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Erika de Lima
| Tempo de leitura: 3 min

Grupo invade terreno no Jardim Panorama e apavoram moradores

Texto: Erika de Lima

Cerca de 20 pessoas, entre elas dez adolescentes, invadiram o terreno de Darci da Luz, localizado na quadra 8 da rua Albino Tâmbara, no Jardim Panorama, e passaram a agredir os moradores da redondeza para conseguir alimentos.

Segundo os moradores, o grupo está no local há mais de um mês e vivem pedindo comida, temperos e até cigarros. Eles dizem que o problema não é dar o alimento ao pessoal, mas sim, negar algo como cigarro, por exemplo.

"O pessoal que se alojou no terreno pede alimento o dia todo e, se não damos somos xingados", afirma o vizinho do terreno, Darci Scarel.

O proprietário do terreno, Darci da Luz, espera que a polícia resolva o impasse, para depois tomar alguma atitude. "Talvez venda o terreno, quando for desocupado, por enquanto aguardo providências do Conselho Tutelar e da PM", frisa.

A moradora Luciane Trombini ressalta, que os pais fazem as crianças pedir comida. "Não consigo negar alimento às crianças e, por isso, acho que eles enviam seus filhos para nos fazer pedidos", completa.

Brasília Galvão, uma das moradoras, disse que constantemente vê os adolescentes carregando pacotes de lanches. "O terreno fica próximo às lanchonetes e, isso torna o pedido dos garotos mais fácil".

Entretanto, um fator que preocupa os moradores é a constante briga entre os rapazes, principalmente à noite e aos finais de semana, quando também aumenta a demanda no local. "Hoje

(ontem) pela manhã ouvimos uma briga que parecia terminar em morte. Todos que moramos próximos do terreno, ficamos apreensivos com essas situações", relata Scarel.

Entretanto, além das brigas, alguns alojados também usam entorpecentes como a cola. Moradores disseram que até mesmo durante o dia pode-se ver garotos cheirando o produto. Cenas vistas no cotidiano da população local e que a deixa a todos temerosos, principalmente, por ser um momento em que os usuários ficam mais vulneráveis e até chegam a agredir verbalmente as pessoas.

Brasília Galvão, que levou a reportagem do JC até o local, foi ameaçada de morte por um dos garotos, que deveria ter 13 anos. Além dela, outros moradores dizem sentirem-se ameaçados só pela presença do grupo. No entanto, o grupo quando chegou ao local, segundo moradores, não era agressivo, mas está se tornando cada dia mais. "Eles já pularam em meu quintal e não levaram nada porque as portas e janelas estavam todas trancadas", conta Scarel.

Antes do grupo se alojar no terreno da quadra 8 da rua Albino Tâmbara, estava vivendo próximo a um estacionamento localizado perto da praça da Paz. De lá os jovens, adultos e crianças foram para o Jardim Panorama, onde arrombaram uma casa de madeira situada em frente ao terreno em que se encontram atualmente.

Entretanto, o grupo já se acomodou em outros terrenos da região bem como praças como a Alfredo Lamonica. Por haver crianças no meio da turma é necessária a intromissão do Conselho Tutelar, que já foi acionado pelos moradores da redondeza.

A presidente do Conselho Tutelar, Débora Cristina Fonseca, explica que o órgão foi até ao local, mas não conseguiu tirar ninguém do terreno. "Por isso pedimos ao juiz da Vara da Infância e Juventude, Ubirajara Maintinguer, um mandado de busca e apreensão, que será entregue por um oficial de justiça juntamente com a Polícia Militar", acrescenta.

Por enquanto, apenas uma criança de 12 anos foi retirada do terreno. "Dependemos da justiça para regularizar a situação. Até mesmo o conselho foi ameaçado de morte pelos integrantes do grupo", completa.

Entretanto, se os jovens saírem do alojamento não terão para onde ir. Débora salienta que, não há abrigos na cidade para meninos e meninas que vivem na rua. Portanto, se forem retirados do terreno não terão um local para se abrigarem. Contudo, a presidente reforça que o órgão aplicará medidas de proteção para a criança e sua família, caso também não tenha condições para se manter. E, acolherá em alguma entidade que tenha vaga.

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