Botucatu tem 5 candidatos na disputa
Texto: Fábio Grellet
Quatro deles se enfrentaram na eleição de 96 e um já foi prefeito de Pardinho; Arthur, Bosco e Fião podem se unir
Ao contrário de outros municípios, onde a campanha eleitoral ainda está apenas "engatinhando", Botucatu já apresenta um quadro eleitoral bastante definido, embora ainda restem negociações que devem culminar com uma coligação envolvendo dois ou três dos nomes já lançados à disputa, que por enquanto figuram como adversários.
Essa, porém, não é a única peculiaridade que caracteriza o município: outro fato curioso é que, entre os cinco nomes que figuram como prováveis candidatos, quatro deles disputaram a última eleição: Pedro Losi Neto é o atual prefeito e deve se lançar
à reeleição, representando o PSDB; Antônio Mário Ielo foi o segundo colocado naquele pleito e pretende disputá-lo novamente, pelo PT; Arthur Spirandéo de Macedo, filiado ao PMDB, é outro que disputou a eleição passada, quando ficou em terceiro lugar, com apenas 174 votos a menos que Ielo, e está ávido pela nova chance; e, finalmente, Milton Bosco, que é o atual vice-prefeito mas, desde o início da administração de Pedro Losi, reclamava mais espaço no governo municipal. Como seu desejo não foi atendido, ele rompeu definitivamente com o PSDB nos primeiros meses de 1999, filiou-se ao PSD e passou a apostar que, desta vez, assume o posto máximo do Poder Executivo municipal.
Embora participantes da última eleição municipal, esses quatro políticos têm outra característica em comum: a carreira política deles é recente. O quinto nome aventado para disputar a Prefeitura de Botucatu, por sua vez, tem características opostas aos adversários: não participou, como candidato, das últimas eleições municipais, mas já tem longa carreira política -
é Francisco Rocha, o Fião (PTB), que durante dez anos comandou uma administração municipal - não a de Botucatu, mas sim a de Pardinho, cidade bastante próxima cuja Prefeitura ele ocupou por duas gestões, entre 1983 e 1988 e entre 1993 e 1996.
As cartas, portanto, estão na mesa, mas apenas dois desses cinco candidatos já estão definidos como tal: Pedro Losi Neto vai em busca de seu segundo mandato, aproveitando-se da possibilidade de reeleição, e Antônio Mário Ielo espera que a diferença de votos que o separou de Losi, em 1996, agora seja revertida para mais, invertendo as posições entre ele e o atual prefeito.
Arthurzinho, Bosco e Fião
Entre os outros três candidatos - Arthurzinho, Bosco e Fião
-, todos querem ser prefeito, mas aprovam uma coligação
- desde que os outros só disputem o cargo de vice. Cada um deles tem sua razão para querer se lançar à Prefeitura encabeçando uma chapa: Arthurzinho diz que, ao se lançar candidato pelo PMDB, em 1996, tinha só 3% das intenções de voto, segundo indicavam as primeiras pesquisas. Mesmo aconselhado a desistir, manteve seu propósito e, mobilizando todos os recursos de que dispunha durante a campanha, conseguiu angariar 25% dos votos, colocando-se em terceiro lugar
- posição honrosa, se considerarmos que apenas 1.448 votos o afastaram do vencedor da eleição.
Derrotado, Arthurzinho - que é filho de Arthur Roquete Macedo, reitor da Unesp por vários anos - se voltou à vida acadêmica. Atualmente, é assessor da reitoria do Centro Universitário Nove de Julho, em São Paulo, mas não se esqueceu de Botucatu. Pelo contrário: tem um programa de rádio numa emissora AM da cidade, através do qual recebe reclamações da população, procura resolver os problemas expostos e, de quebra, aproveita para se manter em evidência. "Sou o único dos candidatos que, mesmo derrotado na última eleição, criou um meio para efetivamente defender a população", vangloria-se. E ressalta: "Depois de ter lutado tanto para construir minha imagem, em 96, agora que tenho reais condições de ser eleito prefeito vou abrir mão da candidatura, em nome de outro? Ah, não!".
Fião e Monti
Já Francisco Rocha, o Fião, aponta outra razão para não aceitar ser vice de ninguém: a longa experiência que sua carreira política lhe permitiu acumular. Em 1982 já começava a adquirir experiência como administrador público - então filiado ao PMDB, disputou a Prefeitura de Pardinho e venceu. Consolidava-se, então, a parceria entre Fião e o atual deputado federal Milton Monti - à
época seu colega de partido e que, aos 21 anos, disputava naquela eleição a Prefeitura de São Manuel e viria a se eleger o prefeito mais jovem que o Brasil já teve. Fião foi prefeito até 1988, quando pensou em se lançar candidato a prefeito de Botucatu - município onde nasceu e viveu durante anos. Mas suas pretensões foram em vão e, em 1992, Fião voltou a se candidatar à Prefeitura de Pardinho. A vitória lhe valeu mais quatro anos de experiência administrativa.
No intervalo, durante os anos em que esteve distante do Poder Executivo, ocupou-se como assessor do deputado Milton Monti, então deputado estadual, e continuou imerso nos bastidores da política. Por isso, acredita já dispor de bastante habilidade para exercer o cargo de prefeito.
Conhecendo suas responsabilidades e limitações, avalia que não vai perder tempo descobrindo como funciona a estrutura administrativa do Poder Executivo. Fião também acha que tem pleno trânsito entre as autoridades do Poder Público nos âmbitos estadual e federal: "Quando surgir um problema, já vou saber a quem recorrer, como solicitar sua resolução", explica.
