Sindicato vai entrar com ação contra banco
Texto: Patrícia Zamboni
O Sindicato dos Bancários vai entrar com uma ação de reintegração contra o banco Itaú. O objetivo
é conseguir a readmissão de uma funcionária demitida em fevereiro deste ano, após ter sido constatado o diagnóstico de Lesão por Esforços Repetitivos
(LER), doença adquirida por ela na função de digitadora. A ex-funcionária do Itaú, que não quer ter seu nome divulgado pela imprensa, trabalhou na empresa durante 13 anos e meio.
De acordo com Paulo Sérgio Martins, um dos diretores do Sindicato dos Bancários, existem vários funcionários que adquiriram a lesão enqüanto trabalhavam no setor de Processamento de Dados do Itaú, que atualmente não existe mais em Bauru. "Esse pessoal que está lesionado hoje, veio do setor de Processamento de Dados para trabalhar com digitação na gerência desse setor. Estamos confiantes com a vitória na ação de reintegração de mais essa ex-funcionária do banco porque em todas as outras ações desse tipo que demos entrada, nós obtivemos sucesso comprovando que a lesão foi adquirida durante o trabalho no banco. Essas pessoas que vêm do Processamento de Dados são visadas e até discriminadas pelo banco", diz Martins. Segundo ele, o médico do próprio banco confirmou, no exame demissional, a patologia da funcionária, que teria sido demitida por não se encaixar mais em nenhum setor de atividade da instituição.
A funcionária demitida diz que os problemas advindos da lesão começaram a aparecer em 1997, quando ela foi afastada pela primeira vez para tratamento. "Fiquei quinze dias afastada e o médico decidiu prorrogar a licença por mais tempo. Aí eu fui encaminhada para o INSS (Instituto Nacional do Serviço Social), passei pela perícia e foi constatada a LER. Depois disso, o INSS passou a acompanhar o caso fazendo perícia a cada três meses, no máximo, que era quando eu passava pelo médico de lá, sempre com o laudo do meu médico assistente. Ao todo, fiquei afastada um ano e nove meses", conta a ex-funcionária do Itaú.
Durante esse tempo ela passou pelo programa de reabilitação do INSS e fez um estágio no banco no setor de auto-atendimento. Segundo a reclamante, enqüanto ela estava neste programa um funcionário do INSS ficava em contato com o banco para que fosse determinado um novo cargo, no qual ela pudesse continuar trabalhando. Segundo ela, a diretoria do Itaú sempre se manifestou dizendo que não havia vagas para fazer o seu remanejamento. "A essa altura, eu fui informada pela psicóloga do INSS que se o banco não encontrasse uma outra função para mim até uma determinada data, eu seria desligada do INSS e que o banco seria obrigado a arranjar uma vaga para mim. Eles me propuseram trabalhar fora de Bauru, mas eu não aceitei porque meu filho ainda era bebê", conta. No final de 98 ela foi desligada do INSS e voltou para o banco para trabalhar no setor de auto-atendimento de uma agência.
Paralelamente a esse trabalho, a ex-funcionária continuava seu tratamento. Porém, as dores continuaram, e em outubro do ano passado, o médico que acompanhava o caso decidiu afastá-la novamente. "Quando eu voltei a procurar o INSS, recebi a informação de que como eu já tinha sido reabilitada em outra função, eles não podiam fazer mais nada. Quando eu avisei o banco de que o INSS não tinha aceito o novo pedido de licença, eu fui mandada embora. Depois disso, passei pela perícia do médico do próprio banco, ele confirmou a doença e constatou que eu estou inapta, e por isso não poderia ser demitida. Aí o banco disse que mesmo com o laudo médico eles iriam me mandar embora porque eu não me encaixava mais em nenhuma função", contou a ex-funcionária.
O JC entrou em contato com o departamento de Recursos Humanos do Itaú em Bauru, na semana passada, e com a Assessoria de Imprensa do banco em São Paulo, ontem. Apesar disso, não foi possível obter a resposta da diretoria do Itaú sobre o caso até o fechamento dessa edição.