Alteração no financiamento habitacional favorece mercado
A alteração do limite máximo de financiamento do Sistema Financeiro da Habitação
(SFH), aprovada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), depois de cinco anos sem mudanças, deve favorecer o mercado imobiliário. A avaliação é do titular da Delegacia de Bauru do Conselho Regional dos Corretores de Imóveis
(Creci), Giasone Albuquerque Cândia, para quem o novo limite abre possibilidade de acesso ao financiamento de uma nova faixa de interessados, que queriam um imóvel de maior valor e não tinham condições de obter o financiamento.
O CMN aprovou a elevação dos limites de financiamento e avaliação dos imóveis para efeito de enquadramento no SFH. Agora, o interessado poderá obter financiamento máximo de R$ 150 mil dentro das normas do SFH um imóvel cujo valor de mercado não ultrapasse a R$ 300 mil. O limite anterior era de R$ 90 mil para o financiamento, sendo que o preço de mercado não poderia ultrapassar a R$ 180 mil.
Para Cândia a decisão é benéfica, uma vez que o novo limite ampliará a faixa de imóveis que poderá ser financiada nas regras do sistema, com um juro máximo de 12% ao ano. Até então, imóveis acima de R$ 180 mil só podiam ser financiados por outros tipos de linhas de crédito, como a carteira hipotecária, que têm juros mais altos do que os praticados no SFH.
Para o delegado do Creci, os limites em vigor desde 1994 estavam fora da realidade do mercado de muitas cidades. Para ele, a ampliação do teto vai ser importante.
"Existiam imóveis que tinham valor acima de R$ 180 mil e não podiam ser incluídos nos financiamentos pelo SFH. Então, agora, se tiver um de R$ 220 mil, vai poder. É uma possibilidade a mais para o corretor de imóveis poder viabilizar um negócio para seu cliente", afirmou.
Giasone Cândia destaca que outra mudança importante, feita na mesma resolução do CMN, foi o aumento, de 60% para 65%, do direcionamento dos recursos captados em caderneta de poupança que os bancos têm que, obrigatoriamente, aplicar em crédito imobiliário. Esse percentual, que já foi de 70%, tinha sido reduzido para 60% no ano passado pelo Banco Central porque a demanda por financiamento estava baixa e a inadimplência elevada.
Para Giasone Cândia, essa elevação vai possibilitar que se tenha mais dinheiro disponível para os financiamentos habitacionais. "Isso é importante para movimentar mais o mercado imobiliário. A disponibilidade do dinheiro é um caminho para se concretizar um negócio", afirmou.
O novo limite, todavia, não deve significar mais recursos imediatos para habitação, em razão do prazo que os bancos necessitarão para fazer as regulamentações e ajuste necessários.