Mormons descobrem antepassados
Texto: Fabiana Teófilo
Através de pesquisa, a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias possibilita a descoberta de gerações passadas
A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, mais conhecida como Igreja Mórmon, realiza um trabalho de pesquisa que tem despertado cada vez mais a atenção das pessoas que querem descobrir seus antepassados.
Através de estudos que a Igreja realiza, qualquer pessoa pode descobrir várias gerações passadas. A Igreja possui microfilmes, onde contém registros de nascimentos, casamentos e óbitos de 1500 à 1900 e atuais microfilmados na sua grande maioria. O registro mais antigo conhecido é de 877 DC e está em Lucerna, uma cidade da Suiça.
A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias é a igreja primitiva implantada por Jesus Cristo, segundo os mórmons. Ela foi restaurada em 1830 pelo americano, Joseph Smith e trazida ao Brasil antes da II Guerra Mundial por imigrantes alemães. Atualmente, a Igreja possui 12 milhões de membros em todo o mundo. Em Bauru são três mil mórmons que fazem parte das cinco capelas que há na cidade.
O mormonismo é uma das maiores religiões do mundo. A Igreja está presente em 135 países e, aproximadamente, 60 mil missionários jovens trabalham em tempo integral, pregando o evangelho. A religião cresce rapidamente a cada ano. No ano passado, em Bauru, foram feitos 178 novos batismos e, para este ano, estão previstos mais 252.
Os profetas possuíam placas de latão nas quais estavam contida a genealogia registrada de todas as pessoas desde Adão e Eva e os cinco livros de Moisés. Além das placas de latão, existiam placas de bronze com escritos em egípcio antigo. A tradução das placas foi feita, através de revelações, por Joseph Smith. O profeta Mórmon reuniu todas as placas existentes e fez um resumo, incluindo suas considerações. Daí surgiu o nome Livro de Mórmon que é, segundo eles, o outro testamento de Jesus Cristo e é complementado com a Bíblia Sagrada.
Dentro da Igreja existem os Centros de História da Família
(CHF), onde as pessoas trabalham realizando estudos e pesquisas sobre genealogia. Os mórmons acreditam que um dia Jesus Cristo voltará à Terra e será muito importante para as pessoas saibam quem são seus antepassados.
No mundo existem 3.412 CHFs, incluindo 69 países. No Brasil são 212, sendo que no Estado de São Paulo existem 64 CHFs e destes, 22 estão localizados na capital.
A Igreja possui os missionários que têm a função de pregar o Evangelho e os missionários que trabalham nos CHFs. No Brasil, aproximadamente, 300 voluntários trabalham nos CHFs. Todos os membros da Igreja são voluntários. Eles têm suas profissões e colaboram com a Igreja que é mantida com os dízimos que são pagos voluntariamente pelos membros dos templos e capelas e ofertas voluntárias.
Em Bauru, a Igreja microfilmou todos os registros existentes nos cartórios e nas igrejas locais para que as pessoas que nasceram, casaram ou morreram na cidade estejam registradas, facilitando a pesquisa da árvore genealógica das famílias.
Serviço:
A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias realiza esse serviço, através das irmãs e irmãos voluntários que trabalham no CHF. O horário de atendimento
é de 3.ª a sábado das 19h30 às 22 horas e de 4.ª feira a partir das 15 horas. Em Bauru, há capelas no Núcleo Mary Dota, Jardim Carolina, Altos da Cidade, Vila Independência e no Centro. A pesquisa pode ser feita, também, através da internet, pelo endereço http://www.familysearch.org
Garoto investe em pesquisa
O estudante da 7.ª série do Colégio Estadual Ernesto Monte, Thiago Morales Martins, há um ano realiza uma pesquisa sobre seus antepassados. Ele conta que depois de receber a tarefa de uma professora que pediu um trabalho de montagem da árvore genealógica de sua família, ele se interessou pelo assunto e resolveu investir na pesquisa.
Thiago começou conversando com seus avós e descobrindo a origem dos bisavós. Com isso, ele percorreu igrejas, cartórios e montou um acervo com documentos de nascimentos, casamentos e óbitos de membros da sua família.
Ele está construindo a árvore genealógica de sua família e passa horas na Igreja Mórmon pesquisando os microfilmes que contém informações de interesse para ele. O garoto tem descendentes portugueses, espanhóis e italianos e busca nesses países toda a origem de sua família.
Os pais conseguiram uma autorização do Juizado da Infância e da Juventude para que o garoto pudesse viajar sozinho e com esse documento ele percorre as cidades onde já viveram membros de sua família em busca de mais informações.
"Vou nos cartórios e museus, pesquiso tudo o que posso. Quero construir a árvore completa da minha família e descobrir todos os meus antepassados", afirmou.
Thiago descobriu que seu avô materno foi adotado, mas esse fato não fez com que o garoto desistisse. Ele descobriu os verdadeiros pais de seu avô e pôde seguir com sua pesquisa, que já se encontra na 5.ª geração, faltando apenas alguns dados.
Thiago possui uma pasta onde arquiva todos os documentos que consegue encontrar. "Sou organizado como meu avô. Muitos dos documentos que possuo devo a ele que também era muito organizado", explicou.
O garoto tem um desprendimento incrível ao falar em genealogia. Ele possui um grande conhecimento no assunto e demonstra verdadeiro fascínio pelo estudo dos antepassados. Thiago pretende continuar sua pesquisa e montar a árvore completa de seus ascendentes.
Missionários Mórmons
Os missionários que têm a função de pregar o Evangelho, são jovens que por vontade própria se propõem a realizar esse trabalho. Para mulheres, a idade permitida pela Igreja para assumir o papel de missionárias
é de 21 a 26 anos. Os homens podem iniciar o trabalho com, no mínimo, 19 anos e, no máximo, 26 anos.
Eles saem de seus lares para realizar o trabalho em outros países. Em um mês, enquanto são preparados, aprendem o idioma local e começam a trabalhar. Eles são os responsáveis por seus gastos no país onde ficam por, no máximo, dois anos.
Os missionários Waltman e Yoong, estão no Brasil há um ano e trabalham em Bauru, onde estão alojados. Eles falam o português com uma certa dificuldade, mas dizem que são compreendidos pelas pessoas que visitam com o objetivo de pregar o Evangelho.
O trabalho dos missionários funciona com visitas pré-agendadas, na maioria das vezes. São pessoas que procuram a Igreja para conhecer a religião e agendam uma visita dos missionários que vão na casa dessas pessoas e explicam detalhadamente como a Igreja funciona.
Depois da explicação dos missionários, as pessoas podem participar de ensinamentos proferidos por membros da Igreja e, no caso de interesse pelo batismo, a data é agendada e a pessoa se torna um membro da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.
Yoong disse que decidiu ser missionário porque a Igreja proporcionou muitas coisas boas para sua família e ele quer poder passar isso para outras famílias.
Quanto à saudade, ele afirmou não sentir muita.
"Sei que vou voltar a vê-los, nos correspondemos todas as semanas e ficarei aqui por apenas dois anos", disse.