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Assalto

Rita de C. Cornélio
| Tempo de leitura: 7 min

Grupo armado leva R$ 30 mil do IPA

Texto: Rita de C. Cornélio

Um grupo fortemente armados, possivelmente formado por seis homens, sendo quatro deles encapuzados, assaltaram o Instituto Penal Agrícola

(IPA) de Bauru ontem à tarde. De acordo com o que a direção do presídio informou a polícia, os ladrões levaram R$ 30 mil, dinheiro que seria usado para o pagamento dos reeducandos que trabalham fora do IPA. Toda a polícia foi mobilizada, mas até o fechamento desta edição, os ladrões não tinham sido identificados nem localizados. Um avião sobrevoou a cidade e região, rastreando a fuga, mas foi em vão.

As informações sobre o assalto são desencontradas e uma série de confusões permeiam o fato. Uma das versões apresentadas pelos funcionários do IPA para a polícia é que dois homens chegaram ao presídio a cavalo e renderam os porteiros, apontando armas e prendendo um deles no banheiro. Outros quatro estariam dentro do presídio pegando o dinheiro. Estes assaltantes teriam entrado no cômodo onde o pagamento estaria sendo feito e subtraído todo o dinheiro, cerca de R$ 30 mil.

Outra versão é que o assalto começou a acontecer de dentro para fora do presídio. Os assaltantes teriam pego o dinheiro e na saída renderam os dois porteiros, fugindo em um veículo. Para alguns funcionários, o veículo de fuga teria sido um Voyage cinza. Para outros, um Santana preto e por último, uma Belina azul marinho.

Ninguém no presídio soube informar, com certeza, a direção tomada pelo ou pelos ladrões, uma vez que para alguns o Voyage e o Santana estavam ocupados por sete ou oito homens, um dando cobertura para o outro. O assalto colocou toda a polícia em alerta. A Polícia Rodoviária fez cerco em todas as saídas da cidade, vasculhou toda a região e não encontrou sinal dos fugitivos e nem dos veículos.

Já as polícias Civil e Militar trabalharam a tarde toda e não encontraram nenhuma pista que pudesse levar aos ladrões ou dinheiro. Até um avião monomotor foi usado para tentar localizar os veículos. O delegado J.J. Cardia, titular da Delegacia de Investigações Gerais/Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (DIG/Garra), sobrevoou Bauru e região e não encontrou qualquer pista de nenhum dos veículos que teriam dado fuga aos assaltantes. Ao mesmo tempo, várias viaturas da Polícia Civil, Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise), DIG/Garra e Polícia Militar vasculharam toda as áreas possíveis de serem usadas pelos fugitivos.

Diretoria do IPA teria sido avisada sobre assalto

Informações extra-oficiais dão conta de que a diretoria do IPA sabia do assalto desde a noite de segunda-feira, quando um denunciante, via telefone, avisou que o dinheiro do pagamento dos reeducantos seria roubado.

Uma pessoa, anonimamente, por telefone, procurou a polícia e também avisou do assalto. Segundo o denunciante, o assalto seria efetuado por volta do meio-dia de ontem, quando se iniciasse o pagamento dos cerca de 500 reeducandos que trabalham fora do presídio.

O aviso de assalto chegou à DIG/Garra de Bauru, onde o delegado titular, J.J. Cardia tomou, as devidas providências.

"Recebi o fax-símile da Cepol (Centro de Operações da Polícia Civil) com a seguinte informação: cinco reeducandos do IPA irão efetuar um roubo dentro do presídio por ocasião do pagamento dos presos que trabalham fora, hoje, às 12 horas", relatou ele ao JC.

A partir da informação, o delegado designou uma equipe da delegacia para ficar nas proximidades do IPA. "Todos identificados e armados com calibre 12 e metralhadoras. Avisei a Polícia Militar na pessoa do major Alexandre Borin, que também deslocou um tenente para o local."

Segundo Cardia, após o aviso do assalto foi tentado uma comunicação com a direção do presídio.

"Como não conseguia falar ao telefone com o diretor, passei um fax-símile para a Penitenciária II e pedi o celular do diretor do IPA, Edilson Valim. Falei com ele e pedi que ele tomasse uma série de providências a fim de evitar o roubo. Ele me informou que por falta de energia, o PABX não estava em funcionamento", explicou Cardia.

