Faturamento das micro e pequenas empresas cresceu 8,7%
Texto: Paulo Toledo
As micro e pequenas empresas tiveram um crescimento médio no faturamento de 8,7%, em fevereiro, se comparado com janeiro. De acordo com a Pesquisa de Conjuntura das Micro e Pequenas Empresas do Estado de São Paulo (Pecompe), realizada pelo Sebrae-SP e Fundação Seade, o aumento tem caráter parcialmente sazonal, já que janeiro é considerado um mês de baixa, mas pode também estar indicando alguma recuperação na economia.
Na análise dos técnicos do Sebrae e da Seade, por setores, em relação a janeiro, a indústria apresentou aumento de 17%, o comércio de 8,2% e serviços registrou variação de 0,8%. Observe-se que a elevação no faturamento das MPEs da indústria superou a variação das vendas nominais das empresas pesquisadas pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que foi de 8,9%.
Para o economista e titular da delegacia de Bauru do Conselho Regional dos Economistas (Corecon), Reinaldo César Cafeo, é preciso levar em consideração que o Carnaval não foi mês de fevereiro, neste ano não, proporcionando um maior número de dias úteis, favorecendo o desempenho positivo.
Na comparação de fevereiro de 2000 com igual período do ano passado, houve um crescimento de 3,7% no faturamento médio das MPEs. A indústria apresentou um faturamento 6,4% superior a fevereiro de 99, o comércio ficou 9% acima e o setor de serviços registrou um nível de faturamento 14,6% abaixo do obtido em fevereiro do ano passado.
Os técnicos do Sebrae e da Seade ressaltam, ainda, que, em fevereiro de 99, o panorama econômico apresentava instabilidade provocada pela desvalorização cambial.
Ocupação
A Pecompe aponta que o nível de ocupação de pessoal nas micro e pequenas empresas paulistas, em fevereiro, permaneceu praticamente estável, com uma queda de 0,1%, em relação a janeiro. Na comparação com fevereiro de 99, houve queda de 2,8%.
Os gastos com salários cresceram 1,9% em fevereiro, se comparado com janeiro. Em relação a fevereiro de 99, a variação foi de 0,2%.
Melhora
Para Cafeo, os resultados da Pecompe e a conjuntura econômica indicam que poderá haver uma melhora gradativa no desempenho das empresas, inclusive as MPEs.
De acordo com o delegado do Corecon, algumas condições apontam para esse quadro, tais como: impacto do aumento do salário mínimo (pequeno individualmente, mas significativo se considerar o agregado); a redução do compulsório do depósito à vista e queda dos juros básicos (redução dos juros); a possibilidade de expansão vinda do setor público
(mesmo mantendo as metas fiscais junto ao FMI); controle da inflação
(mesmo com pressão do petróleo e daqui para frente das tarifas públicas); e a necessidade de crescer.
Na análise dos técnicos do Sebrae e da Seade, o ambiente econômico internacional encontra-se menos conturbado, mas o momento ainda é de cautela. Nos próximos meses, o corte dos juros seguirá lento e a cotação do dólar, cuja queda foi contida pelo Banco Central, deverá continuar oscilando em torno de R$ 1,75 por cada US$ 1,00.
Para Marco Aurélio Bedê, gerente do departamento de Pesquisas Econômicas do Sebrae-SP, a recuperação econômica em curso tende a continuar, mas de forma bastante moderada. "As MPEs devem, portanto, seguir evitando estoques e tomar recursos de terceiros". No entender de Bedê, as MPEs só devem incorrer em novos investimentos caso seu mercado específico ofereça alto potencial.
A Pecompe também prevê um maior crescimento da economia somente a partir de meados do segundo semestre. A recuperação deverá ser alavancada pelo aumento dos gastos públicos, em decorrência da proximidade das eleições municipais, podendo também ocorrer certa recuperação no número de pessoas empregadas, tendo como pano de fundo o aumento do salário mínimo para R$ 151,00. Nos prognósticos, aos poucos, a produção e as vendas dos bens básicos, onde é maior a participação das MPEs, deverão reforçar e acompanhar o crescimento da economia.