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Corrida eleitoral

Daniela Bochembuzo
| Tempo de leitura: 9 min

Pedro Tobias oficializa candidatura

Texto: Daniela Bochembuzo

Pedetista diz que experiência como deputado estadual pode ajudá-lo a administrar cidade; alianças ainda estão em fase de "namoro"

Depois de muitos boatos de bastidores, Pedro Tobias (PDT) finalmente assumiu a sua candidatura. Em entrevista exclusiva ao JC, o deputado estadual explica porque resolveu lançar-se candidato. O pedetista fala de seus projetos políticos para Bauru, como as municipalizações da saúde e da educação, expõe as dificuldades da Assembléia Legislativa e ataca Nilson Costa. Para o pré-candidato, falta vontade política e garra para resolver problemas básicos, como o asfaltamento e a limpeza da cidade. Com a confirmação do nome de Pedro Tobias na disputa eleitoral, o cenário político municipal pode sofrer mudanças sérias e decisivas. "O lançamento da minha candidatura vai adiantar os namoros", diz, referindo-se às discussões sobre coligações políticas. Confira a seguir os principais trechos da entrevista.

Jornal da Cidade - O senhor é ou não é candidato a prefeito de Bauru?

Pedro Tobias - Sou candidato, foi decidido há algum tempo. Coloquei meu nome para o partido, mas a oficialização será somente em junho.

JC- Dentro do partido, o lançamento da sua candidatura

é definitiva?

Tobias - Acredito que sim, mas o PDT está aberto a outras pessoas. Como qualquer partido, o PDT não tem dono. Se alguém tem interesse em disputar a eleição majoritária, isso pode ser discutido.

JC - Nessa decisão foram pesados todos os prós e contras? Quais são eles?

Tobias - Não existe decisão, seja familiar, política ou relativa ao trabalho, em que não se pese os prós e contras. Os prós, eu, com minha formação como cirurgião, estou acostumado a produzir algum coisa. Cheguei na Assembléia e as coisas são lentas. Imagina que um projeto para chegar a uma comissão demora, em média, um ano. Não existe uma produção concreta diária. Acho que, se amanhã for eleito prefeito, terei condição de fazer as coisas que sonhei fazer porque, errando ou acertando, existirão meios para isso. A favor, pesa ainda o fato de ter tido a maior votação em Bauru, quase saí eleito daqui. Contra, há políticos da região contrários pelo fato de acreditar que irão perder um deputado. Mas eu, se amanhã for eleito, acho que Bauru precisa voltar a ter uma liderança na região, ou seja, fazer política regional. Os prefeitos da região precisam se unir para fazer cobranças tanto em Brasília quanto em São Paulo. Hoje, o desenvolvimento deve ser pensado de maneira regional. Como passei dois anos na Assembléia, agora sei o caminho para resolver as coisas. Para quem não conhece isso, talvez seja mais difícil. O fato de ter sido deputado estadual, me ajuda a abrir caminhos para Bauru.

JC - O senhor já conhece os trâmites.

Tobias - Sim e isso é o mais difícil. Tem dinheiro em São Paulo e em Brasília, mas prefeito precisa correr atrás. Acabou o tempo em que deputado chega no governador ou no ministro e consegue verba. Não existe mais isso. Agora, se o prefeito faz projeto bem fundamentado, e vai duas, três, dez vezes, ele consegue e até mesmo pelo cansaço ele consegue. Se for eleito, esse será o meu estilo. Irei atrás do governo federal e do governo estadual porque senão Bauru continuará parada no tempo e no espaço. Marília e Jaú, por exemplo, são campeões de obras.

JC - O Legislativo não resolve nada?

Tobias - O trabalho do Legislativo é muito lento e, infelizmente, isso não é somente na Assembléia, o poder Legislativo no Brasil é muito atrelado ao Executivo. Eu sempre falava aqui que a Câmara era cartório de registro e a Assembléia não fica muito atrás disso.

JC - Já que o senhor teve votação expressiva em Bauru, como o senhor acredita que será a reação do seu eleitorado em relação a sua candidatura?

Tobias - Foi feita uma pesquisa em Bauru sobre isso. Eu não decidi sozinho, o povo aceita minha candidatura. De acordo com a pesquisa, 96% dos meus eleitores querem me ver prefeito. A pergunta era: você quer Tobias prefeito ou deputado? E 96% responderam que me queriam na Prefeitura. Era a única pergunta da pesquisa, que ouviu a cidade toda há 15 dias. Não entraria se a população não fosse favorável.

JC - O senhor acredita que a população tem o entendimento de que o senhor será mais útil na Prefeitura do que na Assembléia?

Tobias - Podemos dividir a população em dois grupos. Um, formado por esse pessoal dos bairros, que quer resolver problemas rapidamente, seja para arrumar uma consulta melhor, conseguir vaga na escola, e para isso não querem saber se sou deputado ou prefeito. O outro grupo me apóia na Prefeitura ou na Assembléia.

JC - Quem será seu suplente na Assembléia Legislativa?

Tobias - Um deputado da Grande São Paulo, acho que

é o Atalaia, não sei o nome completo.

JC - O senhor não se preocupa com o fato de um deputado estranho a Bauru ocupar a sua cadeira, já que a região passará a contar unicamente com Carlos Braga?