Fião, aliás, embora admita a coligação com Arthurzinho, diz não acreditar que Bosco também se envolva na aliança: "Parece que ele já se declarou candidato, e então fica difícil fazer uma composição". Bem, o próprio Fião também já se declarou candidato, assim como Arthurzinho...
"Terceira força"
O atual vice-prefeito, Milton Bosco, também tem lá suas razões para querer disputar, agora, o cargo máximo do Poder Executivo municipal. Se, enquanto vice, reclamou justamente da falta de espaço para exercer o poder e acabou até brigando com o prefeito, não deve estar nada disposto a repetir a experiência... Por isso, também já se declarou candidato a prefeito.
Mas alguns experientes políticos de Botucatu não duvidam que Bosco, Fião e Arthurzinho se unam numa só chapa de candidatos a prefeito. Seria a "terceira força", competindo com o atual prefeito, Losi, e o candidato do PT, Ielo. Um dos articuladores dessa coligação é o deputado federal Milton Monti (PMDB) - que, embora seja natural de São Manuel, dispõe de ampla influência na vizinha Botucatu.
Para definir qual dos três vai encabeçar a chapa, analistas dizem que em maio, às vésperas do período em que devem ser realizadas as convenções partidárias para oficializar as candidaturas, vai ser feita uma pesquisa. Das três alternativas propostas, o nome preferido pelos eleitores consultados seria indicado pela coligação como candidato a prefeito. Supondo, por outro lado, que a escolha do candidato fosse estritamente política, e não baseada em qualquer pesquisa com eleitores, seria natural pensar que Arthurzinho teria algum favoritismo, já que seu colega de partido, o deputado Monti, é talvez o principal articulador da coligação. Mas foi Fião, e não Arthur, quem comandou em Botucatu a campanha de Monti para deputado federal, em 1996 - quando ele angariou aproximadamente 9 mil votos no município. Arthur, por sua vez, apoiou o ex-governador Fleury. Por isso, a dúvida persiste...
Losi e Ielo
Enquanto o trio Bosco/Fião/ Arthurzinho discute uma eventual aliança e cada um briga para não ser o vice, os outros dois candidatos, Losi e Ielo, assistem de camarote e começam a definir, justamente, quem vão ser os seus vices. O PT realizou um pré-encontro no dia 30 de março e dele surgiu o nome de Osmar de Carvalho, atual presidente do Diretório Municipal do partido em Botucatu, como preferido para compor a chapa como candidato a vice-prefeito. Mas Carvalho ainda não aceitou a proposta: como alguns familiares seus passaram a trabalhar em São Paulo, para onde foram recentemente transferidos, ele ficaria dividido entre a capital e Botucatu. Embora existam três outros nomes cogitados para ocupar o cargo, na chapa em formação - o fundador do PT na cidade e ex-vereador Valdemar Pereira de Pinho, o diretor da ANDES José Lúcio Martins Machado e o empresário Rubens Bicudo -, os líderes do PT pretendem pressionar Carvalho para que ele aceite o desafio.
Prefeito
O prefeito Pedro Losi Neto (PSDB), agora tendo Milton Bosco como adversário, está pesquisando em sua legenda outros nomes de consenso para ocuparem o cargo de vice em sua chapa. O advogado Junot de Lara Carvalho, que foi candidato a prefeito em 1992, e José Ângelo Savini, atual presidente da Associação Atlética Botucatuense, são os mais cotados para assumirem a função. Outro nome cogitado é do atual presidente da Câmara, vereador Mauro Mailho, mas o nome dele surgiu em função do status conquistado através do cargo que ocupa atualmente, e os líderes do PSDB em Botucatu tendem a preferir que a escolha se defina entre as duas primeiras alternativas.
Pesquisas
Outra novidade que se observa em Botucatu, às vésperas da eleição municipal, é a realização de pesquisas de intenção de voto, realizadas por institutos de renome em âmbito nacional. Embora nenhuma tenha sido divulgada publicamente - até porque provavelmente seja encomenda exclusiva de certos partidos -, diz-se que o Ibope, o instituto Brasmarket e a empresa Toledo&Associados já fizeram pesquisas eleitorais em Botucatu. E corre o boato - confirmado até por líderes políticos de partidos concorrentes
- de que o candidato do PT, Antônio Mário Ielo, lidera a corrida pela Prefeitura. Arthurzinho viria em segundo, e o atual prefeito ocuparia apenas a quarta posição. Como esses resultados foram divulgados, à boca pequena, pelos próprios políticos envolvidos na disputa eleitoral, e não, de forma oficial, pelos institutos responsáveis pelas pesquisas, não há como ter certeza de sua veracidade. Mas essa sequência de posições foi confirmada por mais de um dos candidatos concorrentes, o que confere a ela alguma credibilidade. Se realmente reflete a realidade, cabe destacar dois aspectos: a popularidade de Ielo e do PT em Botucatu - que o candidato atribui à união dos correligionários no município, o que não se vê, por exemplo, em Bauru, onde as facções internas do partido se digladiam em disputas infindáveis que, aparentemente, só prejudicam o partido - e a situação desfavorável do atual prefeito, Pedro Losi Neto, que - caso seja correta a avaliação das pesquisas - corre sério risco de não conseguir se reeleger. Aliás, há quem diga que o lançamento de Losi à reeleição
é uma estratégia para avaliar a receptividade da população. Assim, se o PSDB avaliar, às vésperas do prazo máximo para definir seu candidato (entre 10 e 30 de junho), que Losi não tem chances, ele pode desistir em prol da candidatura de Jamil Cury - que foi prefeito de Botucatu entre 1982 e 1988 e entre 1992 e 1996 e detém enorme prestígio na cidade. Essa, porém, é apenas uma hipótese, aventada por uma pessoa intimamente envolvida com a política em Botucatu. Agora, é esperar para conferir os próximos passos dessa disputa...