O delegado garante que ficou acordado entre ele e o diretor que a equipe da DIG/Garra ficaria do lado de fora aguardando uma comunicação, uma vez que policiais armados não podem, por norma, entrar no IPA. Qualquer movimentação estranha dentro do presídio seria comunicada via celular. "Por volta das 13h30 liguei para o diretor e ele disse que a situação era normal dentro do presídio. Troquei a equipe de plantão, por volta das 13h50, para que os policiais plantonistas pudessem almoçar".

Uma hora depois, segundo o titular da DIG/Garra, ele recebeu um telefonema informando que o assalto já havia se consumado.

"A partir da comunicação do diretor, avisamos todas as polícias e todas as providências foram tomadas", afirmou Cardia.

100 anos de perdão

Diz o ditado popular que ladrão que rouba ladrão tem 100 anos de perdão. O dito popular se encaixa no assalto ocorrido ontem no Instituto Penal Agrícola, um fato totalmente atípico e deixou alguns questionamentos. Um deles, ainda não respondido, é porque havia valor tão alto em dinheiro no presídio. Outro é a versão de que o roubo teria sido praticado por reeducandos do próprio IPA.

O dinheiro levado pelos ladrões seria usado para pagamento de cerca de 500 reeducandos, que diariamente trabalham fora do presídio - a maioria em construtoras da cidade. Os R$ 30 mil, garantiriam cerca de R$ 60,00 para cada um dos trabalhadores, valor que seria usado por eles para gozar o benefício da Páscoa com suas famílias.

Revolta

Os presos que ficaram sem receber o dinheiro iniciaram um príncipio de revolta no interior do presídio logo após o assalto. Até as 17h30, eles ainda se encontravam no lado externo. A contagem dos presos, para identificação de possíveis fugitivos, ainda não tinha sido efetuada pela diretoria do presídio.

A identificação de fugitivos entre os reeducandos facilitaria o trabalho de investigação da polícia. O diretor do presídio, Edilson Valim, não deu quis dar entrevista sobre o roubo ao JC.

Só os funcionários viram

O tenente Hudson Covolan, comandante da Base Comunitária Noroeste, confirma que recebeu, na manhã de ontem, a informação de que iria acontecer um roubo no IPA. "O Cardia (J.J.) ligou para o major (Alexandre) e ele mandou que eu fosse até o presídio verificar o que estava ocorrendo", contou ao JC.

No IPA, Hudson diz que conversou com o diretor Edilson Valim.

"Ele não permitiu a entrada de policiais armados. Ele confirmou que haveria pagamento e eu sugeri que o pagamento fosse efetuado aquela hora, uma vez que estávamos na portaria. Ele alegou que faltava energia e que assim que a energia fosse restabelecida, ele avisaria a polícia e iniciaria o pagamento", explicou o policial.

O tenente garante que deixou uma viatura fazendo ronda no presídio.

"Deixei uma viatura fazendo ronda, enquanto que a DIG/Garra manteve uma equipe nas imediações. Quando ele (diretor do IPA) me avisasse que ia iniciar o pagamento, eu me deslocaria pessoalmente até o local. Passei o número do meu celular e da Base Noroeste para que ele nos acionasse, caso ocorresse qualquer movimentação estranha", detalhou o tenente.

Valim teria contado ao tenente que o dinheiro estava guardado em uma sala. "Eu disse que era perigoso e ele me garantiu que só ele e mais duas pessoas sabiam da existência do dinheiro, por isso não haveria perigo". Os policiais teriam aguardado uma comunicação do diretor. "O diretor só comunicou quando o fato já tinha sido consumado. Ao invés de ligar para mim ou para a Base Noroeste, afinal já tínhamos uma viatura do local, ele ligou para o Copom (Centro de Operações da Polícia Militar), para que o Copom passasse a mensagem. Não cumpriu o que havíamos combinado", afirmou Hudson.

Segundo o tenente, nem a equipe da DIG/Garra nem a equipe da PM, viu os veículos apontados como o que deram fuga aos ladrões.

"A primeira informação é que os ladrões tinham fugido em um Santana preto. Na verdade, um Santana deixou o presídio com funcionários. Não eram os assaltantes. Estavam atrás dos ladrões. Ninguém viu outro veículo sair do presídio", concluiu.

Perguntas sem respostas

* Quais as providências tomadas pela direção do presídio para evitar o crime?

* Porque os diretores demoraram tanto para fazer a contagem dos presos?

* Porque nenhuma testemunha viu os carros fugindo?

* Porque o esquema combinado entre a direção do presídio e polícia não foi acionado, antes do fato se consumar?

* Em qual ou quais veículos os ladrões fugiram?

* Houve fuga?

* Porque a diretoria se recusa a falar com a Imprensa?

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