Tobias - O Carlos Braga é excelente e vou trabalhar com ele, sem dúvida. Mesmo se for prefeito, acredito que devo trabalhar em conjunto com o deputado pelo interesse da cidade. A pessoa eleita deveria esquecer as picuinhas partidárias e trabalhar por interesse maior, que é a sua cidade. Amanhã, se eleito, irei atrás de Carlos Braga e de outros deputados, dos quais conheço quase todos, estou deixando 93 amigos na Assembléia para fazer essa parte política. Já sei o caminho. Esses dois anos que fiquei na Assembléia me ajudarão. O fato de não estar lá não interfere em nada. Hoje, se o prefeito de Bauru pede uma audiência com o Covas ou um deputado, acredita em mim, o prefeito de Bauru consegue mais rápido. O poder Legislativo perdeu a autonomia e estamos amarrados pela Constituição. Estamos perdidos entre as instâncias federal e municipal.

JC - O senhor imaginava que seria assim?

Tobias - Não, mas é uma experiência da qual não me arrependo. Vi e conheci outro meio e, na vida, tudo que se conhece a mais se aprende. Estou satisfeito e não posso reclamar da minha experiência como deputado. Em dois anos, sendo um novato, consegui pegar a presidência da comissão mais disputada, a Comissão de Saúde. Tem gente que demora de dois a três mandatos para conseguir chegar até essa comissão e eu consegui.

JC - Esse peso político da Comissão de Saúde pode facilitar as coisas para o senhor como prefeito?

Tobias - Sem dúvida nenhuma. Hoje, o pessoal de saúde quase semanalmente se reúne com o secretário de Saúde e nós estamos estudando o plano de municipalização para Bauru. Amanhã, se eleito, quero a municipalização plena da saúde bauruense. Isso significa que todo o dinheiro público vem para Prefeitura, entrando no fundo municipal de saúde. Com isso, é possível definir prioridades. A municipalização é um 'abacaxi' para o prefeito, porque o povo saberá quem será o responsável pela saúde. É um desafio, mas é necessário para minimizar problemas de saúde.

JC - O senhor também pensa em municipalizar a educação?

Tobias - Sou favorável à municipalização da educação. Sem isso, Bauru está perdendo R$ 6 milhões por ano do Fundef, quase R$ 500 mil por mês, que daria para construir uma escola por mês. Com esse convênio, sugeri à secretária do Estado da Educação que o professor do Estado não possa ser removido sem que ele queira. No passado, algum prefeito perseguia professores e mudava-os de unidade. O pedido, sugerido há sete meses

- porque também sou membro da Comissão de Educação

-, foi acatado e está vigorando em cidades que adotaram a municipalização da educação. Agora, o professor muda se quiser. Outra coisa: com a municipalização, a fiscalização é mais direta. Se podemos descentralizar tudo, é melhor.

JC - As correntes contrárias dizem que, com a municipalização, o ensino para crianças de zero a 6 anos fica descoberto. Como o senhor avalia essa crítica?

Tobias - Não é assim, porque o dinheiro da Fundef é para ser aplicado de 1.ª a 4.ª séries. A Prefeitura tem a sua parte, o que ela não assume fica para o Estado. Veja bem, o Estado é longe, com prefeito aqui, liderança aqui, fica mais fácil fazer planejamento. Com a descentralização, as coisas ficam mais fáceis, embora haja a cobrança e o desgaste do prefeito. Com a municipalização, a população será melhor tratada porque não ficará abandonada, como está pelo Estado.

JC - Quais são as outras propostas do PDT para o governo municipal?

Tobias - Nós estamos discutindo tudo, mas o que a população mais quer, e isso foi apontado nas pesquisas,

é a manutenção e limpeza da cidade e isso não custa dinheiro, mas vontade política. Fizemos um projeto junto ao governador Covas para retomar as obras do Hospital Regional e acredito que isso seja anunciado o mais rápido possível. Tem a obra famosa do viaduto e precisamos terminar, mas o prefeito não tem condições de fazer e o dinheiro precisa vir de fora. Precisamos retomar a viabilização da obra, porque ela já começou, agora não

é hora de questionar se ela é boa ou ruim, muito dinheiro já foi investido lá. Essas obras foram irresponsabilidades. Por isso, graças a Deus, saiu essa lei de responsabilidade fiscal. Isso vai colocar mau administrador perante a Justiça. Agora, tapa-buraco e limpeza, isso é falta de vontade política. Prefeito e secretário têm que acompanhar ações municipais. Não adianta ser somente honesto, isso é obrigação de todo mundo, precisa ter dinamismo e garra, acompanhar obras

às 6 horas da manhã.

JC - Como o PDT está conduzindo a política de alianças?

Tobias - Estamos conversando com vários partidos, ninguém é sozinho, mesmo ganhando a eleição. Estamos em fase de namoro e espero chegar a casamento. Mas não posso falar pelos partidos. Eles é que devem comunicar a aliança, preciso ser ético. No momento, estamos conversando com quatro partidos. Está tudo em discussão, como nos diretórios estaduais. Até convenção, tudo é discussão.

JC - A oficialização de sua candidatura pode apressar o namoro?

Tobias - Lógico. Se não tem noivo, não sai namoro. Isso é natural.

JC - Além do senhor, Tuga Angerami, Tidei de Lima e Nilson Costa já oficializaram suas candidaturas. A disputa será muito difícil?

Tobias - Não tem disputa fácil. Nenhuma eleição

é fácil. Respeito todos os candidatos, qualquer um, mas a população é que vai avaliar quem

é melhor. Quem chega de salto alto, quebra a cara. Sou muito humilde e acho que cheguei muito longe como estrangeiro e fui o mais votado na cidade, então, sou grato e não sei se algum dia poderei recompensar essa gratidão e confiança em mim. Espero que a população continue confiando em mim.

JC - O senhor se afastará do Legislativo?

Tobias - Não, não é necessário. Ficará muito complicado aliar campanha e candidatura, mas farei as duas coisas no primeiro semestre. No segundo semestre, darei meu lugar ao suplente para assumir comissões dos quais participo. Vou continuar porque esse é o meu dever.

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