo desse tipo de relacionamento, segundo a psicóloga
é que a realidade seja substituída pela fantasia e esses internautas acabem optando pelo "virtual" em detrimento do "real". Além disso ela cita o risco de se relacionar com uma pessoa que não existe, porque muitos usuários criam personagens fictícios na internet.
"Existem também casos em que os relacionamentos virtuais interferem nos relacionamentos reais, os parceiros dos 'viciados' em internet até acabam se sentindo relegados a um segundo plano", lembra Maria Regina Vanin. "Pode acontecer também das pessoas se sentirem atraídas virtualmente e depois que se encontrarem acontecer uma decepção, por falta de 'química' ou atração inicial", diz.
Equilíbrio
"Acredito que não há nada de mal em conhecer pessoas pela internet, o problema é quando elas se refugiam na fantasia e deixam de lado a vida real", explica a psicóloga. Para ela, nada substitui as experiências pessoais, por isso acredita que é necessário se obter um equilíbrio e não se deixar absorver pelo computador, ficando tempo demais na frente dele. "Tempo demais é quando você deixa de fazer suas atividades normais para viver em função do computador. É quando ficamos fanáticos ou viciados e não temos outra distração", diz. A etiqueta na Internet A Internet foi chegando devagar, mas de repente invadiu a sociedade
de forma tão intensa que até o mundo dos negócios absorveu a nova tecnologia. Assim, a ferramenta que no início era coisa da
"garotada" saltou para empresas, escolas, universidades, hospitais, etc..., formando um elo estreito com o mundo. O que muita gente não percebeu, porém, é que a velocidade deste sistema passou por cima de padrões sociais importantes. Este é justamente o fio condutor de "Net.com.classe
- Um Guia Para Ser Virtualmente Elegante" (Editora Melhoramentos), de Cláudia Matarazzo.
"O livro chega num momento em que, acredito, é necessário parar um pouco para refletir sobre o que é este mundo virtual que veio para ficar e ocupar um grande espaço", frisa Cláudia. "Estamos precisando ter referenciais de comportamento." Assim, Cláudia criou um novo termo, é o Netiqueta.
"Trata-se de uma nova linguagem que mistura inglês, gírias, abreviaturas e termos técnicos com o português", destaca. Netiqueta é um código de relacionamento e comportamento para navegar pela Internet com elegância e cortesia, salienta a escritora.
Cláudia, que afirma não ser uma internauta fanática, para compor o
"Net.com.classe" teve o apoio técnico de Edilson Cazeloto. "Porém o fato de não ser nenhuma fanática pelo assunto, como os jovens que já
nasceram praticamente dentro deste mundo virtual, me ajudou a analisar a coisa com uma ótica diferente. Para mim isto foi um ponto favorável." É justamente para este público mais jovem que o livro é destinado.
"Acho que a minha geração é a última que se lembra do mundo sem o computador. E cabe a nós passar alguns valores do mundo real para os mais novos", salienta.
Conforme Cláudia, o grande risco do mundo virtual é o fato deste favorecer o desenvolvimento de padrões comportamentais conflitantes. Ou seja, o mundo virtual envolve o internauta de tal maneira que ele começa a ter problemas de comunicação na sociedade. "É necessário que se tenha um comportamento coerente nos dois mundos", destaca. Como exemplo, ela cita os chats.
"Nada tenho contra estes chats, entretanto, sei que este
é mais um canal para que as pessoas façam coisas que jamais teriam coragem de
fazer no plano real", raciocina. "Realizar fantasias desta forma é bárbaro, não está ofendendo ninguém, mas desde que se mantenha uma distância relativa e não deixe que isto tome conta de sua vida", assegura.
No entanto, Cláudia verifica que até para fazer uma "cantada" num chat é preciso ter etiqueta.
"Nestes chats tem gente que perde o limite", lembra. Em situações assim, ela recomenda que se ignore o internauta mais ousado.
Com relação aos e-mails no ambiente de trabalho, a etiqueta condena textos muito longos e as dezenas de mensagens tipo "corrente" que chegam diariamente pelo correio eletrônico. "Repassar isso nem pensar."
