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Disputa eleitoral

Fábio Grellet
| Tempo de leitura: 5 min

Eleição em Lençóis vai opor 3 chapas

Texto: Fábio Grellet

Marize, Zé Rubens e o atual prefeito devem polarizar a disputa; tradição é que o segundo na eleição anterior se eleja

Em Lençóis Paulista, a eleição para prefeito deve ser polarizada entre três candidatos: o atual ocupante do cargo, José Prado de Lima, o Pradinho (PFL), que quer aproveitar a possibilidade de se reeleger; José Antonio Marise, candidato pelo PMDB e segundo colocado nas últimas eleições; e José Rubens Pietraróia, candidato pelo PL e vice-prefeito de Lençóis entre 1993 e 1996, na gestão de Admilson Vanderlei Bernardes

- quando atuou, efetivamente, como secretário de saúde. Há um outro suposto candidato a prefeito, Clóvis Higino Pereira Neto, o Mosca, que, filiado ao PTN, aparentemente não tem chances de se eleger, conforme avaliam líderes políticos locais.

O vereador João da Banda (PTB), embora se proclame candidato a prefeito, admite fazer uma aliança com Marise ou José Rubens, para ser vice na chapa de um deles - e o mais provável

é que venha a se unir com José Rubens. Este, embora não confirme como definitiva a aliança - afinal,

"ainda é tempo de negociar os apoios" -, crê que João da Banda seja um bom nome para compor sua chapa.

2º sempre vence

Uma das curiosidades que a eleição municipal oferece, em Lençóis, é a tradição surgida desde 1988: o candidato que fica em segundo lugar, elege-se prefeito na eleição seguinte. Foi assim com Admílson Vanderlei Bernardes, que perdeu para Ézio Paccola em 1988 mas se elegeu prefeito em 1992, e com José Prado de Lima, que perdeu para Bernardes em 1992 mas chegou a prefeito em 1996. Por isso, os partidários do PMDB proclamam, sem medo de quebrar o encanto, que 2000 é o ano de Marise, segundo colocado na última eleição, ser alçado ao cargo de prefeito. Evidentemente, seus adversários acreditam que já é hora de romper a tradição...

PMDB

O candidato do PMDB, porém, parece estar com bastante disposição para enfrentar esta disputa: diz estar negociando o apoio do PV, PSB, PDT, PPS, PSL, PSD e PHS. Com parte deles, o apoio já estaria definido. Ao constituir alianças com esses partidos, além de ampliar seu tempo no programa eleitoral gratuito e ganhar mais apoio, Marise consegue evitar a concorrência dos dois vereadores mais votados na última eleição municipal, que estariam agora dispostos a enfrentar a corrida pela Prefeitura, mas teriam abandonado o projeto para apoiar o candidato do PMDB: são Ailton Aparecido Laurindo, o Tipó

(PPS), que obteve 675 votos no pleito de 1996, e Altair Aparecido Toniolo, o Rocinha (PV), que conquistou 622 votos naquela eleição.

Funcionário do Banco do Brasil, Marise tem 48 anos e já foi vereador por duas legislaturas, entre 1989 e 1992 e entre 1993 e 1996. Nos anos de 95 e 96, atuou como presidente da Câmara Municipal, comandando o Poder Legislativo lençoense, mas ao final daquele ano foi derrotado por Pradinho, na disputa pela Prefeitura.

José Rubens Pietraróia, por sua vez, é médico e tem 42 anos. Foi vice-prefeito e secretário municipal de saúde entre 1993 e 1996 e candidato derrotado a deputado estadual, nas eleições realizadas em outubro de 1998. Filiado ao PL, ele afirma que está negociando com partidos dispostos a apoiá-lo, mas prefere não divulgar quais são. Sobre seu candidado a vice, também prefere não adiantar informações definitivas, embora admita que João da Banda é um bom nome: "Tudo vai depender das alianças que estabelecermos", explica.

Pradinho

A situação de Pradinho, que foi vice-prefeito entre 1988 e 1992, durante a gestão de Ézio Paccola, depois conseguiu a segunda maior votação, em 1992, quando perdeu para Admilson Bernardes, e finalmente se elegeu prefeito, em 1996, é de luta pela reeleição.

Embora ainda não admita publicamente - ele deve anunciar sua candidatura apenas depois das comemorações do aniversário da cidade, que completa 142 anos em 28 de abril, Pradinho já está se articulando para lançar-se

à reeleição.

O candidato, porém, parece não ser o favorito nessa disputa. Ele tem enfrentado forte oposição entre os vereadores de partidos concorrentes, que não cansam de criticá-lo. Pradinho chegou a reclamar da falta de apoio, mas as críticas parece que pegaram também entre a população: analistas da cena política em Lençóis avaliam que a popularidade de Pradinho está se reduzindo. Mas, se anda perdendo a popularidade, por outro lado o prefeito tem o benefício de estar gerenciando a cidade e, assim, deve tentar reverter essa suposta desvantagem nos próximos meses, tomando decisões populistas

às vésperas da eleição. Uma delas, aliás, já foi anunciada: o ingresso na Facilpa (a Feira Agropecuária, Comercial e Industrial de Lençóis Paulista, evento que comemora o aniversário da cidade) será gratuito, ao contrário dos anos anteriores

(no ano passado, por exemplo, era cobrado R$ 7 pelo ingresso para assistir aos principais shows).

Pradinho pode ter, ainda, o apoio do PSDB, que atualmente parece estar dividido na cidade. Sem bancada na Câmara, já que os dois vereadores eleitos pelo partido o deixaram no decorrer do mandato, o PSDB está envolvido com a administração atual através de Ideval Paccola, adversário de Pradinho na eleição municipal de 1992, mas atual diretor do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE), uma autarquia municipal.

A força de Paccola

Se Paccola - cuja família figura tradicionalmente no cenário político de Lençóis - está disposto a apoiar Pradinho, outra liderança do partido na cidade, Sérgio Marun, candidato a prefeito pelo PSDB em 1996, estaria disposto a apoiar um dos candidatos de oposição

(Marise ou José Rubens), conforme afirmam lideranças políticas locais. Ainda não se sabe qual das alas vai prevalecer, mas há quem avalie que Paccola teria perdido parte de sua força política, ao decidir se integrar

à administração atual. E o analista que diz isso, um vereador da oposição, destaca: "O Ideval garantia, a cada eleição, pelo menos uns 2 mil votos, mas parece que a aliança com Pradinho lhe trouxe algum prejuízo".

Trocando vice

Para ganhar votos, Pradinho estaria disposto a trocar o vice de sua chapa, João Miguel, por alguém que lhe traga novo fôlego. O próprio nome de Paccola seria uma das alternativas, aliás - embora considerada remota, ao menos por enquanto.

De qualquer forma, as cartas estão na mesa e, agora, só os eleitores - 33.796 cadastrados até o final de fevereiro, em Lençóis - vão poder dizer quem é que vai administrar o município entre 2001 e 2004.

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