Mandar cópias para outras pessoas do departamento, também exige critério. Pela ordem, o chefe deve estar em primeiro lugar; e para evitar melindres, o melhor é que os demais nomes da lista venham em ordem alfabética. Ah, nunca esqueça de assinar um e-mail. E aquela coisa de ficar mandando beijos a cada e-mail para a mesma pessoa não tem a menor etiqueta, garante Cláudia Matarazzo, também autora de "Etiqueta Sem Frescura" (Melhoramentos), "Gafe não É Pecado" (Melhoramentos), "Case e Arrase" (DBA/Melhoramentos) e "Beleza 10" (Senac).
Dicas de netiqueta
* E-mails longos são desaconselháveis, mas o excesso de concisão pode ser mal interpretado
*Nunca enviar oficialmente por e-mail convites formais para festas de grande porte, casamentos e comunicações de falecimento. Isso deve continuar sendo feito por carta
* O mesmo vale para casais. Um e-mail pode ser usado para mandar uma mensagem de bom-dia, mas jamais para discutir projetos de vida
* Deixar de responder a um e-mail é uma tremenda falta de atenção
* Cuidado especial com os termos técnicos e com o "Internetês". Nem
todo mundo está acostumado ao jargão dos internautas
Fonte: Agência Estado
Linguagem da Internet
Abreviações - Para não perder tempo e escrever mais rapidamente, os internautas abreviam muitas palavras: vc
- você, ado - quando, qquer - qualquer, H ou M - homem ou mulher, qto - quanto, tda - toda, p/ - para, Kd - cadê.
Browser - Software usado para acessar a Internet. Os mais utilizados atualmente são o Microsoft Internet Explorer e o Netscape Navigator.
Chat - palavra inglesa que significa bate-papo.
Download - fazer um 'download' significa copiar um arquivo de um site da Internet para o seu computador.
ICQ - Pronuncia-se "Aiciquiu". Do inglês I Seek You (eu procuro você). É um programa de comunicação instantânea que avisa quando alguém está tentando falar com você. Esse programa também permite uma conversação em tempo real.
Emoticons - São códigos especiais criados pelos usuários de bate-papo virtual para demonstrar emoções: Veja alguns exemplos:
:-)@(-: ou :)@(: = Abraço
:*'s = Beijos
>:-( ou >:( = Bravo
>:I = Dúvida
:-) ou :) = Feliz, sorrindo
^..^ = Gatinho (a)
:-@ ou :@ = Gritando
;-) ou ;) = Piscando o olho
:-( ou :( = Triste, infeliz
Home Page - é a página de abertura de um site
Link - expressões ou imagens que ligam uma página a outra da internet
Modem - placa instalada no computador que faz a conexão da rede pela linha telefônica
Programas de busca - sites especialmente desenvolvidos para procurar assuntos e pesquisar na internet
Site - é um conjunto de páginas da Internet
Software - é qualquer programa desenvolvido para computador
Teclar - ou tc, significa conversar, paquerar ou transar virtualmente
Fontes: Conexão Paulista e Agência Folha
Cuidado com a rede!
* Não acredite em tudo o que ler nas telas da internet. Se ela facilita a comunicação, principalmente para os tímidos, também permite que alguns se escondam no anonimato ou finjam ser quem não são. Na dúvida, desconfie sempre
* Evite dar seu endereço, telefone ou nome verdadeiro para pessoas que acabou de conhecer pela internet
* Ao marcar encontro com alguém que conheceu pela rede, escolha lugares públicos e movimentados, como shoppings e praças. Evite locais desertos. Avise sempre os parentes ou amigos aonde está indo
* Se divulgar seu e-mail, saiba que pode começar a receber mensagens indesejáveis
* Se alguém fizer ameaças por e-mail, procure a polícia. Isso é crime, e pode provocar a prisão do autor
* Cuidado com programas enviados por e-mail (exe). Eles podem conter outros programas escondidos que permitem que seu computador seja invadido por hackers. Só execute programas enviados por pessoas confiáveis e conhecidas
* Tenha sempre um bom antivírus na sua máquina. Virus Scan e Norton Antivírus, são dois dos melhores
* Também com o ICQ, todo cuidado é pouco. Muita atenção quando fizer o cadastro exigido para se instalar o programa. Não coloque o nome completo, e-mail principal e telefone, para não receber trotes desagradáveis.
Fonte: Conexão Paulista